Italy Soccer Europa League Final

A maldição do Benfica é tão forte quanto a estrela do Sevilla, outra vez campeão da Liga Europa

Em algum lugar do além, Béla Guttmann sorri. Não adiantou estátua levantada no Estádio da Luz, homenagem ao maior técnico da história do Benfica. A praga que ele rogou quando deixou o bicampeão europeu, de que os encarnados não triunfariam por mais de um século nas competições europeias, se renovou mais uma vez. Os lisboetas eram favoritos contra o Sevilla e foram melhores em 120 minutos de tensão. Não saíram do 0 a 0. E nem mesmo a intercessão de Eusébio e Coluna, os mitos benfiquistas falecidos nos últimos meses, adiantou para espantar a maldição. Nos pênaltis, os rojiblancos se consagraram em Turim e conquistaram a Liga Europa.

>>> Benfica achava que tinha encontrado o antídoto para a maldição de Béla Guttmann

Não é o fim dos tempos para o Benfica. Não joga fora a temporada de recuperação da equipe de Jorge Jesus, que foi campeã portuguesa, da Taça da Liga e que ainda pode faturar a Taça de Portugal. Ainda assim, é uma frustração imensa. Desde as fatídicas palavras do bruxo Guttmann, são 51 anos de jejum. Cinco vice-campeonatos da Copa dos Campeões e três da Liga Europa, que só fazem perdurar a sensação de que o Benfica é um time fadado ao fracasso no cenário europeu. Embalado pela melancolia dos fados portugueses.

Méritos também do Sevilla. Se há um poço de azar do outro lado, os andaluzes são um exemplo de competência no segundo torneio da Europa. Desde 2004/05, só em três ocasiões os rojiblancos se ausentaram do torneio – em duas porque estavam na Champions e na outra, sem a classificação. São três títulos desde então, se estabelecendo como a principal força do torneio neste século e uma das maiores de sua história. Prêmio para o competente trabalho do técnico Unai Emery, que fez o time ascender no meio da temporada e, além de se aproximar das primeiras posições em La Liga, triunfou na Europa.

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Quando a bola começou a rolar, a cautela era característica dos dois times. Temerosos do gol que poderia selar o fracasso na busca por um título que tanto almejavam. O Benfica sentia a ausência de Lazar Markovic e Eduardo Salvio, duas de suas principais válvulas de escape no ataque, e pouco aproximava a bola de seus atacantes. Da mesma forma, o Sevilla parecia com os nervos foram do lugar. Ivan Rakitic tentava ditar o ritmo, mas não tinha a colaboração de seus companheiros. Carlos Bacca, tão importante na fase de classificação, era anulado pela bem encaixada defesa benfiquista.

O primeiro tempo, como um todo, foi sonolento. Chave para que as equipes mudassem de postura na segunda etapa. Tanto encarnados quanto rojiblancos passaram a ser mais agressivos. O Benfica atacava em blocos, tentando adiantar sua linha de meio-campo. Já o Sevilla explorava os contra-ataques, orquestrados por Rakitic através da aceleração de Vitolo e Reyes pelos lados do campo. Faltava, porém, um pouco mais de calma. Beto se safava com os bombardeios bloqueados pela zaga andaluz, enquanto Oblak  via os adversários não acertarem o alvo. O excesso de erros, também nos passes, atrapalhava demais a dinâmica do jogo. Nos 15 minutos finais do segundo tempo, quem resolveu tomar conta do jogo foi o Benfica. Os portugueses conseguiram se impor fisicamente e insistiam no jogo aéreo contra um rival que se fechava ao redor de sua área, mas pararam em Beto. A prorrogação era inescapável.

A tônica do desespero se seguiu no tempo extra. O Benfica parecia mais interessado em resolver a parada com a bola rolando e pressionava. Colocou até mesmo Óscar Cardozo no lugar de Guilherme Siqueira, reforçando o ataque. Mas também demonstrava uma capacidade enorme de rondar a área rival e não criar chances. Ao Sevilla, restava amarrar o jogo e apostar nos contragolpes. Carlos Bacca foi quem teve a melhor chance nos 30 minutos adicionais, arrancando com liberdade e isolando a bola quando chutou, da entrada da área. Depois de 120 minutos sofríveis, enfim, a dose de emoção com a disputa por pênaltis.

Entretanto, o fado benfiquista ganhou seus acordes finais da marca da cal. Enquanto o Sevilla foi perfeito em suas cobranças, só Luisão e Lima tiveram segurança o suficiente do lado lisboeta. Óscar Cardozo e Rodrigo foram péssimos e telegrafaram seus chutes para Beto se consagrar, garantindo 4 a 2 nos pênaltis, o terceiro título da Liga Europa do Sevilla. A temporada de sonho do Benfica, com a chance de levantar quatro taças, se fecha na amargura da maldição que persiste. Fracasso ofuscado pelo brilho dos andaluzes, que garantem aos espanhóis a hegemonia total no cenário europeu nesta temporada.

Formações iniciais

Benfica x Sevilla

Destaque do jogo

Beto. O herói do Sevilla fez uma defesa importantíssima no tempo normal, em pancada de fora da área de Lima. E se confirmou como protagonista nos pênaltis. É verdade que o português se adiantou demais, mas pegou a péssima cobrança de Cardozo e repetiu a dose no fraco chute no canto de Rodrigo. Com a precisão dos batedores andaluzes, confirmou o título.

Momento chave

Os 120 minutos em que o Benfica não marcou gol. O nervosismo tomou conta da equipe de Jorge Jesus à medida que o temo passava e a tremedeira nas pernas estava evidente quando as penalidades chegaram. Óscar Cardozo e Rodrigo bateram suas cobranças de maneira displicente, fácil para consagrar Beto.

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Curiosidade

O Sevilla se iguala a Liverpool, Juventus, Internazionale, Barcelona e Valencia como um dos maiores campeões da Copa das Feiras/Copa da Uefa/Liga Europa. São três conquistas dos rojiblancos, incluindo também o bicampeonato em 2005/06 e 2006/07. Já o Benfica igualou a Juventus como o maior vice das competições europeias, com oito derrotas em finais.

Ficha técnica
Benfica 0×0 Sevilla (nos pênaltis, Sevilla 4 a 2)

Benfica
Jan Oblak, Maxi Pereira, Ezequiel Garay, Luisão e Guilherme Siqueira (Óscar Cardozo, 9’/1T da prorrogação); Miralem Sulejmani (André Almeida, 25’/1T), André Gomes, Rubén Amorim e Nicolas Gaitán (Ivan Cavaleiro, 14’/2T da prorrogação); Rodrigo Moreno e Lima. Técnico: Jorge Jesus.

Sevilla
Beto, Coke, Nicolas Pareja, Federico Fazio e Alberto Moreno; Daniel Carriço e Stéphane Mbia; José Antonio Reyes (Marko Marin, 33’/2T; Kevin Gameiro, 14’/1T da prorrogação), Iván Rakitic e Vitolo (Diogo Figueiras, 5’/2T da prorrogação); Carlos Bacca. Técnico: Unai Emery.

Local: Juventus Stadium, em Turim (ITA)
Árbitro: Felix Brych (ALE)
Gols: Nenhum. Nos pênaltis, Bacca, Mbia, Coke e Gameiro converteram para o Sevilla; Lima e Rodrigo converteram para o Benfica, Rodrigo e Cardozo perderam.
Cartões amarelos: Federico Fazio, Alberto Moreno e Coke (Sevilla); Guilherme Siqueira e André Almeida (Benfica)
Cartões vermelhos: Nenhum