Pep Guardiola tem uma marca em todos os seus times. Ver um time do treinador catalão significa ter alguns traços marcantes: posse de bola dominante, pressão enorme nos jogadores adversários que têm a bola e um time muito ofensivo. O que se viu neste domingo no Manchester City contra o Chelsea foi uma intensidade e dominação tamanha de um time sobre o outro que o placar não traduz nada do que foi o jogo. O 1 a 0 ficou pouco diante do que foram os dois times em campo.

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Ao longo da semana, o técnico do Chelsea, Antonio Conte, disse que era difícil achar pontos fracos no time do Manchester City. Bom, ele sentiu isso na prática, porque foram os pontos fortes que pareceram colocar o Chelsea amarrado em campo, impotente para sair de um sistema de passes do City que rodava a bola de um lado a outro.

Se faltava mostrar uma falha, o que se viu de problema do time foi justamente um ponto que é crucial: a finalização. O placar magro foi uma expressão disso, porque a dominação de um time sobre outro foi gigantesca. Se a finalização de jogadas do Manchester City fosse melhor, o placar poderia ser maior. Talvez bem maior.

Guardiola levou a campo o time no seu 4-3-3, que é a base. Ficou com a posse de bola o tempo todo. Isso era esperado, você vai pensar, e é mesmo. Mas a dominância foi tamanha que o Chelsea mal conseguia pegar na bola. Quando o Manchester City errava ou o Chelsea conseguia tomar a bola, rapidamente era desarmado ou pressionado a errar.

Com tudo isso, o Manchester City sentia falta de colocar a bola na rede. Mas a dominância era tamanha que o time de Guardiola não sofreu. Foi um time concentrado e que mostrou a capacidade física de intensificar o jogo, pressionar de forma desesperadora quando o adversário está com a bola. Os rivais do Manchester City têm uma dificuldade imensa de jogar e o Chelsea sai de campo com a sensação de não ter jogado. Só correu atrás dos mandantes, de um lado para o outro.

Depois de manter o 0 a 0 no primeiro tempo, a volta ao segundo tinha uma missão ainda mais dura ao time de Conte. O Chelsea tentava manter o alto nível de concentração e a marcação intensa. Marcar o Manchester City é algo que exige muito, muito preparo físico para suportar os recursos do time de manter a bola, levando a todo o campo, ampliado pelos laterais e especialmente pelos pontas. David Silva e Kevin De Bruyne controlaram o jogo de uma maneira avassaladora.

O gol, que acabaria por ser o da vitória, saiu no início do segundo tempo. David Silva cruzou a bola da direita onde estava Bernardo Silva, que se antecipou a Marcos Alonso, que nem viu o português chegando, e marcou 1 a 0. Uma falha coletiva: Azpilicueta na marcação do lado direito, sobre David Silva; Marcos Alonso do lado esquerda, olhando só a bola e não marcando Bernardo Silva, que finalizou nas suas costas.

O Chelsea sai de campo derrotado e preocupado. O time termina a rodada em quinto lugar, com 53 pontos, cinco atrás do Tottenham, o quarto. Ainda está relativamente tranquilo em relação ao sexto colocado, Arsenal, que tem oito pontos a menos, 45. Ficar entre os quatro primeiros é crucial para garantir uma das vagas à Champions League na próxima temporada. E a briga na Premier League se restringe justamente a isso: estar entre os quatro primeiros. Porque na primeira posição já sabemos quem estará.

A Premier League está nas mãos do Manchester City, com 78 pontos. O segundo, Liverpool, tem 60 pontos. Sim, o líder tem impressionantes 18 pontos na tabela. O título da liga está quase no bolso, então o desafio se torna outro: a Champions League. É o torneio que resta. A classificação às quartas de final está no bolso, depois de vencer o Basel por 4 a 0 no jogo de ida na Suíça. Na última temporada, o City de Guardiola caiu nas oitavas para o Monaco. Desta vez, parece equipado para ir mais longe. Bem mais longe. Talvez até além da semifinal que conseguiu em 2015/16, quando ainda era comandado por Manuel Pellegrini. É exatamente o que sonha cada um dos torcedores dos Citizens.

Ficha técnica

Manchester City 1×0 Chelsea

Local: Estádio Etihad, em Manchester (ING)
Árbitro: Michael Oliver (ING)
Cartões amarelos: Zinchenko, Gündogan (Manchester City), Rüdiger (Chelsea)
Cartões vermelhos: nenhum
Gols:
Bernardo Silva a 1’/2T (Manchester City)

Manchester City

Ederson; Kyle Walker, Nicolás Otamendi, Aymeric Laporte e Oleksandr Zinchenko (Danilo aos 42’/2); Ilkay Gündogan, Kevin De Bruyne e David Silva (Phil Foden aos 47’/2); Bernardo Silva, Sergio Agüero (Gabriel Jesus, 40’/2T) e Leroy Sané. Técnico: Pep Guardiola

Chelsea

Thibaut Courtois; Cézar Azpilicueta, Andreas Christensen e Antonio Rüdiger; Victor Moses, Cesc Fàbregas, Daniel Drinkwater e Marcos Alonso; Willian (Olivier Giroud aos 35’/2T), Pedro (Emerson Palmieri aos 37’/2T) e Eden Hazard (Alvaro Morata aos 45’/2T). Técnico: Antonio Conte