Vidic subiu bem para marcar o gol do United e surpreender o Bayern (AP Photo/Jon Super)

Da maneira que pode, o Manchester United equilibrou o duelo com o Bayern

Quando Ryan Giggs afirmou que o Manchester United não era azarão algum contra o Bayern de Munique nesta terça, por estar jogando em Old Trafford e por ser exatamente o Manchester United, maior parte das pessoas encarou como uma declaração protocolar. O jogador mais experiente do time estava apenas sendo positivista, pois não há outro caminho em uma situação como essa. O que poucos esperavam é que, de fato, dentro de campo, essa constatação acabasse se concretizando em um duelo disputado pelas duas equipes. À sua maneira e como as circunstâncias permitiam, o time inglês jogou de igual para igual com a melhor equipe do mundo e, apesar da péssima campanha na Premier League, encurtou como pode o abismo de qualidade entre os dois.

Em relação ao domínio da bola, nenhuma surpresa. O Bayern teve controle absoluto nesse quesito, com 70% ao final do jogo. No entanto, na hora de transformar essa supremacia em chances reais de gol, pouco aconteceu. É verdade que os bávaros não tiveram a posse apenas em seu próprio campo. A bola passou muito tempo cercando a área dos donos da casa. Entretanto, isso não significou muitas chances contundentes de gol do clube alemão, especialmente no primeiro tempo.

A etapa inicial foi aquela em que o Manchester United mais chegou perto de vencer ou pelo menos abrir uma vantagem confortável. Danny Welbeck chegou a abrir o placar com um belo gol de fora da área, mas uma decisão equivocada do juiz de sinalizar pé alto do atacante manteve o placar zerado. Depois disso, o próprio Welbeck teve outra chance incrível de inaugurar o marcador, ficando frente a frente com Manuel Neuer. Porém, caprichou tanto na hora de escolher como finalizaria que acabou jogando nas mãos do arqueiro. Já o Bayern, apesar de todo a superioridade ao controlar o jogo, teve menos chances reais de fazer o primeiro, sendo o chute de Arjen Robben defendido por David De Gea a oportunidade mais aguda dos comandados de Pep Guardiola.

No segundo tempo, logo após o gol de Nemanja Vidic, em cobrança de escanteio de Wayne Rooney, Pep Guardiola viu que precisaria fazer algo para tornar útil as subidas de seu time ao ataque. Então, tirou Thomas Müller para promover a entrada de Mario Mandzukic. A alteração surtiu efeito rapidamente. O Bayern tinha agora uma referência a qual buscar em seus avanços, e, em um deles, Rafinha levantou a bola na área e encontrou o croata, que ajeitou de cabeça para Schweinsteiger empatar.

Com o empate definido, Schweinsteiger seria mais uma vez protagonista, mas ao ser expulso em uma jogada bastante duvidosa. O meio-campista, que já tinha cartão amarelo, deu carrinho em Wayne Rooney, que deu uma exagerada na reação, e acabou levando o segundo amarelo. A ausência do grande maestro do Bayern pode ser mais um fator positivo para o United buscar uma classificação improvável. No entanto, não há motivos fortes o bastante para apostar as fichas nisso. Os bávaros, jogando em Munique, deverão ser mais contundentes que hoje, e o retrospecto na temporada aponta que as chances de isso acontecer são enormes. Mas que os Red Devils saem da primeira metade do confronto com muito mais dignidade que todos imaginavam, isso sai.

Formações iniciais

Campinho Man United Bayern

Destaque do jogo

David Moyes – Não houve um jogador tão acima do nível dos outros para merecer o posto de destaque da partida. Portanto, pelo bom trabalho tático do Manchester United – que mesmo com todas as probabilidades apontando para uma vitória fácil do Bayern de Munique conseguiu segurar o adversário, inclusive levando mais perigo que os bávaros -, David Moyes é o surpreendente destaque do jogo.

Momento-chave

Houve pelo menos três momentos que mereceriam lugar aqui. Em primeiro lugar, a grande defesa de David De Gea em belo chute colocado de Arjen Robben; em segundo, o gol mal anulado de Danny Welbeck; depois, a chance inacreditável perdida pelo mesmo atacante, quando ficou de cara para Manuel Neuer. Para fazermos diferente dessa vez, selecionamos a expulsão de Bastian Schweinsteiger, no fim da partida, como o momento-chave. É evidente que o empate já estava bem definido quando o alemão foi expulso. No entanto, a ausência do maestro dos bávaros pode acabar sendo a chave para um triunfo inacreditável do United na volta. Repetimos: inacreditável. Isso não passa de um exercício de suposição, mas o cartão vermelho para Schweini tem, sim, potencial para mudar a história da partida em Munique.

Os gols

13’/2T: GOL DO MANCHESTER UNITED! Wayne Rooney cobra escanteio, e Nemanja Vidic sobe mais alto que todos para abrir o placar, de cabeça, para o United.

22’/2T: GOL DO BAYERN DE MUNIQUE! Rafinha cruza a bola da direita, Mario Mandzukic ajeita de cabeça, e Bastian Schweinsteiger pega de primeira, no meio da área, para empatar o jogo.

Curiosidade

Com o gol de Vidic hoje, esta foi a 15ª vez consecutiva em que o Manchester United marcou contra clubes alemães.

Ficha técnica

Manchester United 1×1 Bayern de Munique

Manchester United escudoManchester United

David De Gea; Phil Jones, Rio Ferdinand, Nemanja Vidic e Alexander Büttner (Ashley Young, 29’/2T); Michael Carrick, Marouane Fellaini e Ryan Giggs (Shinji Kagawa, intervalo); Antonio Valencia e Danny Welbeck (Javier Hernández, 40’/2T); Wayne Rooney. Técnico: David Moyes

Bayern_escudoBayern de Munique

Manuel Neuer; Rafinha, Javi Martínez, Jérôme Boateng e David Alaba; Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger; Arjen Robben, Toni Kroos (Mario Götze, 29’/2T) e Franck Ribéry; Thomas Müller (Mario Mandzukic, 18’/2T). Técnico: Pep Guardiola

Local: Old Trafford (Manchester-ING)
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Gols: Nemanja Vidic, 13’/2T (Manchester United); Bastian Schweinsteiger, 22’/2T (Bayern de Munique)
Cartões amarelos: Valencia (Manchester United); Schweinsteiger, Mandzukic e Javi Martínez (Bayern de Munique)
Cartões vermelhos: Schweinsteiger (Bayern de Munique)