A situação política na Venezuela é delicadíssima. A insatisfação de parte da população contra o governo de Nicolás Maduro tem motivado inúmeros protestos no país. E a maioria das ações não conta com o pacifismo dos manifestantes nem com a compreensão dos policiais. Nove pessoas foram mortas nos últimos 11 dias, com cenas de guerra registradas em várias cidades. Um caos também que afeta o Campeonato Venezuelano.

A associação de jogadores profissionais já tinha pedido no início da semana para que o torneio fosse paralisado, por conta de vários episódios de tensão nos dias anteriores. Algo rechaçado pela Federação Venezuelana de Futebol (FVF). Os problemas nos estádios prosseguiram e forçaram a associação a dar um ultimato. Novamente não foram atendidos pelos dirigentes. E, neste domingo, a greve tomou conta da rodada. Embora os jogadores se recusassem a entrar em campo, os cartolas se mantinham ao lado da FVF e mandaram os juniores para as partidas. E, em alguns estádios, os torcedores tentaram parar o campeonato na marra.

A foto acima foi tirada antes da partida entre Trujillanos e Deportivo Lara, disputada no Estádio José Alberto Pérez, em Trujillo – estado onde aconteceram as primeiras manifestações contra Maduro. Minutos antes do início da partida, um grupo de pessoas invadiu o gramado e ocupou uma das áreas do campo, em motivo ainda não esclarecido se em apoio ao que acontece nas ruas ou contra a postura da federação. Depois de meia hora de atraso, o presidente do clube chegou a um acordo e, aí sim, o duelo começou, com jogadores sub-20. Já na partida entre Carabobo e Estudiantes de Mérida, também em Trujillo, a situação foi mais radical. O público se recusou a sair do campo e o jogo foi suspenso por falta de segurança.

Enquanto isso, a maioria das partidas da rodada aconteceu com garotos. A exceção aconteceu em Mérida, outro berço dos protestos. A diretoria do Deportivo Táchira foi a única que se solidarizou com os atletas e não mandou nem mesmo seus jogadores da base para o encontro com o Atlético El Vigía. O time principal adversário, pronto para o jogo a princípio, se recusou a atuar. Mesmo assim, os dirigentes mandaram os juniores a campo, ganhando por WO.

A partir de agora, é esperar qual será a resposta da Federação Venezuelana de Futebol. Se a rodada passada teve o menor público desde 2010, com média inferior a 1,8 mil pessoas por jogo, a marca negativa deve ter piorado ainda mais neste final de semana. Não é possível que os dirigentes fiquem de braços cruzados de novo. Paralisar o Campeonato Venezuelano pode ser um problema. Bem menor do que seguir em frente com a competição diante da insatisfação de jogadores e torcedores. E mínimo diante da turbulência vivida por todo o país.

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