Harry Kane precisou de apenas duas partidas, um total de 153 minutos, sem contar os acréscimos, para entrar na história da seleção inglesa em Copas do Mundo. O atacante do Tottenham marcou três vezes na goleada por 6 a 1 sobre o Panamá, na segunda rodada, e já soma cinco gols no Mundial. É o artilheiro isolado da competição, à frente de Romeu Lukaku e Cristiano Ronaldo, com quatro.

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Em duas tacadas, Kane colocou-se em segundo lugar na lista de artilheiros ingleses na Copa do Mundo. Foram dois de cabeça contra a Tunísia, dois de pênalti diante do Panamá e, contra os centro-americanos, outro em que o chute de Loftus-Cheek desviou no seu calcanhar e balançou as redes, totalmente sem querer. Mas também vale, e ele igualou os cinco gols de Geoff Hurst, herói do título de 1966, e já está com metade do total de Gary Lineker, que colocou seu nome no placar dez vezes nos Mundiais de 1986 e 1990. 

Esses três são, inclusive, os únicos a alcançarem a tripleta pela Inglaterra em Mundiais: Hurst, na final de 1966 contra a Alemanha, e Gary Lineker, na fase de grupos contra a Polônia, vinte anos depois. Lineker e Kane também são dois do trio que conseguiu anotar três tentos em fase de grupos. O outro é Roger Hunt, que marcou duas vezes na França e uma no México, na edição conquistada pelos ingleses. 

Kane está em boa companhia, saindo das estatísticas inglesas. Poucos conseguiram cinco gols em seus dois primeiros jogos de Copa do Mundo. Guillermo Stábile, da Argentina, ficou no banco na primeira rodada da história da Copa do Mundo, em 1930, mas foi alçado à titularidade e marcou cinco vezes em México (6 a 3) e Chile (3 a 1). Terminou o torneio como artilheiro, com oito tentos. 

O outro foi Sándor Kocsis, que aproveitou os passeios da Hungria na fase de grupos de 1954 para garantir o prêmio de artilharia. Não fez apenas cinco gols nas suas duas primeiras partidas: fez sete, três na Coreia do Sul e quatro na Alemanha. Seria o maior goleador do torneio com 11. Por fim, Just Fontaine, que abriu os trabalhos para a França na Suécia, em 1958, com três gols contra o Paraguai e emendou outros dois diante da Iugoslávia. Faria 13 naquela competição, até hoje o recorde de tentos de um único jogador em uma edição da Copa do Mundo. 

Todos os predecessores de Kane terminaram o Mundial como artilheiros. Kane está na dianteira no momento, e a história o ajuda. Desde 1978, com Mario Kempes, seis gols são o bastante para ser o maior goleador do torneio (em 2006 e 2010, cinco), com exceção de 2002, quando Ronaldo Fenômeno marcou oito vezes. O problema é que a concorrência, desta vez, não está muito atrás. Lukaku e Cristiano Ronaldo estão à espreita, também em seleções que podem ir tão longe quanto a Inglaterra – ou até mais.