Entra temporada, sai temporada, e a batalha de Marco Reus contra as lesões se torna dolorosa até de se acompanhar. Em termos de talento, poucos jogadores alemães da atual geração (e também das anteriores) se equiparam ao camisa 11. Entretanto, desde 2014, seu tormento tem sido infindável. São sete lesões que custaram ao menos um mês parado no departamento médico. Uma delas, o tirou da Copa do Mundo e de abrilhantar ainda mais o tetracampeonato da Alemanha. Já a última aconteceu justamente naquele que deveria ser o seu momento de redenção, na almejada primeira conquista de relevo pelo clube do coração. O craque precisou deixar o campo no intervalo da final da Copa da Alemanha, após ter rompido os ligamentos do joelho, mas nem isso o afastou da comemoração efusiva pelo título. Contudo, haveria uma longa jornada depois disso.

Já era esperado que Reus passasse a primeira metade da temporada no departamento médico. A lesão é deveras delicada, especialmente considerando o seu histórico. Ainda assim, a espera tende a demorar mais. Segundo informações do suplemento esportivo do jornal Bild, repercutido por diversos veículos alemães, o retorno do atacante pode ser postergado por até dois meses. O que se previa inicialmente para janeiro talvez aconteça apenas em março. E a Copa do Mundo, o sonho não alcançado há quatro anos, seria justamente o norte na decisão.

Poucos dias antes da notícia, Reus havia falado ao canal oficial do Borussia Dortmund sobre o seu retorno. Indicava que o trabalho poderia se estender. “Estou me saindo bem, realmente muito bem. Tudo está acontecendo de acordo com os planos, não há complicações. Mas isso ainda leva um pouco mais de tempo”, apontou. Além disso, comentou as dificuldades em trabalhar separadamente do restante do elenco e indicou o seu foco rumo ao Mundial de 2018: “Minha volta será muito emocionante, estou ansioso por isso”. De qualquer forma, sabe que a pressa é inimiga neste tipo de situação.

Se Reus deixar para voltar às portas de março, talvez perca um período importante de trabalho na pausa de inverno com o Borussia Dortmund. No entanto, pode ter tempo hábil para contribuir com o time na maior parte do segundo turno e também nos mata-matas das competições europeias. A questão é o tamanho do impacto que ele precisará gerar para ser reinserido na seleção alemã, correndo o risco ainda de perder a única Data Fifa antes da Copa do Mundo, no fim de março. O atacante não faz parte do elenco de Joachim Löw desde março de 2016, quando saiu do banco em amistoso contra a Itália.

Não há dúvidas que o Borussia Dortmund ganha demais com Marco Reus em seu elenco. Por mais que existam boas opções para o setor ofensivo, nenhuma delas apresenta tantas virtudes na ponta esquerda ou como segundo atacante. E nem demonstra tanto senso de responsabilidade para aparecer em jogos grandes. O camisa 11 formaria um trio formidável ao lado de Pierre-Emerick Aubameyang e Andriy Yarmolenko. Além do mais, mesmo sofrendo com as lesões, quase sempre o camisa 11 contribuiu decisivamente ao time em suas últimas temporadas intermitentes. Pode não ter sido o possante craque que se viu no Signal Iduna Park entre 2012 e 2014, mas garantia a sua eficiência com gols e assistências. É nesse impacto imediato que Reus confia.

Já na seleção alemã, por mais que existam ótimos nomes para as pontas, Reus continua um patamar acima da maioria, especialmente por suas características. Talvez não seja titular de imediato, considerando outros jogadores que subiram na hierarquia ou as características de jogo que Joachim Löw pretende adotar. Mas sempre é útil ter um Ás na manga com tanta qualidade. O problema cabal, todavia, se concentra em um grande ponto: quando deixaremos de falar de um craque hipotético para vê-lo voando novamente, em carne e osso. É por isso que o foco em seu trabalho físico se torna tão importante.

Atualizado sexta-feira, às 15h20

Nesta sexta, o Borussia Dortmund emitiu um comunicado oficial de Marco Reus. O atacante afirma que seus planos de retorno não foram adiados, desmentindo assim a informação inicial da imprensa alemã.