Mario Gómez pode não ser o centroavante mais brilhante de sua geração. E nem precisa ser. A eficiência dentro da área valeu uma carreira notável ao alemão, importante em vários clubes tradicionais e por anos servindo de referência à seleção. A ausência na Copa do Mundo de 2014, atrapalhado pelas seguidas lesões, colocou o Mundial de 2018 como seu grande objetivo. E o recomeço no Besiktas ajudou o matador a se reerguer, presente na Euro 2016. Depois, transferiu-se ao Wolfsburg, e viveu uma boa temporada inicial com os Lobos. No entanto, o primeiro turno apagado na Bundesliga levou o artilheiro a mudar de ares. Pela Copa do Mundo, reencontra o seu primeiro amor. Aos 32 anos, Gómez retorna ao Stuttgart, clube no qual é um dos maiores ídolos, assinando contrato até 2020.

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Nascido em Riedlingen, uma cidadezinha de 10 mil habitantes no sudoeste da Alemanha, Mario Gómez teve a primeira oportunidade de se juntar ao Stuttgart aos 13 anos. E o que poderia ser o sonho de qualquer garoto recebeu o não do jovem talento. Naquele momento, defender um grande clube não era a prioridade do atacante. Ele preferia terminar os estudos em sua cidade, mais próximo da família e dos amigos. A oportunidade, ainda assim, voltaria a bater na porta de Gómez. Em 2001, quando defendia o modesto Ulm 1846, o jovem tomou uma lavada de 7 a 0 dos alvirrubros em um torneio local. “Mesmo depois disso, a gente não consegue te convencer a jogar conosco?”, falou o técnico do Stuttgart, com um sorriso no rosto. A partir de então, começava a relação.

A chegada às categorias de base do Stuttgart aconteceu quando Mario Gómez tinha 16 anos. Seu faro de gol não demorou a encantar a todos no clube, até que ele ganhasse a primeira oportunidade como profissional aos 18, em março de 2004. Em plena Liga dos Campeões. Teve poucos minutos para enfrentar o poderoso Chelsea, é verdade. Mas pôde ambicionar um futuro grandioso ao encarar Marcel Desailly. Ainda continuou até o fim da temporada seguinte se alternando entre as chances no elenco principal e no segundo quadro. Aprimorava sua capacidade como um verdadeiro matador.

As coisas aconteceram muito rápido a Mario Gómez. Efetivado por Giovanni Trapattoni em 2005, contou com a ajuda do italiano para desenvolver as suas virtudes. E na segunda temporada completa com o time principal, chegaria ao topo. De mero figurante na Bundesliga, o Stuttgart passou a brigar pelas primeiras colocações. Surpreendentemente, conquistou a Salva de Prata em 2006/07, graças a uma geração de bons talentos. O centroavante estava entre os principais. Formando parceria com Cacau na linha de frente, Gómez marcou 14 gols, mas contribuiu bastante na construção de jogo, com sete assistências. Além de campeão, terminou aquele ano eleito como o melhor jogador do futebol alemão.

O sucesso daquele Stuttgart seria um tanto quanto efêmero. Mas não o de Mario Gómez. O artilheiro permaneceu na Mercedes-Benz Arena por mais duas temporadas, melhorando os seus números. Era um dos xodós da torcida, não apenas pela maneira como decidia em campo, mas também pela vontade que exibia em cada jogada e por toda a sua ascensão meteórica desde as categorias de base. Com o tempo, porém, o clube suábio ficou pequeno para a fome de gols do atacante. Em 2009, aos 24 anos, ele se despediu dos alvirrubros. Por um valor recorde até então no Campeonato Alemão, assinou com o Bayern de Munique. Pôde não ser o negócio mais bem quisto pelos torcedores do Stuttgart naquele momento, mas não apagava sua história.

Desde então, a carreira de Mario Gómez passou por altos e baixos. Viveu duas temporadas excelentes no Bayern e marcou gols importantes no ano da Tríplice Coroa, apesar de ter perdido espaço. Não engrenou na Fiorentina por conta das lesões, antes de estrelar o Besiktas campeão turco. E salvou o Wolfsburg do rebaixamento, por mais que não tenha contribuído muito na atual campanha. Sua saída da Volkswagen Arena era iminente e o Besiktas parecia interessado em recontratar o veterano. Ele acabou optando por um clube de ambições mais modestas como o Stuttgart, mas onde se sentirá em casa e poderá mostrar serviço a Joachim Löw.

A concorrência de Mario Gómez pelo Nationalelf, afinal, vem crescendo. Timo Werner parece o nome certo para disputar o Mundial de 2018. Lars Stindl se saiu bem nas oportunidades que ganhou e Sandro Wagner sobe de patamar com a transferência ao Bayern, embora deva ser reserva de Robert Lewandowski. Diante do cenário intrincado, o veterano precisava se mexer. Mesmo marcando gol em sua última aparição pela seleção, em setembro, ele ficou de fora das duas convocações seguintes. A escolha pelo Stuttgart parece mesmo a mais sábia.

E que não dê para Mario Gómez ir à Copa de 2018, isso nem parece o mais relevante agora. O interesse recai sobre o reencontro com a torcida que tanto o adora. Àquela que foi sua casa por oito anos. O centroavante soma 87 gols pelo clube na Bundesliga e é o seu sexto maior artilheiro na história, com Jürgen Klinsmann logo à frente. Terá outros objetivos, mirando também os recordes. E se faltou um matador confiável para que o time se mantenha firme em seu ano de retorno à elite, com Simon Terodde vendido ao Colônia, este problema aparentemente está solucionado. As lembranças de momentos felizes aos suábios voltam à tona com o ídolo.