O gol de Kjetil Rekdal para a Noruega contra o Brasil, aos 44 minutos do segundo tempo, decretando a vitória europeia por 2 a 1, foi um golpe doloroso para a seleção marroquina, que havia vencido a Escócia por 3 a 0 e precisava de pelo menos um empate no outro jogo do Grupo A para avançar às oitavas de final da Copa do Mundo da França, igualando o melhor resultado de sua história em Mundiais. Vinte anos depois, Marrocos poderá tentar de novo.

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Neste sábado, em Abidjan, na Costa do Marfim, a seleção marroquina derrotou os donos da casa por 2 a 0 e carimbou passaporte para a Rússia. Entrou em campo em vantagem no Grupo C das Eliminatórias Africanas: tinha nove pontos contra oito dos marfinenses e poderia até mesmo empatar. Foi além, afirmando a sua superioridade em relação aos adversários e o mérito de se colocar entre as 32 seleções que disputarão o torneio do ano que vem.

O resultado também significa que a Costa do Marfim estará de fora da Copa do Mundo pela primeira vez desde a sua estreia, em 2006, na Alemanha, após três participações seguidas. Não é mais um time com uma boa quantidade de estrelas do futebol europeu, como nos tempos de Drogba e Yaya Touré. O ataque, por exemplo, tem Gervinho, que já teve sua chance na elite da Europa e não correspondeu, Doumbia e Zaha. Um trio competente, entre outros bons nomes como Kessié e Aurier, mas longe de ser brilhante.

O sinal de problema na seleção marfinense havia sido a campanha fraca na Copa Africana de Nações deste ano, quando, pela primeira vez desde 2002, a equipe, defendendo o título de 2015, não conseguiu passar da fase de grupos. Marc Wilmots, demitido da Bélgica por não organizar uma seleção que correspondesse ao talento que ele tinha à disposição, assumiu no lugar do francês Michel Dussuyer e, em que pese não ter tido muito tempo para trabalhar, conseguiu resultados piores do que os do seu antecessor: ganhou o primeiro jogo pelas Eliminatórias, contra o Gabão, mas perdeu deste mesmo adversário em seus domínios e ficou no 0 a 0 com Mali, além de ser derrotado no confronto direto com os marroquinos.

A ironia da classificação de Marrocos é que ela foi comandada por um velho conhecido da Costa do Marfim. Hervé Renard, treinador campeão africano pelos marfinenses em 2015 – e com Zâmbia, três anos antes -, emprestou a sua experiência para a seleção marroquina, que, em janeiro, passou da fase de grupos da Copa Africana de Nações pela primeira vez desde 2004, quando foi vice-campeã. Já com Renard, que neste intervalo teve uma breve passagem pelo Lille, tocando o barco.

Marrocos tem jogadores interessantes, como a dupla do Feyenoord, El Ahmadi e Amrabat, e o ótimo Hakim Ziyech, do Ajax. Além de Dirar, do Fenerbahçe, e Benatia, da Juventus, autores dos gols da vitória deste sábado sobre a Costa do Marfim. O de Dirar foi por puro acaso: recebeu pela esquerda, cortou e cruzou fechado. A bola passou por todo mundo e morreu nas redes do fraco goleiro Gbohouo. Em escanteio, Benatia testou às redes, e Aurier, no começo do segundo tempo, precisou cortar em cima da linha para evitar uma derrota maior dos marfinenses.

Vinte anos depois da decepção francesa, Marrocos está de volta à Copa do Mundo. Neste período, bateu duas vezes na trave: ficou em segundo para Senegal apenas no saldo de gols nas Eliminatórias para 2002 e um ponto atrás da da Tunísia, no classificatório para o Mundial seguinte. Agora, em sua quinta Copa, tem a missão de representar a África melhor do que a Costa do Marfim, que chegou aos últimos três torneios cheia de expectativa e não conseguiu corresponder.

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