A atual temporada na Inglaterra tinha muitas expectativas. Uma delas era pela intensa troca de técnicos entre os principais times do país. Só Arsenal e Liverpool mantiveram seus técnicos da temporada passada. Até o interminável Alex Ferguson resolveu se aposentar e deu lugar a David Moyes. Foi justamente a saída do escocês do Everton que abriu espaço para aquele que tem sido a grande surpresa positiva desta primeira metade de temporada na Inglaterra: o espanhol Roberto Martínez.

Contratado junto ao Wigan, rebaixado na temporada passada, mas que foi campeão da Copa da Inglaterra em cima do poderoso Manchester City. Sem falar que o Wigan era chamado, de brincadeira, claro, de “incaível”, porque escapava do rebaixamento quando já parecia condenado. A história não se repetiu na temporada passada, mas mesmo assim o trabalho de Martínez foi bastante elogiado. Não por acaso ele foi o escolhido para suceder os 10 anos de Moyes no Everton. Uma responsabilidade e tanto. Aliás, situação similar à do próprio Moyes, que chegou a um clube maior para substituir um treinador que ficou muito tempo no comando da equipe.

Uma das primeiras medidas de Martínez foi tratar de trazer bons reforços para o time. Primeiro, porque o elenco perdeu um dos seus principais meio-campistas, Marouane Fellaini, que foi acompanhar o chefe no Manchester United. Martínez fez o mesmo: levou James McCarthy, do Wigan, para os Toffees por € 15,3 milhões. Quantia alta, mas é um jogador jovem, 22 anos, que tinha mostrado ótima capacidade na última temporada. Mas este foi só um dos reforços.

O técnico ainda conseguiu três empréstimos que adicionaram excelentes opções ao elenco: Gerard Deulofeu, atacante do Barcelona, que joga pelos lados do campo; Gareth Barry, volante que já foi da seleção inglesa, que veio do Manchester City, e Romelu Lukaku, centroavante de 20 anos do Chelsea. Este último tem sido um reforço importante no setor ofensivo do time, marcando gols importantes. Na Premier League, ele marcou mais gols que todos seus ex-companheiros de Chelsea somados: são nove gols do belga contra seis dos seus companheiros.

Lukaku, artilheiro do bom Everton: nove gols e ótimas atuações (AP Photo/Jon Super)

Lukaku, artilheiro do bom Everton: nove gols e ótimas atuações (AP Photo/Jon Super)

Não é tudo. No domingo, contra o Southampton, James McCarthy deu o passe para Lukaku marcar o segundo gol, da vitória por 2 a 1 sobre o time do sul da Inglaterra. Uma vitória fundamental, que faz os Toffees terminaram 2013 na quarta posição na Premier League, ou seja, na zona de classificação para a Liga dos Campeões, à frente do rival Liverpool e do atual campeão Manchester United, que estão logo em seguida na tabela.

O Everton é o time que menos perdeu na liga até aqui. São apenas duas derrotas, uma das razões que faz o time estar lá em cima na tabela. Até porque venceu menos que os concorrentes, 10 vezes, menos que o Liverpool, que está um ponto atrás. Tem a ver com o número de empates, sete. Ninguém empatou tanto no Campeonato Inglês.

O técnico joga em um 4-2-3-1 no Everton. Alguns de seus jogadores tem se destacado especialente. Um deles é o lateral direito Seamus Coleman, que é o vice-artilheiro do time, com cinco gols – um deles um golaço que abriu o placar na vitória do Southampton por 2 a 1 no domingo. Outro é Phil Jagielka, que se destaca no time há algum tempo e é presença frequente na seleção inglesa. Leighton Baines sofreu um pouco com lesões, mas segue como destaque.

Barry e McCarthy são volantes tecnicamente bons e que tem dado proteção à defesa do time. Na linha ofensiva é que o destaque é maior. Ross Barkley tem 20 anos e tem jogado como meia central. Se destaca tanto que chamou a atenção do técnico da seleção inglesa, Roy Hodgson, que o convocou para os jogos com o Chile e a Alemanha, em novembro. Há chances de ele ser um dos 23 que virá ao Brasil para a Copa do Mundo. Esse é mais um mérito que tem a ver com Martínez.

Dos novos técnicos mais badalados, David Moyes ainda está sofrendo com o Manchester United, sexto colocado. Mourinho ainda está tentando dar forma ao seu Chelsea, terceiro. Manuel Pellegrini tem ido bem no Manchester City, mas além de ter um enorme orçamento e um elenco estrelado, sofre quando joga fora de casa. Wenger faz bom trabalho no Arsenal ao colocar o time na liderança. Nenhum deles, porém, tem tirado tanto do próprio elenco quanto Roberto Martínez, especialmente se considerarmos que ele assumiu o time nesta temporada.

Será difícil manter o desempenho neste nível até o fim da temporada. Mas considerando o que fez até aqui o técnico Roberto Martínez no comando do Everton, é de se esperar que o time esteja ali na briga por uma vaga na Liga dos Campeões, entre o oitavo e o quarto lugar. O que não é pouco para quem sai tão atrás em termos de orçamento dos demais concorrentes.