Como todo sonho que se realiza, chegou a hora de acordar. Javier Mascherano defendeu a camisa do Barcelona durante sete temporadas e meia. Chegou volante, saiu zagueiro. Chegou um grande jogador, sai multicampeão, com 17 medalhas de primeiro lugar no pescoço. O argentino, quarto estrangeiro que mais vezes jogou pelo clube catalão, se apresentará ao Hebei Fortune, da China, na sexta-feira, e se despediu dos companheiros nesta quarta.

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O adeus foi realizado em um evento institucional, com a comissão técnica, os jogadores e o presidente Josep Maria Bartomeu. Na próxima quinta-feira, o Barcelona recebe o Espanyol para o jogo de volta da Copa do Rei e ele deve aproveitar a ocasião para também se despedir dos torcedores no Camp Nou.

“Eu fui muito sortudo. Cheguei sete anos atrás para realizar um sonho e agora é a hora de acabar. O sonho acabou. Durei mais do que pensava. Agora é a hora de dizer adeus e vou carregar comigo muita afeição”, disse Mascherano. “Eu tive que tomar essa decisão. O tempo foi o maior indicativo de que eu estava perdendo importância para o time. Estava tornando as coisas mais difíceis. Eu não queria colocar o clube em uma posição difícil, então essa foi minha decisão”.

Mascherano admitiu que não consegue mais ser o mesmo jogador que assumiu a titularidade da defesa sob o comando de Pep Guardiola e se manteve jogando regularmente com Tito Vilanova, Tata Martino e Luis Enrique. A competição no setor cresceu. “Às vezes você tem que aceitar a realidade. Não sou o jogador que era. É normal, natural. Eu precisava fazer essa mudança. Eu não sinto que eu poderia reverter a situação. A qualidade dos zagueiros do time é muito grande”, afirmou.

“A coisa mais difícil sobre jogar no Barcelona é que você sabe que um dia terá que ir embora. Eu me sinto privilegiado, sortudo por tudo que eu pude experimentar aqui. Eu nunca imaginei que ficaria aqui por tanto tempo e por fazer parte da história deste clube”, completou.

Mascherano chegou do Liverpool em 30 de agosto de 2010 e estreou contra o Hercules, o primeiro dos seus 334 jogos oficiais com a camisa azul-grená. Seu único gol foi marcado contra o Osasuna, na temporada passada. De pênalti. Foi convidado a bater, em homenagem a tudo que fez pelo clube. E foi bastante coisa.