A Série D é a esperança de um futuro melhor para centenas de clubes brasileiros, e não apenas aos 68 que entram na disputa. A oportunidade de rechear um pouco mais o calendário e galgar os degraus rumo à elite do futebol nacional. O modelo da competição ainda apresenta os seus questionamentos, até por oferecer apenas um mês a mais de atividades para os eliminados na primeira fase. E o regulamento está distante de ser unânime. Como os participantes são divididos em 17 grupos, os dois piores segundos colocados acabam sobrando e não avançam aos 16-avos de final. Punição tremenda para Desportiva e Inter de Lages, que mereciam sucesso maior no torneio, em uma rodada repleta de classificações épicas.

O caso da Desportiva é o mais notório. O tradicional clube capixaba caiu no “grupo da morte” – denominado assim, indubitavelmente, por peso da camisa. Precisou enfrentar Villa Nova-MG, Bangu e Portuguesa-SP. Não à toa, o Grupo A13 terminou como o mais equilibrado da competição. Na última rodada, todos os times tinham chance de terminar com a liderança. O Villa Nova se garantiu buscando o empate contra o Bangu em Moça Bonita. Já a Tiva, lanterna da chave no início do domingo, bateu a Portuguesa por 1 a 0 no Estádio Engenheiro Araripe, com gol de Edinho. Entretanto, a comemoração foi negada a sua torcida.

O triunfo fez a Desportiva saltar para a segunda colocação, ultrapassando o Bangu no saldo de gols. No entanto, não foi o suficiente para os grenás no quadro geral. Por um gol de saldo, os capixabas ficaram entre os piores segundos colocados. E o pior foi a forma como aconteceu: até os 47 do segundo tempo, a Tiva estava empatada em todos os critérios com o Campinense e ia para o sorteio. Foi quando o Reinaldo Alagoano anotou o segundo tento nos 2 a 0 sobre o Atlético Pernambucano, selando a classificação dos paraibanos. Graças a esse gol, a Raposa segue na Série D. Por aquilo que fizeram dentro de campo, os dois mereciam ter passado.

O Inter de Lages passou por tristeza parecida no Grupo A16, também cheio de times respeitáveis. Os catarinenses já não tinham mais chances de alcançar o São Bernardo na liderança, mas visitaram o Foz do Iguaçu, também na luta pelo segundo lugar. No fim das contas, o empate por 1 a 1 determinou a infelicidade dos colorados, encerrando a campanha como o pior segundo colocado entre as 17 chaves. Também se deu mal por culpa do saldo.

Por outro lado, a emoção e a alegria permearam vários estádios pelo país, com as classificações emocionantes aos 16-avos de final. O maior exemplo é o do próprio Campinense, mas não apenas. Na mesma chave, o Flu de Feira terminou com a liderança ao buscar o empate por 2 a 2 com o Itabaiana, graças a dois gols marcados depois dos 38 do segundo tempo. A Aparecidense buscou um empate cardíaco por 3 a 3 com o Luziânia, em confronto direto pelo segundo lugar, e também passou. Já o Brusque só descolou a segunda posição de sua chave ao bater o Operário Ferroviário aos 44 do segundo tempo, ultrapassando o XV de Piracicaba, que suou sangue para derrotar o São Paulo em Rio Grande por 4 a 3.

O chaveamento dos 16-avos de final foi definido neste domingo, ainda orientado por critérios de regionalização, o que acontecerá também nas oitavas de final. Para entender o sistema, vale conferir o post do amigo Felipe Augusto, na ótima Revista Série Z. A partir das quartas de final, em confrontos já valendo o acesso, os oito classificados serão ordenados conforme a pontuação conquistada até então. Os de melhor campanha se cruzarão com os de pior.

Abaixo, os cruzamentos dos 16-avos de final. Nas oitavas, o vencedor do primeiro jogo pega o do segundo, o do terceiro pega o do quarto, e assim sucessivamente:

confrontos