Juan Mata é o tipo de jogador que pensa. Pensa muito: no melhor passe que pode dar, na melhor jogada que pode fazer, pensa todos os minutos de um jogo de futebol e, quando o árbitro apita, continua pensando. Ano passado, deu uma entrevista muito sincera em que admitiu ganhar um “salário obsceno” – aproximadamente R$ 720 mil por semana – e se mexeu para tentar entregar aos que mais precisam um pouco do que está sobrando.

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Mata é o fundador do projeto Common Goal, que tem como objetivo final destinar 1% do faturamento de toda a indústria do futebol para instituições de caridade. Vai demorar, mas Mata não se preocupa com isso. “Não importa. Cedo ou tarde, eu acho que acontecerá”, disse, em entrevista ao Guardian.

O jogador do Manchester United recrutando companheiros para a sua causa, um a um, para manter o projeto constantemente na imprensa. Começou anunciando que doaria 1% do seu salário e já recebeu a companhia de Hummels, Chiellini, Gnabry, Dennis Aogo – que decidiu doar 2% – Alex Brosque, capitão do Sidney, e Alex Morgan e Megan Rapinoe, estrelas do futebol feminino dos Estados Unidos.

“O objetivo final é que todo mundo relacionado ao futebol, inclusive a imprensa e a torcida, possa ajudar de maneiras diferentes. O melhor jeito de começar é com jogadores porque eles atraem muita atenção. Estamos falando de 1% porque precisamos de uma estrutura realista que encoraje as pessoas a se juntarem. O meu 1% não significa tanto, mas se, um dia, chegarmos a 1% de todo o faturamento do futebol profissional, seria maravilhoso”, afirmou.

Mata acredita que o futebol tem o poder de realizar grandes mudanças. “Eu entendo por que algumas pessoas pensam que jogadores de futebol são egoístas. Mas as pessoas também subestimam o futebol. Quando ele faz o bem, é um esporte muito justo. Se você tem talento e dedicação, você pode ir bem, independente de onde você é. Nesse sentido, o futebol é como boxe. Dá esperança para muitas pessoas. É incrível o que o futebol pode fazer para mudar vidas”, disse.

Como exemplo, o espanhol citou dois companheiros de Manchester United. “Eu tive a sorte de nascer em uma boa família na Espanha”, disse. “Mas alguns dos meus companheiros chegaram à mesma posição que eu com diferentes origens. O  futebol é igual e não importa da onde você vem. Tenho dois companheiros agora, Eric Bailly e Marcos Rojo, e suas origens são completamente diferentes das minhas. Um é da Costa do Marfim, outro da Argentina. Nasceram em famílias humildes, com poucas expectativas econômicas. Jogaram futebol com seus amigos e agora estão no Manchester United. É um exemplo lindo de pessoas que não tiveram a mesma sorte que nós”.