Kylian Mbappé é um jogador especial. E não apenas por aquilo que faz em campo, cada vez mais adaptado ao Paris Saint-Germain, um dos protagonistas entre tantos craques. A idade ou a realidade privilegiada não dizem muito sobre os pensamentos do jovem atacante. O francês possui uma visão de mundo um tanto quanto peculiar, e de uma profundidade acima da média não apenas para um adolescente como ele, mas também para a maioria de seus colegas de profissão. Prova disso é dada a cada entrevista do prodígio. Nesta semana, ele falou com a France Football. E demonstrou como não deseja que o sucesso nos gramados mine etapas de sua vida, especialmente em anos tão marcantes da juventude, às vésperas de completar 19 anos.

VEJA TAMBÉM: Mbappé impressiona pela maturidade ao deixar claro seu projeto: Marcar a história de sua cidade

“Como não posso sair muito, trago meus amigos para casa, jogamos, rimos, pensamos em algo além do futebol… São os únicos momentos em que posso me comportar como um garoto da minha idade. Chegar ao nível que cheguei em tão pouco tempo me fez perder uma vida normal de adolescente. Eu ainda quero fazer algumas tolices, passar um tempo olhando para o nada, fazer coisas para ser repreendido. Meu progresso como jogador atende as minhas ambições, mas me lamento um pouco pelo curso da minha juventude ser tão diferente dos outros”, afirma Mbappé.

Outra ideia interessante do jovem é sobre a maneira como ele se vê, diante da carreira profissional como jogador. O jovem se afasta da visão de sacrifício, como tantos outros colegas de profissão, por se considerar alguém em condições especiais na vida: “Não entendo os que falam sobre os sacrifícios que fizeram ao longo de suas carreiras. Para mim, o sacrifício real seria acordar todos os dias de manhã para trabalhar. Não sou um grande trabalhador, mas sim um amante do futebol”.

Além disso, Mbappé exaltou o auxílio de Neymar em sua chegada ao PSG. Tudo bem que o brasileiro não fazia parte do elenco por tanto tempo assim. Independentemente disso, o prodígio declarou que o astro logo saiu em sua acolhida e o ajudou a se integrar ao restante do grupo. Uma espécie de irmandade que lembra bastante o que fez Ronaldinho com Lionel Messi e, posteriormente, Messi com o próprio Neymar no Barcelona.

“Imediatamente depois que eu assinei com o PSG, Neymar me colocou sob suas asas e me integrou. Ele estava me esperando, na verdade. Antes da minha chegada, ao final do mercado de verão, me enviava mensagens perguntando quando eu chegaria. Eu dizia que estava próximo. Mas como estava demorando, ele deve ter pensado que eu estava mentindo. Assim que cheguei, ele me tranquilizou. Em campo, sempre me buscava e me passava a bola. Ajuda muito que um jogador assim te acolha desta maneira”, afirmou.

Já sobre a sua apresentação no Parc des Princes, Mbappé aponta que acabou sendo um momento definitivo de sua carreira, pela maneira como rompeu com a realidade mais modesta à qual estava acostumado e passou a ser tratado como um astro: “Naquele dia, eu entrei em outra dimensão. Eu senti a impressão de atravessar um rio e mudar completamente de mundo. Eles me levaram para outro universo totalmente desconhecido. Eu era um pouco como uma estrela de rock, com todos aqueles torcedores me acolhendo e o mundo inteiro presente na coletiva de imprensa”.

Por fim, Mbappé fala sobre a maneira como tem lidado com a pressão e a cobrança. É interessante como ele analisa este momento como parte de seu crescimento para ser um grande jogador: “Quando certas pessoas começaram a duvidar do meu potencial, eu gostei. Mais de 90% dos jogadores passam mais de duas partidas sem marcar gols e as pessoas não falam nada. Eu aceito o desafio, porque isso vai de encontro ao status que quero ter como um grande jogador”.