Enquanto os torcedores portugueses lamentavam a má participação da seleção nacional na Copa do Mundo, dirigentes dos principais clubes do país se digladiavam em (mais) uma batalha de bastidores, que tem tudo para trazer mais prejuízos do que benefícios para o futebol lusitano.

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A briga vem de muito tempo, mas teve seu marco na véspera da abertura do Mundial. No dia 11 de junho, Mário Figueiredo foi reeleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), numa eleição conturbada e que precisou de reforço de policiamento e seguranças particulares na sede da entidade.

Mário Figueiredo ganhou uma disputa em que concorreu sozinho, porque seus dois opositores tiveram as candidaturas impugnadas dias antes da votação. Ele recebeu votos de três times da primeira divisão (Sporting, Paços de Ferreira e Belenenses) e quatro da segunda divisão (Leixões, Farense, Santa Clara e Atlético). O Boavista também compareceu às urnas, mas votou em branco.

Os opositores do presidente eram Rui Alves e Fernando Seara. O primeiro, ex-presidente do Nacional e o segundo, um político com reconhecida veia futebolística e, segundo análises pré-eleitorais, favorito à vitória. Mas ambos foram impedidos de concorrer porque o presidente da Assembleia Geral da Liga, Carlos Deus Pereira, não aceitou o registro das candidaturas, alegando falhas burocráticas nos processos de ambos.

Sentindo-se prejudicados, os 19 clubes que apoiavam Alves e Seara tentaram uma manobra em meio ao pleito. Alegando irregularidades administrativas também na candidatura de Figueiredo, eles quiseram impugnar a eleição, mas não obtiveram sucesso.

O caso, evidentemente, foi parar na Justiça. E nove dias depois de ter o nome anunciado como presidente reeleito da LPFP, Mário Figueiredo viu um tribunal atender um pedido de liminar feito por Vitória de Guimarães e Estoril e suspender a decisão que dava a ele a vitória eleitoral.

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O pé de guerra entre clubes e presidente não é novo. Em fevereiro, esta coluna já havia citado o problema ao lembrar que as equipes queriam destituir Mário Figueiredo do cargo e nem mesmo permitir que ele ocupasse a cadeira de presidente até a eleição.

Os argumentos eram a não aprovação das contas da Liga em 2012/13; a não apresentação do orçamento de 2013/14; o decréscimo das receitas; a ausência de patrocínios; a falta de transparência na gestão, com decisões unipessoais do presidente sem consultar os clubes; e o estilo de liderança beligerante com os clubes e os patrocinadores.

Quem também estava na corda bamba era Carlos Deus Pereira, braço direito do presidente. Mas ambos resistiram e, agora, Carlos conseguiu fazer com que os adversários de seu grupo político não concorressem na eleição de junho.

O caso ainda parece longe de ser resolvido. Muitas idas e vindas na Justiça devem acontecer e não é de se estranhar que a temporada 2014/15 sofra um atraso em seu início por conta disso.

Como atrasado está o futebol português, que tem apenas a 18ª melhor liga do mundo (segundo a Federação Internacional de História e Estatística) e cuja seleção não consegue se classificar para a segunda fase da Copa do Mundo, mesmo tendo o melhor jogador do planeta. Como atrasado ficará cada vez mais, enquanto os dirigentes continuarem numa briga sem fim pelo poder.