Considerando a história centenária do Dérbi, Corinthians e Palmeiras não se enfrentaram tantas vezes em finais. Esta será apenas a sexta decisão propriamente dita do Campeonato Paulista, com mais dois embates derradeiros pelo Torneio Rio São-Paulo (em 1951, graças a jogos extras) e mais um pelo Campeonato Brasileiro, em 1994. O regulamento do estadual, por décadas disputado em formato de pontos corridos, ajuda a explicar estas estatísticas. Mas não diminui o peso da grande rivalidade do estado de São Paulo, alimentada desde a afirmação do futebol local entre as camadas mais populares.

Diante do confronto deste sábado, aproveitamos para relembrar outras finais do Paulistão entre Corinthians e Palmeiras. Pegamos os cinco jogos anteriores em decisões, com mais dois acréscimos. Em 1938, por conta da pausa de seis meses nos torneios oficiais causada pela Copa do Mundo, os clubes de São Paulo seguiram em atividade graças a um Paulista Extra, que teve o Dérbi na decisão. O Palestra Itália ergueu a taça, em meio ao tricampeonato estadual dos rivais. Já o caso do Paulistão de 1954 é especial, considerando que Corinthians e Palmeiras chegaram à penúltima rodada como os principais concorrentes ao título, em jogo que poderia definir o campeão. E de fato confirmou, com o empate tornando os alvinegros inalcançáveis no topo da tabela por pontos corridos, em uma de suas taças mais simbólicas, no IV Centenário de São Paulo.

Abaixo, a ficha dos jogos e uma breve explicação sobre o contexto, retirada de uma matéria produzida para a Trivela em 2011, sobre os duelos de Corinthians e Palmeiras que valeram título. Além disso, para complementar a leitura, trazemos os vídeos de cada uma das decisões (exceção 1936 e 1938, por motivos óbvios) e as edições dos jornais do dia seguinte, contando a história do campeão. Nas publicações mais recentes, fica a dica para ir além da primeira página linkada, com especiais amplos produzidos pelos diferentes periódicos paulistas. No caso do Estado de S. Paulo, há uma limitação de visualizações a quem não for assinante. Neste caso, clicar com o botão esquerdo do mouse e em ‘abrir imagem em nova guia’ ajuda na leitura ou ao menos na expansão da página. A quantidade de jornais disponibilizados dependeu do acervo da Biblioteca Nacional. Ao final, trazemos também um “bônus”, com edição da revista Placar de 1992, detalhando as rivalidades estaduais pelo Brasil.

VEJA TAMBÉM: Na íntegra, o vídeo do Palmeiras 2×2 Corinthians da final de 1999

Campeonato Paulista de 1936 – Palestra campeão

Palestra Itália 2×1 Corinthians
Data: 9 de maio de 1937
Local: Parque Antártica
Gols: Luizinho e Moacir (Palmeiras); Filó (Corinthians)

O torneio organizado pela Liga Paulista de Futebol adotou um novo regulamento: os campeões de cada um dos dois turnos fariam a final. Vencedor do returno, o Palestra acabara de abrir 1 a 0 no placar quando os alvinegros interromperam o primeiro embate, reclamando do lance que originou o tento de Frederico. Depois de empate na segunda partida, os palestrinos confirmaram o título em um terceiro jogo, com vitória por 2 a 1.

Correio de S. Paulo – 10 de maio de 1937

Correio Paulistano – 11 de maio de 1937

Folha da Noite – 10 de maio de 1937

Campeonato Paulista Extra de 1938 – Palestra campeão

Palestra Itália 2×1 Corinthians
Data: 18 de setembro de 1938
Local: Parque Antártica
Gols: Barrilote e Rolando (Palmeiras); Teleco (Corinthians)

Aquele jogo acabou sendo um tira-teima diante do que ocorreu no ano anterior. O Palestra faturou a decisão do Paulista de 1936 (em maio de 1937) contra o Corinthians, mas em novembro os alvinegros deram o troco, derrotando os palestrinos na antepenúltima rodada do Paulistão de 1937 e praticamente encaminhando a conquista do certame, que voltou a ser em pontos corridos. Em 1938, com a paralisação nos torneios oficiais por causa da Copa, a liga paulista manteve os clubes em atividade graças a este Paulista Extra. Em formato que misturava grupos e mata-mata, Palestra e Corinthians chegaram à decisão. Após empate sem gols na ida, os alviverdes levaram a taça com o triunfo por 2 a 1. Em abril de 1939, o Corinthians se sagrou bicampeão estadual no Paulistão de 1938.

Correio Paulistano – 20 de setembro de 1938

Folha da Noite – 19 de setembro de 1938

Campeonato Paulista de 1954 – Corinthians campeão

Palmeiras 1×1 Corinthians
Data: 6 de fevereiro de 1955
Local: Pacaembu
Gols: Luizinho (Corinthians); Nei (Palmeiras)

O último título antes do início do tabu de 23 anos foi faturado sobre os maiores rivais e marcou a terceira conquista do time no estadual em quatro anos. Quatro pontos atrás do líder Corinthians, os alviverdes dependiam de uma vitória para manter vivo o sonho da taça no ano do quarto centenário da cidade de São Paulo, em meio a grandes comemorações e obras públicas. Já aos nove minutos de jogo, porém, Luizinho “Pequeno Polegar” marcou de cabeça o gol que selaria a conquista. Nei ainda empatou no segundo tempo, mas o goleiro Gylmar asseguraria a igualdade, suficiente ao triunfo corintiano. Detalhe: por superstição, os palmeirenses disputaram o jogo decisivo de camisas azuis. Não deu sorte.

Folha da Noite – 7 de fevereiro de 1955

Estado de S. Paulo – 8 de fevereiro de 1955

Mundo Esportivo – 8 de fevereiro de 1955

Mundo Esportivo – Edição extra – 28 de fevereiro de 1955

NA TRIVELA: Os 60 anos do Paulista do IV Centenário

Campeonato Paulista 1974 – Palmeiras campeão

Palmeiras 1×0 Corinthians
Data: 22 de dezembro de 1974
Local: Morumbi
Gols: Ronaldo (Palmeiras)

A primeira decisão dos times no Morumbi foi considerada o troco palmeirense pela derrota de 1954. Cada um dos rivais venceu um turno do Paulistão e, no primeiro jogo da final, empataram por 1 a 1. Já na segunda partida, o atacante Ronaldo fez, de sem-pulo, o gol heroico. A decisão marcou a saída de Rivellino do Corinthians, responsabilizado por “sumir” na final e vítima de uma série de acusações.

Folha de S. Paulo – 23 de dezembro de 1974

Estado de S. Paulo – 24 de dezembro de 1974

NA TRIVELA: Há 40 anos, a Academia evitava o fim da fila

Campeonato do Paulista de 1993 – Palmeiras campeão

Palmeiras  4×0 Corinthians
Data: 12 de junho de 1993
Local: Morumbi
Gols: Evair [2], Zinho e Edílson (Palmeiras)

Os dois melhores times da segunda fase do estadual, Palmeiras e Corinthians fizeram a final de 1993. No primeiro jogo, Viola fez 1 a 0 para os alvinegros, imitando um porco na comemoração. A resposta aconteceu seis dias depois, em forma de goleada. O Palmeiras abriu 3 a 0 no tempo normal. Como o saldo de gols não contava naquela decisão, o confronto seguiu para prorrogação (com a vantagem do empate nos 30 minutos finais aos alviverdes) e Evair, de pênalti, quebrou o tabu de 16 anos sem títulos.

Folha de S. Paulo – 13 de junho de 1993

Estado de S. Paulo – 13 de junho de 1993

NA TRIVELA: Filme palmeirense transforma qualquer dia em 12 de junho de 1993

Campeonato Paulista de 1995 – Corinthians campeão

Corinthians 2×1 Palmeiras
Data: 06 de agosto de 1995
Local: Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto
Gols: Marcelinho Carioca e Elivélton (Corinthians); Nilson (Palmeiras)

Depois de anos difíceis no clássico, os corintianos foram à forra em 1995. Mais uma vez, os dois rivais se sobressaíram na segunda fase e fizeram clássico na final – decidida em dois jogos no interior, já que Morumbi e Pacaembu estavam em obras. Após empate por 1 a 1 na primeira partida, Nílson abriu o placar no segundo confronto. De falta, Marcelinho Carioca empatou e Elivélton anotou o gol do título já na prorrogação.

Folha de S. Paulo – 7 de agosto de 1995

Estado de S. Paulo – 7 de agosto de 1995

Campeonato Paulista de 1999 – Corinthians campeão

Corinthians 2×2 Palmeiras
Data: 20 de junho de 1999
Local: estádio do Morumbi
Gols: Evair [2] (Palmeiras); Marcelinho Carioca e Edílson (Corinthians)

A polêmica final aconteceu apenas um mês depois que o Palmeiras eliminou os alvinegros nas quartas de final da Copa Libertadores. Os corintianos sobraram no primeiro encontro, contra um time misto alviverde, conquistando vitória por 3 a 0. Já a segunda partida aconteceu quatro dias depois do título continental alviverde, em cima do Deportivo Cali. Marcelinho abriu o placar e Evair virou ainda no primeiro tempo, mas a reação era difícil aos palmeirenses, ainda com um a menos depois da expulsão de Cléber. Aos 30 do segundo tempo, Edílson praticamente garantiu a taça ao empatar e logo depois fez as famosas embaixadinhas, que descambaram para uma briga generalizada no Morumbi.

Folha de S. Paulo – 21 de junho de 1999

Estado de S. Paulo – 21 de junho de 1999

NA TRIVELA: Os três anos de Corinthians x Palmeiras que ninguém se esquecerá

>>> BÔNUS – Placar de 1992 sobre histórico decisivo dos clássicos no Brasil