A Ucrânia ainda vive dias tensos. A Crimeia votou por sua anexação à Rússia, mas o imbróglio permanece, assim como o descontentamento do leste do país em relação à aproximação do novo governo do país ao Ocidente. E, no meio desse turbilhão, o futebol. Nesta quarta, Dynamo Kiev e Shakhtar Donetsk fizeram clássico pelo segundo turno do Campeonato Ucraniano, o primeiro oficial desde o estouro da crise – antes, já tinham se pegado em um amistoso com portões fechados. O maior símbolo do oeste ocidentalizado contra o clube de um oligarca pró-Rússia. Obviamente, o Estádio Olímpico de Kiev acabou se tornando palco de manifestações políticas.

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Antes de a bola começar a rolar, um enorme mosaico com as cores da Ucrânia. No centro dele, o brasão de armas do país. Uma clara mensagem sobre soberania e relações políticas em um momento tão delicado. Ainda assim, dentro de campo, quem venceu foi o leste. O Shakhtar assegurou a vitória por 2 a 0 no placar, com dois gols de Luiz Adriano, e dificultou bastante a vida do Dynamo na briga pela taça, sete pontos atrás dos líderes.

Com o triunfo, o Shakhtar chega aos mesmos 50 pontos (ainda que com um jogo a mais) do Dnipro Dnipropetrovsk. Um rival que, por sua vez, é bancado por um dos principais magnatas partidários do novo governo e da ocidentalização. A sete rodadas do fim da liga, a polarização que divide o país politicamente também criará uma dicotomia na disputa pelo título. Mais uma vez, o futebol deverá seguir sendo usado como um ferramenta para assuntos que vão muito além dos gramados.