A Internazionale permanece atolada na Serie A. O time ainda aparece na zona de classificação à Liga dos Campeões, mas vê os concorrentes acima na tabela se distanciarem cada vez mais. Na quarta colocação, os nerazzurri não vencem há oito rodadas. E o que deveria ser um jogo relativamente fácil neste sábado terminou em revolta. A equipe de Luciano Spalletti não passou de um empate com o Crotone, cedendo o 1 a 1 durante o segundo tempo. Ao apito final, as vaias da torcida ecoaram no San Siro. Um contraste notável diante da reação ao técnico visitante, o lendário Walter Zenga. Goleiro interista por 11 temporadas e um dos melhores do mundo em sua época, ele recebeu um belíssimo tributo das arquibancadas, independentemente do resultado.

Sem o lesionado Mauro Icardi, que assistiu ao jogo nas tribunas, a Inter abriu o placar aos 23 minutos. Marcelo Brozovic cobrou escanteio e Eder apareceu no meio da área para completar de cabeça. No entanto, o Crotone cresceu de produção no segundo tempo e o empate saiu aos 15, em pane geral da defesa nerazzurra. Sem que a zaga afastasse o perigo, um passe desajeitado virou assistência a Andrea Barberis, que se antecipou aos marcadores e não deu chances de defesa a Samir Handanovic. O brasileiro Rafinha entrou pouco depois, mas não conseguiu evitar o tropeço. Ao apito final, sonoras vaias dos torcedores para Luciano Spalletti e seu time.

Zenga, por outro lado, teve o seu nome gritado pelos ultras e foi aplaudido por aqueles que deixavam as arquibancadas. Uma faixa estendida dizia: “Há apenas um Walter Zenga”. O ex-goleiro chegou às categorias de base da Inter quando tinha 11 anos e, depois de alguns empréstimos, tornou-se titular em 1983/84. Foram 473 jogos defendendo a meta nerazzurra, com destaque à conquista da Serie A em 1988/89 e aos dois títulos na Copa da Uefa. Além disso, o veterano ganhou em três anos consecutivos o prêmio de melhor do mundo em sua posição, oferecido pela IFFHS. Também se manteve como titular da seleção italiana durante parte deste período, sustentando até hoje o recorde de minutos sem sofrer gols em uma Copa do Mundo. Foram cinco jogos sem ser vazado no Mundial de 1990. Permaneceu em Milão até 1994, envolvido no negócio que trouxe Gianluca Pagliuca da Sampdoria.

O passado de Zenga na Inter, de qualquer forma, continua vivíssimo. E o antigo ídolo não escondeu a emoção: “Eu me sinto em casa. Nunca é fácil para mim vir aqui e eu vejo minha vida passando em flashes pela minha cabeça, toda a história que construí aqui. É duro. Nasci interista, fiz toda a minha carreira no clube. Acho que a torcida gosta daqueles que trabalham duro, dão seu máximo e amam a camisa”.

Um momento particularmente simbólico, aliás, aconteceu durante o início da partida. A torcida da Inter cantou o tradicional “quem não pula é rossonero”. E mesmo à beira do campo, Zenga não fez a desfeita e deu saltinhos contidos. Além de ex-jogador, ele também foi gandula da Inter e se misturava aos torcedores antes de se profissionalizar. “Eu estava nas arquibancadas cantando com eles nos velhos tempos. Isso foi uma brincadeira que não insulta ninguém. Sou o técnico do Crotone e estava prestando atenção no meu time, mas é complicado para mim dividir a profissão do privado durante os 90 minutos. Estou feliz com nossa atuação”, declarou.

A Inter soma 45 pontos na quarta colocação, quatro a mais que a Roma e um a menos que a Lazio, ambas com um jogo a menos. Já o Crotone luta mais uma vez contra o rebaixamento e ocupa o 17° lugar, três pontos acima da zona da degola.