Já era sabido que a Croácia se pouparia na rodada final da fase de grupos, antecipadamente classificada aos mata-matas da Copa do Mundo. Só uma combinação de resultados improvável tiraria os croatas da liderança. Ainda assim, eles resolveram jogar bola. Sem precisar botar o pé no acelerador, o time criou ocasiões, concentradas no segundo tempo, e viu reservas mostrarem serviço. Resultado: uma vitória apertada sobre a Islândia, por 2 a 1, mas que manteve os 100% de aproveitamento dos europeus e eleva a confiança para as oitavas de final, nas quais enfrentarão a modorrenta Dinamarca. Favoritismo claro para a sequência da competição.

A Islândia, por sua vez, apenas ressaltou que possui suas virtudes muito claras, mas não consegue fugir disso. Melhor durante o primeiro tempo, finalizou bastante em Rostov-on-Don e poderia ter vencido. A trave e o goleiro Lovre Kalinic não contribuíram com a pretensão dos nórdicos. E quando o time precisava se lançar ao ataque durante os minutos finais, acabou se expondo demais, o que permitiu a festa do outro lado. Frustrados pela eliminação, os islandeses não conseguiram repetir o sucesso da Eurocopa. Ainda assim, o empate heroico contra a Argentina e a mera classificação inédita já significam bastante à irrisória história do futebol local. Valeu pela invasão do pequeno país, agora no mapa das Copas.

Muitas mudanças nas escalações

A Islândia voltou com a formação que venceu a Argentina, o 4-5-1. Emil Hallfredsson retornou à equipe titular, fechando o meio-campo e liberando Gylfi Sigurdsson. Mesmo sem estar na melhor forma física, Johann Gudmundsson foi outra novidade bem-vinda na ponta direita. Já na defesa, o capitão Kári Árnasson, mal contra a Nigéria, deu lugar a Sverrir Ingason. Do outro lado, como esperado, a Croácia mudou bastante. O técnico Zlatko Dalic decidiu poupar vários de seus titulares. Luka Modric e Ivan Perisic eram os únicos que haviam atuado desde o início nas duas partidas anteriores, enquanto Andrej Kramaric estava no 11 inicial contra a Nigéria. De resto, oito novidades.

Começo morno

Os primeiros 25 minutos de jogo não tiveram muita ação em Rostov-on-Don. A Croácia dominou a posse de bola, mas era um time burocrático, que não mostrava muito interesse e também não conseguia passar pelos meio-campistas da Islândia, estes fazendo um trabalho tão bom quanto o visto contra a Argentina. Ofensivamente, porém, os islandeses não ameaçaram muito a meta croata, confiando nos cruzamentos. A única finalização veio em um chute de Mateo Kovacic, que ainda assim acabou bloqueado pela defesa.

Enfim, o jogo se incendeia

Não dá para saber se a informação sobre o gol de Lionel Messi chegou ao gramado em Rostov. Fato é que a partida melhorou exponencialmente nos 20 minutos finais do primeiro tempo. A Islândia começou a pressionar bem mais, levando perigo à meta da Croácia. Após a cobrança de um lateral longo, Hördur Magnússon desviou de cabeça e a bola cruzou a pequena área sem que ninguém completasse. Depois, o lateral subiria com liberdade mais uma vez, cabeceando para fora. Os croatas até tentaram responder, com Ivan Perisic e Luka Modric em chutes de fora da área, mas ambos pegaram muito mal na bola.

A Islândia poderia ter feito o primeiro

Se a Islândia terminasse o primeiro tempo em vantagem, seria totalmente compreensível. O abafa dos nórdicos gerou três oportunidades claríssimas. Primeiro, com Alfred Finnbogason. O atacante roubou a bola no campo de ataque, tabelou com Gylfi Sigurdsson e finalizou da entrada da área. O chute raspou a trave. Depois, quem apareceu foi Birkir Bjarnason. Após cobrança de escanteio, o goleiro Lovre Kalinic afastou parcialmente. A bola sobrou para o meia, que encheu o pé, mas parou nas pernas do arqueiro. E o camisa 12 faria um milagre nos acréscimos da primeira etapa. Totalmente livre, Aron Gunnarson pegou bem na bola e chutou de primeira, mas o goleiro se esticou todo para desviar.

Badelj muda o jogo

Titular em boa parte do ciclo de preparação à Copa do Mundo, Milan Badelj perdeu a posição nas duas primeiras rodadas. O volante, no entanto, começou o segundo tempo com bastante vontade. E daria a vantagem para a Croácia em Rostov. Primeiro, acertou um chutaço da intermediária e o míssil explodiu no travessão. Contudo, poderia sorrir logo depois, aos sete minutos. Após um cruzamento na esquerda que desviou na zaga islandesa, o camisa 19 surgiu como elemento surpresa na área e acertou uma chicotada na bola, quicando no chão antes de estufar as redes de Hannes Halldórsson.

O grito islandês fica preso

A Islândia tentou responder imediatamente depois do gol. Novamente, confiou nos cruzamentos. E ficou muito perto do empate, duas vezes com Ingason. Na primeira chance, após uma saída errada do goleiro Kalinic, o zagueiro cabeceou no alto, mas o camisa 12 croata conseguiu se recuperar a tempo e dar um tapinha à linha de fundo. Já na sequência, o zagueiro voltaria a se sobressair na área e carimbou o travessão croata. Depois disso, porém, os nórdicos não conseguiram manter o ímpeto.

Rotação baixa, outra vez

O jogo voltou a cair de ritmo a partir dos 15 minutos. Posse de bola à Croácia, que não se expunha e até se fechou um pouco mais, com a entrada de Dejan Lovren e Filip Bradaric nos lugares de Luka Modric e Marko Pjaca. Os croatas passaram a atuar com três zagueiros, em alternativa que pode ser útil aos mata-matas do Mundial. Já a Islândia partiu com tudo ao ataque, ao sacar o zagueiro Ragnar Sigurdsson e confiar Björn Sigurdarsson. Só então as chances voltaram a aparecer.

A Islândia empata

Tanto Islândia quanto Croácia ficaram a centímetros de balançar as redes por volta da meia hora de jogo. Primeiro, Bjarnason furou sozinho dentro da área. Depois, Pivaric chutou cruzado e Kramaric não conseguiu completar. O gol de empate saiu aos 31. Em bola que bateu no braço de Lovren, o árbitro Mateu Lahoz assinalou o pênalti. Gylfi Sigurdsson voltou a assumir a responsabilidade e, ao contrário do que aconteceu contra a Nigéria, converteu a cobrança. O arremate foi em direção ao meio do gol, no alto, próximo do travessão. Desta vez, dentro.

A pá de cal no sonho da Islândia

Diante do empate da Nigéria, a Islândia precisaria fazer mais dois gols para se classificar. Não conseguia pressionar com clareza. E, pior, assim como havia acontecido contra a Nigéria, os nórdicos deixavam sua defesa exposta demais. Nos minutos finais, só a Croácia finalizava. Nem mesmo o gol da Argentina, que voltava a fazer os islandeses dependerem de apenas um tento, ajudou. Porque, afinal, os croatas arrancaram a virada. Hallfredsson tentou driblar na intermediária e perdeu a bola para Badelj, que já armou o contra-ataque e enfiou para Perisic dentro da área. O ponta encheu o pé e encerrou o sonho da Islândia aos 44 do segundo tempo. Depois de um cruzamento ou outro, ao apito final, a desilusão se via nos rostos dos nórdicos.

Ficha técnica

Islândia 1×2 Croácia

Local: Arena Rostov, em Rostov-on-Don
Árbitro: Antonio Mateu Lahoz (ESP)
Gols: Milan Badelj, aos 8’/2T; Gylfi Sigurdsson, aos 31’/2T; Ivan Perisic, aos 45’/2T
Cartões amarelos: Marko Pjaca, Tin Jedvaj (Croácia); Emil Hallfredsson, Alfred Finnbogason, Birkir Saevarsson (Islândia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Islândia
Hannes Halldórsson, Birkir Saevarsson, Sverrir Ingason, Ragnar Sigurdsson (Björn Sigurdarsson), Hördur Magnússon; Johánn Gudmundsson, Emil Hallfredsson, Aron Gunnarson, Birkir Bjarnason (Arnór Traustason); Gylfi Sigurdsson; Alfred Finnbogason (Albert Gudmundsson). Técnico: Helmir Hallgrímsson.

Croácia
Lovre Kalinic, Tin Jedvaj, Vedran Corluka, Duje Caleta-Car, Josip Pivaric; Milan Badelj, Luka Modric (Filip Bradaric), Mateo Kovacic (Ivan Rakitic); Marko Pjaca (Dejan Lovren), Andrej Kramaric, Ivan Perisic. Técnico: Zlatko Dalic.