Lionel Messi caminha para a sua quarta Copa do Mundo com a Argentina. Do garoto prodígio e ainda reserva em 2006 ao protagonista em 2010 e 2014. A derrota de quatro anos atrás ainda ressoa no coração do camisa 10 argentino, que sonha em, desta vez, conseguir o tão sonhado título. Em entrevista ao programa “La Cornisa”, falou ao jornalista Luis Majul e contou sobre sua ida a Barcelona, as frustrações com a seleção, aposentadoria, mudanças no seu jogo, alimentação e do seu tratamento hormonal, pago pelo clube da Catalunha depois de não conseguir que algum clube da Argentina o fizesse.

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Copa, seleção e frustrações

“Em qualquer parte do mundo estão esperando que a Argentina seja campeã e que eu ganhe. Tento viver o dia a dia e não queimar etapas até junho”, afirmou o jogador. Alguns questionam se esse pode ser a última Copa de Messi. “Se não formos campeões, não nos restará outra opção a não ser nos retirarmos da seleção”, disse.

“É um pouco o que sentimos toda essa geração que vem jogando nos últimos tempos. É o que as pessoas nos fazem sentir. Parece que ter chegado a três finais não nos serviu de nada”. Messi se refere às finais perdida para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, e para o Chile nas Copas América de 2015 e 2016.

Aclamado como um dos melhores do mundo, e um dos melhores da história, Messi revelou no programa que chorou várias vezes pelas derrotas nas finais. “Por estar tão perto, por acreditar que merecíamos e não poder consagrar o sonho de todo um país. Foram golpes duros”. Messi, porém, segue sonhando. “Poder estar nessa final, ganhar e levantar o troféu. É um sonho de sempre e cada vez que chega uma Copa se faz mais forte”.

Aposentadoria e viver em Rosario

Perguntado sobre aposentadoria, Messi riu. “Todos dizem que é muito difícil e não tenho dúvida que será assim. Eu gostaria de fazer tudo que não pude fazer por causa da profissão, ainda não sei se em Barcelona ou Rosario”, afirmou o camisa 10.

Assim como acontece com jogadores brasileiros que vivem muito tempo no exterior, Messi tem dúvidas sobre voltar a morar no país quando encerrar a carreira por causa da falta de segurança. “No futuro penso em voltar a Rosario e aproveitar a minha cidade como não fiz quando era criança, porque me tocou vir para cá, coisa que não me arrependo, mas me preocupa o tempo da insegurança. Que te matem por um relógio, por uma bicicleta, por uma moto… Há assaltos em qualquer lugar do mundo, mas já não poder sair para caminhar porque eles podem te perseguir e roubar, e não só roubar, mas acontecer algo mais, é uma loucura”.

Mudança no seu jogo

Muito se fala sobre uma mudança de Messi em campo, sendo mais um armador do time do que no início de carreira, quando era um jogador mais atacante. “Antes pegava a bola e fazia a minha jogada. Hoje tento fazer jogar o meu time, que a bola passe por mim e não ser tão definidor ou egoísta”, contou Messi. “Sou o primeiro que sei quando jogo bem ou mal. Não passa por gols. É estar bem dentro do campo, ter muita participação, tocar muitas bolas, decidir bem”.

Mudança na alimentação

Era comum ver Messi vomitar em campo. Acontecia com tamanha frequência que torcedores começaram a brincar que depois de vomitar, Messi decidia os jogos. “Não sei o que me gerava isso, mas sim é verdade que tinha de tudo aqui dentro. Eu comi mal durante muitos anos. Com 22 anos, comia chocolate, refrigerante, alfajores… E agora como bem, como peixe, carne, salada, verduras, como de tudo, mas de forma organizada”, contou. Segundo Messi, de vez em quando ele se permite tomar um copo de vinho.

A mudança para Barcelona

“Me adaptei rápido, inclusive meus irmãos, que eram mais velhos e tinham suas coisas na Argentina, decidiram voltar e voltaram. O mesmo aconteceu coma minha irmã menor, que teve dificuldades em se adaptar ao colégio e voltou com a minha mãe. Então ficamos sozinhos, eu e meu pai, e ele me perguntou o que queria fazer. Que se eu quisesse, nos voltaríamos também. E eu, convencido, disse a ele que não. Que já estava aqui e via que a possibilidade era real”, contou Messi.

O tratamento hormonal

“Era uma vez por noite. Comecei com 11 anos. Minha mãe ou meu pai me aplicavam, até que eu aprendi e fui fazendo sozinho. Era uma agulha muito pequena, como uma lapiseira com uma agulhinha e onde se carregava a quantidade que eu tinha que injetar. Não doía e era algo muito rotineiro que tinha que fazer e fazia com normalidade”, revelou o argentino.

Mensagem aos argentinos

“Simplesmente dizer a eles que espero que seja uma grande Copa para nós. Que meu desejo é o mesmo desejo de todos vocês, que possamos viver algo similar a 2014, que foi uma experiência inesquecível e que o resultado seja parecido, mas desta vez levantando a taça”.

Veja mais da entrevista de Messi no programa, colocado no Youtube pela emissora: