Há algumas horas na vida em que você precisa ir para o tudo ou nada. É o jogo da vida, é o jogo da existência, é o maior jogo já pensado nesta e em outras dimensões. A Argentina, liderada por Messi, fez essa partida contra a Holanda – e está se preparando para um novo duelo de todos os tempos contra a Alemanha, no domingo, no Maracanã. Porque essa Copa, afinal, não economiza os superlativos.

O HOMEM INACREDITÁVEL: Segundo os números, Messi é um jogador impossível 

Ao longo do torneio, o argentino que mantém a bola no pé, juntinho, juntinho, como descreveu Pelé, liderou o time nas partidas mais difíceis. Fez o importantíssimo gol contra o Irã nos últimos minutos da partida. Se não tivesse arriscado, talvez o destino da Argentina fosse diferente neste Mundial. Na dura partida contra a Suíça, aguentou a prorrogação até o final, respirou fundo e teve energia para carregar a pelota e entregá-la à Di Maria, que fez o gol da classificação. Contra o Irã, restava um “se”. Contra a Suíça, levaria para a incerteza dos pênaltis.

Messi entendeu que a ousadia faz o craque – a ousadia pensada, treinada. E isso ficou cada vez mais claro nesse torneio. Na medida em que a Copa do Mundo foi afunilando, as promessas de embates espetaculares foram aumentando. Cada jogo era melhor do que o anterior. Os times arriscavam no ataque, na defesa, na estratégia. Infelizmente, a nós só restou os círculos do inferno descritos pelo escritor Dante Alighieri. É duro, mas é do jogo. Só que a tragédia não deve servir para nos congelar.

Diferente do sobrenatural e do literário, o futebol permite que você vá ao inferno num dia e depois ressurja no céu mais adiante. O Brasil se agarra a essa promessa, ao tudo ou nada nos próximos anos, para renascer. A Argentina está vendo a redenção bater à porta – e a Argentina, tal como o Brasil, já experimentou o inferno de perto. Na Copa América de 2004, no Peru, os irmãos do rio da Prata abriram o placar. O Brasil empatou. Faltando 3 minutos para o final, a Argentina fez 2 a 1. O título parecia bater na porta. Mas ai surgiu Adriano, então o Imperador, e empatou a partida nos acréscimos do segundo tempo. O Brasil venceu nos pênaltis e legou um trauma a uma promissora geração argentina.

Neste espírito, a Adidas lançou este vídeo, protagonizado por dois entre os principais jogadores de Brasil e Argentina. Em um clima que mistura sonho, fantasia e realidade, a hospitalidade matreira de Daniel Alves arrebenta a tentativa de Messi de reencarnar Maradona e levar a Argentina ao título que não conquista há 28 anos – e no Brasil. Nesta dimensão, isso jamais acontecerá. Mas, para Messi, o espírito do tudo ou nada segue vivo. Ele ainda pode concretizar um dos seus melhores sonhos. Aos brasileiros, cabe ser testemunhas de uma história que pode ter, ou não, um final feliz para o argentino. Mas é uma história que deixa uma lição: é tudo ou nada.