A CRÔNICA

A Arena das Dunas foi invadida. Suas arquibancadas foram pintadas de verde, branco e vermelho, as cores de El Tri, da bandeira do México. E mais do que marcarem presença, os mexicanos se fizeram sentir. Desde os primeiros minutos, já gritavam “olé”. No decorrer da partida, chiaram muito contra a arbitragem comandada por Wilmar Roldán. Afinal, dois gols legítimos da equipe de Miguel Herrera foram anulados. No fim, porém, puderam cantar o “ai, ai, ai ai, está chegando a hora”. O dia raiou para Camarões. O México viu o sol brilhar em sua estreia no Mundial, por mais que a chuva pesada caísse em Natal: 1 a 0, gol de Oribe Peralta. Garantiu a alegria para uma torcida que já é candidata a uma das melhores dessa Copa.

Era de se prever que o México começasse o jogo no domínio. Por mais que a fase da equipe azteca não seja das melhores, Camarões possui uma equipe pouquíssimo técnica. E o domínio mexicano se deu desde os primeiros minutos. Motivado pelos gritos das arquibancadas, o time de Miguel Herrera dominava a posse de bola e empurrava os africanos contra o seu gol. O problema é que esse controle não se revertia em chances. Do outro lado, muitas jogadas duras dos Leões Indomáveis e um pouco mais de agressividade nas jogadas de ataque, arriscando mais a gol – no principal lance, Eto’o chutou rente à trave de Ochoa, para fora.

Os lamentos do México pelo domínio que não se revertia em gol se personificaram em Giovani dos Santos. O camisa 10 balançou as redes duas vezes. Ambas anuladas, em dois erros do assistente. O primeiro lance foi difícil, embora o atacante estava na mesma linha da defesa camaronesa. Já no segundo, não há desculpas para a marcação errada. Em uma bola que desviou em um adversário, o bandeira interpretou a posição irregular de Gio. Muitas reclamações, com razão, dos comandados de Miguel Herrera.

Torcedores mexicanos (AP Photo/Ricardo Mazalan)

Torcedores mexicanos (AP Photo/Ricardo Mazalan)

Durante o segundo tempo, o jogo ficou mais aberto. A chuva que caia sobre a Arena das Dunas se intensificou, enquanto os dois times passaram a buscar mais o ataque. Camarões ameaçava principalmente pelo lado esquerdo, nas subidas de Benoit Assou-Ekotto. Em compensação, também deixava mais espaços em sua retaguarda para o México atacar. A chave para a vitória de El Tri. Em uma boa jogada individual de Giovani dos Santos, Oribe Peralta anotou o gol decisivo, em um lance de puro oportunismo. Prêmio para a superioridade mexicana até então.

O gol fez com que Camarões partisse para uma postura mais ofensiva, sobretudo a partir dos 30 minutos, quando Pierre Webó entrou no lugar de Alexander Song e passou a reforçar o ataque. Neste momento é que a superioridade técnica do México foi mais perceptível. A equipe de Miguel Herrera passou a se fechar mais no campo de defesa e gastar o tempo quando tomava a bola. Deu certo. Moukandjo até assustou, mas Ochoa salvou. E Chicharito ainda teve chance de ampliar a diferença, perdendo chance incrível nos acréscimos.

A vitória é fundamental ao México. Três pontos valiosos para uma equipe que se classifica para as oitavas de final todos os anos desde a Copa de 1994, e não quer quebrar a sequência desta vez. Pelo que demonstrou nesta sexta, El Tri tem força para brigar com a Croácia pela segunda colocação do Grupo A, considerando o favoritismo do Brasil na chave. Se conseguir encaixar seu jogo e contar com uma boa arbitragem, pode alcançar o seu objetivo.

MÉXICO 1×0 CAMARÕES
México

Guillermo Ochoa; Paul Aguilar, Francisco Rodríguez, Rafael Márquez, Héctor Moreno e Miguel Layún; Héctor Herrera (Carlos Salcido, 44′/2T), José Juan Vázquez e Andrés Guardado (Marco Fabían, 23′/2T); Oribe Peralta (Chicharito Hernández, 27′/2T) e Giovani dos Santos. Técnico: Miguel Herrera

Camarões

Charles Itandje; Cedric Djeugoue (Dany Nounkeu, intervalo), Nicolas N’Koulou, Aurélien Chedjou e Benoît Assou-Ekotto; Stéphane Mbia, Alexandre Song (Pierre Webo, 33′/2T) e Eyong Enoh; Benjamin Moukandjo, Samuel Eto’o e Eric Maxim Choupo-Moting. Técnico: Volker Finke

Local: Arena das Dunas (Natal)
Árbitro: Wilmar Roldán (Equador)
Gols: Oribe Peralta, 15′/2T
Cartões amarelos: Héctor Moreno (México); Dany Nounkeu (Camarões)
Cartões vermelhos: Nenhum
OS GOLS

15’/2T – GOL DO MÉXICO! Arrancada de Giovani dos Santos pela faixa central do campo. O camisa 10 encontra um rombo na defesa e chuta na saída de Itandje, que defende. Oribe Peralta não perdoa no rebote.

O CARA

Giovani dos Santos. O camisa 10 do México nunca chegou ao nível que prometeu quando estourou nas categorias de base. Mas ninguém pode questionar a qualidade do craque do México, que vem de desempenhos muito consistentes no Villarreal. Sua liberdade no ataque foi decisiva para partir em velocidade e criar as melhores oportunidades aztecas. Em uma delas, saiu o gol da vitória. Além disso, demonstrou oportunismo nos dois tentos anulados.

A TÁTICA

Mexico x Camarões

O México entrou em campo escalado no 5-3-2. O sistema beneficiava as subidas pelas laterais de Guardado e Héctor Herrera. Já na frente, a liberdade de Giovani dos Santos era a principal arma. Do outro lado, o 4-3-3 de Camarões só parecia ofensivo no papel, com os pontas recuando bastante e aparecendo pouco no ataque. Eto’o estava isolado demais e não apareceu tanto quanto se esperava.

A ESTATÍSTICA

Um chute no gol

Das 13 finalizações de Camarões, apenas uma foi em direção ao gol de Guillermo Ochoa. Aconteceu já nos acréscimos do segundo tempo, em uma cabeçada de Moukandjo que o goleiro agarrou com firmeza. Os camaroneses finalizaram quatro vezes mais que os mexicanos. A falta de pontaria atrapalhou.