“Sim, claro. Não há maneira de ir a uma competição e pensar que só jogará três ou, no máximo, quatro partidas. Nossas cabeças e mentes estão na final”, essa foi a resposta do atacante Javier “Chicharito” Hernández quando questionado em entrevista para o canal CNN se o México poderia fazer história na Copa do Mundo. Uma declaração que soa despretensiosa, mas demonstra um pouco da dificuldade dos aztecas em dimensionarem o real papel do time no cenário mundial. Afinal, qual a força e quão longe pode ir a Tricolor em terras brasileiras?

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Para situar de forma realista a seleção mexicana é preciso, de início, livrarmos-nos de alguns parâmetros que costumam dificultar essa análise. A imprensa azteca é um deles. Exageradamente otimista nos momentos que antecedem algum grande desafio e demasiadamente apocalíptica após uma série de tropeços e/ou eliminações, tornou-se prejudicial até mesmo para o grupo, que não pode se deixar levar pelo tradicional “oba oba” que emerge de jornalistas, comentaristas e, claro, torcedores.

Os mexicanos (atletas, dirigentes e torcedores) precisam ter consciência de que não são favoritos ao título e entender o lugar que ocupam (que não é pequeno) no segundo escalão das seleções nacionais. O reconhecimento desse fato não é demérito algum, e costuma ser o primeiro passo para que um time passe a brigar para galgar postos maiores e entrar de vez nesse seleto grupo de favoritos.

São muitas as questões que hoje impedem os aztecas de ocupar um lugar no grupo dos mais fortes, que variam desde tradição até histórico frente as seleções de camisa pesada, passando por títulos extracontinentais e, principalmente, grandes craques. E esse último parece ser o ponto principal.

Faltam craques no futebol mexicano. Ou melhor: ainda que a Tricolor conte com bons nomes em todos os setores faltam craques nascidos no país. Há jogadores experientes e seguros, com boas passagens pelo futebol europeu, como Rafa Márquez, “Maza Rodríguez” e Carlos Salcido, jovens com potencial e bom futebol como Reyes, Brizuela, Jiménez e Pulido e até mesmo antigas promessas que não se confirmaram, mas são importantes como espinha dorsal da seleção, categoria de Giovani Dos Santos, Javier “Chicharito” Hernández e Guardado. Mas falta um fora de série, aquele jogador capaz de desequilibrar as partidas a favor nos momentos decisivos.

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Via de regra uma característica indispensável para qualquer grupo que sonhe disputar uma decisão de Copa do Mundo. Com exceção, talvez, de Turquia e Coreia do Sul em 2002, nenhum país disputou sequer uma semifinal de Mundial sem um craque ou, ao menos, um bom punhado de grandes nomes. Um “detalhe” que os mexicanos não têm. Com uma boa dose de sorte, o limite parece ser as quartas de final (justamente a fase alcançada nas melhores campanhas do país), mas apostar na sorte não parece ser a melhor escolha.

Praticamente todos mexicanos veem como um trauma a série de cinco eliminações consecutivas nas oitavas de final, mas analisando os adversários nota-se que nenhuma das derrotas foi para um time de qualidade inferior aos mexicanos. Dois campeões mundiais (Argentina, duas vezes, e Alemanha) e dois países com gerações douradas (Bulgária e EUA) foram os responsáveis por colocar um fim nas pretensões aztecas nas últimas cinco edições de Copa do Mundo.

Para obter um desempenho satisfatório no Brasil, os comandados de Miguel Herrera necessitam, primeiro, dimensionar seu nível atual, superar os adversários menos favoritos e dar início à formação de um grupo capaz de impor dificuldades as maiores seleções quando chegar a hora. Se mirar suas forças unicamente no objetivo de bater os donos da casa na primeira fase, Croácia e Camarões podem significar tropeços inesperados, a exemplo do martírio vivido nas Eliminatórias da Concacaf. Com a vaga, a partir das oitavas os mexicanos podem somar um cruzamento favorável e dar liga a um time que esteja preparado para os maiores desafios.

Antes de tudo, porém, é prudente entender esse desafio e planejá-lo de forma eficiente. Propagar aos quatro cantos que a final é o grande objetivo parece se configurar mais uma jogada “para o público” do que uma meta real. Afinal, a Copa do Mundo é, de fato, um torneio curto e qualquer coisa pode acontecer, mas, diferente do que afirmou “Chicharito”, todas as seleções não têm a mesma possibilidade de ganhar a competição.

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Curtas

Cuba

- Com o título do Campeonato Nacional matematicamente garantido desde a rodada anterior, o Ciego de Ávila fechou a temporada com derrota para o rebaixado Holguín fora de casa. Um revés incapaz de estragar a festa do clube, que alcançou seu quinto título cubano. Mesmo vendo fracassar a busca pelo tetracampeonato consecutivo, o Villa Clara, maior campeão nacional, encerrou a competição na vice-liderança, enquanto Holguín e o tradicional Pinar del Río disputarão o Torneo de Ascenso em 2014/15.

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2 respostas para “O otimismo mexicano em relação à Copa do Mundo parece um enorme exagero”

  1. Adriano Augusto disse:

    Estou chutando que nem pontua.Talvez consigam um empate.
    Desorganizado demais esse time.

  2. Rafa2810 disse:

    Um time que tomou sufoco de Jamaica e Panamá nas eliminatórias não devia mesmo estar tão otimista…

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