Michel Bastos não é um dos melhores em sua posição e não jogou em um clube gigante da Europa. Entretanto, conseguiu fazer seu nome no futebol europeu. Rodou por França, Holanda e Alemanha. E agora tem a chance de um recomeço na Itália. O meia foi o principal contratado da Roma na janela de inverno. Mais do que um reforço para a equipe de Rudi Garcia, o brasileiro recebe uma segunda chance na Europa. Em boa hora para fugir do ostracismo para o qual seguia.

Os últimos meses de Michel Bastos foram vividos no Emirados Árabes Unidos. Tinha uma ótima oportunidade para fazer seu pé de meia com o dinheiro dos xeiques, mas esportivamente se distanciava dos holofotes. Embora siga vinculado ao Al Ain, mostrar serviço com a camisa giallorossa será vital para um último suspiro de sua carreira na Europa.

A ascensão no futebol europeu

Os melhores momentos de Michel Bastos no futebol internacional vieram na França, quando também ganhou a chance de defender a seleção brasileira. As atuações pelo Lyon, que o contratou do Lille (antes, Bastos havia jogado por Feyenoord, Excelsior e Atlético Paranaense), chamaram a atenção de Dunga, que o levou para a Copa do Mundo 2010.

Como Gilberto tinha idade mais avançada, Michel Bastos assumiu a posição de titular e só não jogou os 90 minutos na eliminação diante da Holanda, nas quartas de final. No Lyon, o atleta manteve a titularidade até 2012/13, quando perdeu espaço no elenco.

Uma lesão deixou Michel Bastos por pouco mais de dois meses de molho e ele até teve algumas chances no time principal na primeira metade da temporada, sem agradar. O resto de 2012/13 do brasileiro foi com a camisa do Schalke 04. Mas o time alemão não exerceu a cláusula do contrato, e o Al Ain (Emirados Árabes) decidiu investir no jogador.

Obscuridade

Aos 30 anos, Michel Bastos desembarcou na Ásia por apenas € 4 milhões e teria pela frente um campeonato desconhecido. Com 29 jogos na Liga dos Campeões da Uefa, poderia entender-se que o atleta estava em final de carreira. No maior clube do país, que tem 11 títulos da liga nacional – quatro a mais que o Al Wasl – e é o atual bicampeão, Bastos teve como companheiros mais conhecidos os atacantes ganês Asamoah Gyan e australiano Alex Brosque, que devem estar na Copa do Mundo 2014.

A única relação mais próxima com o Brasil se dava com o técnico uruguaio Jorge Fossati, que treinou o Internacional. Entretanto, com duas semanas no Al Ain, Bastos viu o treinador ser demitido após apenas 49 dias no cargo. Não aceitou mudar o esquema do 3-5-2 para o 4-4-2, como queria a diretoria, em razão dos jogadores já estarem acostumados com a formação.

Mesmo sem vínculos, Michel Bastos fez 12 jogos na UAE Pro League 2013/14, marcando quatro gols e levando um cartão amarelo. Desempenho aquém apenas de Gyan, que atua desde 2011/12 no futebol emiratense e já está acostumado com a cultura nacional – tem 18 gols anotados em 17 jogos, cinco gols à frente do segundo colocado na artilharia geral.

Holofotes de novo?

Certamente, o técnico espanhol Quique Flores, campeão da Liga Europa 2009/10 e da Supercopa Europeia 2010 com o Atlético Madrid, esperava continuar contando com Michel Bastos na liga nacional. O Al Ain faz campanha ruim, sendo apenas o quinto colocado, com 27 pontos em 17 rodadas, 12 atrás do líder Al Ahli, com nove jogos para o fim.

Porém, o brasileiro não poderia negar proposta da Roma, atual segunda colocada no Campeonato Italiano. É claro que a vida de Michel Bastos não está totalmente resolvida, pois o time italiano o contratou por empréstimo (€ 1,1 milhão), podendo exercer o direito de compra ao final da temporada 2013/14, por € 3,5 milhões.

Bastos tem seis meses para mostrar serviço ao técnico Rudi Garcia e ele sabe da importância de um bom trabalho na Itália. Caso falhe, o brasileiro terá de retornar ao exílio nos Emirados Árabes, talvez fechando para sempre a possibilidade de atuar na Europa.

Curtas

- A ida de Michel Bastos para a Roma não ocorreu por acaso. Desde junho no comando do time da capital, o técnico francês Rudi Garcia conhece bastante o brasileiro, com o qual já trabalhou no Lille.

- Com a saída de Michel Bastos, o Al Ain manteve Asamoah Gyan, Alex Brosque, Mirel Radoi e Yassine El Ghanassy. Além do brasileiro, o francês Jirès Ekoko, outro atleta importante, também deixou o Al Ain, indo para o El Jaish (Catar) por empréstimo.

- Vários técnicos brasileiros já comandaram o Al Ain. O pioneiro foi Jair Picerni (1986), seguido de Zé Mário (1988/91) e Amarildo (1991/93). Mais recentemente, o clube dos Emirados Árabes teve Tite (2007/08), Toninho Cerezo (2009/10) e Alexandre Gallo (2010/11), todos com menos de um ano no cargo.

- O Al Ain já ganhou a Liga dos Campeões da Ásia. Foi em 2002/03, ao fazer 2 a 1 sobre o BEC Tero Sasana (Tailândia), em dois jogos. Outra campanha de destaque foi em 2005, com o vice-campeonato diante do Al Ittihad (Arábia Saudita). O Al Ain vai jogar a edição 2014 e está no Grupo C, ao lado do algoz Al Ittihad, do Tractor Sazi (Irã) e do vencedor entre Lekhwiya (Catar) e Al Kuwait.

- A estreia de Michel Bastos com a camisa da Roma ocorreu no último dia 9 de fevereiro, justamente no clássico contra a Lazio. Ele entrou aos 19 minutos do segundo tempo.