As sete derrotas e apenas um empate nas oito primeiras rodadas do Sunderland passaram aos torcedores a mensagem de que era bom eles já se prepararem para disputar a Championship na temporada seguinte. O time não dava esperança de que melhoraria, e com um começo tão ruim era difícil imaginar destino diferente. No entanto, com a demissão de Paolo di Canio e a contratação de Gus Poyet em outubro, e a incrível reação da equipe nesta reta final de Premier League, os Black Cats estão quase garantindo sua permanência na elite. O trabalho do treinador uruguaio e o surgimento de um jovem com estrela neste segundo semestre são os grandes responsáveis pela salvação do ano para o clube.

O polêmico Di Canio demorou para ganhar com o time no início da temporada. O primeiro triunfo veio de forma inesperada contra o arquirrival Newcastle, na nona rodada, mas isso não significou uma mudança na sorte do time. Após 13 jogos, o italiano era demitido, e Gus Poyet, contratado em seu lugar. Como poderia ser previsto, o impacto da chegada do uruguaio a um time tão enfraquecido não foi imediato, mas a equipe  eventualmente começou a tomar forma e se acertar.

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Paralelamente à tentativa de sobrevivência no Inglesão, o Sunderland ia surpreendentemente avançando na Copa da Liga Inglesa e, ao eliminar o Manchester United na semifinal, em pleno Old Trafford, ganhou muito moral para o restante da disputa da liga. Na final, contra o Manchester City, que vivia um de seus melhores momentos na temporada, a equipe passou perto de ficar com o taça, chegando a liderar o placar por 55 minutos. Acabou sucumbindo ao poderio ofensivo dos Citizens, que viraram para 3 a 1, mas isso não tirou dos Black Cats a glória de tal campanha em meio à situação complicada no Campeonato Inglês.

Dois meses antes da final da Copa da Liga, disputada em março, o Sunderland havia dado seu primeiro importante passo para se salvar no ano. Entre a metade de janeiro e o início de fevereiro, uma sequência de quatro jogos sem perder, com três vitórias, incluindo um 3 a 0 sobre o rival Newcastle na casa do adversário, começava a evidenciar os resultados do trabalho de Poyet.

Logo após esse curto período, mais instabilidade para o time, que conseguiu repetir aquela sequência inicial e perder sete jogos e não vencer nenhum em uma série de oito jogos. Poyet já dizia que apenas um milagre salvaria a equipe. Foi então que o improvável aconteceu e uma estrela começou a entrar em cena: Connor Wickham.

"Milagres acontecem, Gus"

“Milagres acontecem, Gus”

O atacante, de apenas 21 anos, já havia participado de outros oito jogos na temporada, mas sem destaque; alguns minutos aqui, outros ali, e nenhum gol. Porém, contra o Manchester City, no Etihad, em jogo atrasado da Premier League, Wickham enfim brilhou. Foram dois gols na conta do garoto, e o empate por 2 a 2 atrapalhava os Citizens na briga pelo título e dava aos Black Cats a sensação de que ainda havia fôlego para se salvar do rebaixamento.

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Depois disso, nessas últimas três rodadas, três vitórias na conta do time de Poyet. A primeira vítima foi o Chelsea, ao qual o Sunderland impôs a primeira derrota no Stamford Bridge sob o comando de José Mourinho no Campeonato Inglês – acabando com uma marca de 77 jogos do português sem perder no estádio londrino. Depois, um 4 a 0 motivador contra o agora rebaixado Cardiff City (além dos galeses, o Fulham também foi rebaixado neste sábado). E, por último, a vitória deste sábado sobre o Manchester United, no Old Trafford.

Em todos esses jogos, desde aquele contra o City até o de hoje contra o United, Wickham foi a estrela maior do conjunto do time. Nas estatísticas, os cinco gols e duas assistências (incluindo a de hoje) em apenas quatro partidas não negam sua importância nessa reação tardia, mas suficiente. Claro que o mérito não vai todo para ele. Outros desempenharam bem seu papel, com destaque para Fabio Borini, por exemplo, mas nada comparado à estrela do garoto inglês. Agora, resta ao Sunderland pontuar contra West Brom e Swansea ou apenas torcer contra o Norwich, que enfrenta simplesmente Chelsea e Arsenal em seus dois últimos jogos. Podemos dizer, sem tanto medo de quebrar a cara, que o trabalho de Poyet e Wickham já está feito, e o milagre, basicamente alcançado.