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Como a Inter e, agora, o Milan ameaçam um patrimônio do futebol mundial

Milan e Internazionale dividem a mesma casa há 67 anos. O estádio construído no bairro de San Siro (só em 1980 foi rebatizado como Giuseppe Meazza, em homenagem ao craque que defendeu os dois gigantes da cidade) e inaugurado em 1926 foi bancado com dinheiro público. Porém, em suas primeiras duas décadas, apenas os milanistas tomaram conta do local. E o palco de tantos jogaços parece estar fadado ao abandono. Após a Inter anunciar os planos de construir um estádio, agora é o Milan quem planeja ter um novo campo nos próximos anos.

O projeto dos rossoneri é encabeçado por Bárbara Berlusconi, empenhada em cuidar do patrimônio do pai. Nos últimos seis meses, a dirigente do clube cuidou dos trâmites sobre o local do novo estádio, a seis quilômetros de San Siro. O terreno atualmente abriga a Fiera Milan e também sediará a Expo 2015. Depois disso, a construção seria iniciada, para que a mudança acontecesse na temporada 2016/17, quando acaba o atual contrato dos clubes pelo San Siro. Até 14 de março, o Milan precisa efetivar suas propostas para novo estádio, que também deverá abrigar outros eventos esportivos e um centro de conferências.

A intenção dos dois clubes em contarem com suas próprias arenas é bastante compreensível. O exemplo maior vem da rival Juventus. O Juventus Stadium tem sido um diferencial para o clube tanto por servir como um caldeirão, atendendo melhor as necessidades do clube do que o demolido Delle Alpi, quanto por aumentar substancialmente as receitas. Os lucros comerciais agora são só dos bianconeri, que antes precisavam pagar pela utilização do estádio à prefeitura  de Turim. Uma visão que acaba atraindo milanistas e interistas.

Com o Milan convicto em suas intenções, as esperanças sobre o uso do San Siro agora se depositam sobre a Inter. Embora haja também o plano de construir um novo estádio, os nerazzurri estão mais abertos a conversar sobre a permanência na velha casa. Entre as condições pedidas pelo clube, estariam a melhora nas vias de acessos e uma grande reforma no estádio, algo que não acontece desde as vésperas da Copa de 1990.

Difícil é imaginar que, caso nenhum dos clubes siga no estádio, o San Siro terá o mesmo destino do Estádi de Sarrià, em Barcelona, que deu lugar a um conjunto residencial. Apesar da possibilidade de se tornar um elefante branco e um grande ônus para a prefeitura de Milão, o local é parte importantíssima da história do futebol. Palco de duas Copas, de três finais de Liga dos Campeões, dono de uma arquitetura inovadora. O mais provável é que San Siro ganhe uma grande casa exclusivamente para shows, habitada também por fantasmas do futebol.