A escolha de Henrique foi o único nome que gerou alguma discussão na convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo. Será o quarto zagueiro de uma lista que tem Thiago Silva e David Luiz, os titulares, e Dante, o reserva. Henrique será o quarto nome, e só entrará se dois dos zagueiros titulares não puderem jogar – por exemplo, um deles se machuca e o outro está suspenso. O maior problema da convocação do Henrique não é o próprio jogador, que foi para o Napoli em janeiro e tem jogado bem. O problema é Miranda, zagueiro do Atlético de Madrid, que tem jogado uma enormidade.

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A convocação de Miranda era muito aguardada não só por jornalistas, mas por torcedores também. Ele é possivelmente o melhor zagueiro da temporada na Europa, sendo um dos pilares defensivos do forte Atlético de Madrid, finalista da Liga dos Campeões. Já tinha mostrado qualidade no São Paulo, anos antes. Sua convocação era um pedido popular, ainda que não para ser titular do time. Afinal, Thiago silva e David Luiz estão entre os melhores do mundo nessa posição, ainda que suas temporadas não tenham sido desse nível. Dante, mesmo sem ter feito uma temporada tão boa pelo Bayern de Munique, é outro que se consolidou no grupo como um zagueiro de qualidade. A discussão, portanto, era para o segundo reserva para a zaga da seleção.

O problema da convocação do Henrique não é a sua qualidade como zagueiro, que ele tem, mas sim o melhor momento dos concorrentes. Não dá para comparar com a situação, por exemplo, de Grafite ou Kléberson na última Copa, que foram SÓ por terem a confiança do técnico, em momentos que estavam mal ou que tiraram o lugar de jogadores com muito mais qualidade. A discussão é apenas por um jogador que será a última opção da zaga, fosse quem fosse o convocado. Henrique vai para a Copa pela confiança do técnico, mas está longe de ser um jogador ruim. Embora o seu último ano no Palmeiras não tenha sido bom – e isso é grave, já que o time disputou a Série B -, ele era um dos jogadores mais importantes do time e a sua saída evidenciou isso no clube alviverde. No Napoli, ganhou espaço por ser versátil e ter muita técnica, chegando a atuar tanto como volante quanto como lateral direito. É uma versatilidade que Felipão valoriza. Mas sabemos que sua convocação foi mais do que isso.

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Henrique é um jogador de confiança e isso foi evidenciado pela curta resposta do treinador sobre a escolha do zagueiro do Napoli: “Por que o Henrique? Porque é um jogador que confio e gosto do seu futebol”. Simples assim. Miranda é melhor que Henrique, Dedé também é. Gil, do Corinthians, tem sido melhor também. Marquinhos, do PSG, ex-Corinthians e Roma, é um zagueiro promissor, mas jogou pouco pelo seu clube e foi pouco testado. Alex, outro do PSG, faz ótima temporada, um dos melhores do campeão francês, já veterano. Qualquer uma dessas opções seria relativamente aceitável, ainda que por motivos diferentes. Henrique é uma opção de segurança para Felipão. Ele sabe que, se precisar mesmo colocá-lo em campo, será alguém que o deixa tranquilo. Ele conhece, sabe como usar suas qualidades. Marquinhos ou Alex não oferecem isso. Gil sequer vestiu a camisa da seleção. Felipão é um técnico conservador, não iria inovar e convocar um novato, ou alguém com quem ele não tenha trabalhado antes, justamente para a Copa do Mundo.

A Placar escreveu sobre a importância de Henrique fora de campo, no vestiário. Henrique é uma liderança, ativo no grupo, se expressa, algo que nem Miranda, nem Dedé seriam. Henrique é um escudo de Felipão, alguém capaz de ser a voz do técnico no vestiário. Vale lembrar que o jogador foi o capitão do Palmeiras em 2011 e 2012. É alguém que pode ajudar o treinador com os outros jogadores, reverberar o seu discurso. É o seu representante entre os jogadores. E considerando que ele é um jogador tecnicamente bom, que não comprometeu quando chamado em serviço na seleção, ele ganha força. Afinal, sabemos que para Felipão, a atuação na seleção é mais importante do que no clube. É a forma como o jogador responde ao seu comando, no seu jogo, no seu grupo.

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O técnico confirmou que a posição que mais deu discussão na comissão técnica para a convocação final foi justamente o quarto zagueiro a ser chamado. E com a indefinição, sem um nome de consenso – ao menos na comissão técnica, porque parece que Miranda tem esse respaldo fora dela  -, o técnico preferiu o que ele já conhece e confia. A sua frase é muito simbólica nesse sentido. “É um jogador que eu confio e gosto do futebol”. Confiança, uma palavra chave. É verdade que só confiança não pode ser o critério. É preciso que haja mérito e, nesse campo, Miranda e Dedé, para ficar nos mais cotados, tinham mais. Só que nenhum deles dá ao técnico a segurança que Henrique dá. Segurança que ele certamente não sentiu em Robinho, por exemplo, ainda que o atacante do Milan tenha correspondido na seleção quando foi chamado. Henrique dificilmente irá comprometer. Aliás, dificilmente entrará em campo, porque raramente o quarto zagueiro da lista é necessário.

Mesmo não sendo o quarto melhor zagueiro brasileiro em atividade, a convocação do ex-palmeirense está bem longe de ser absurda. Se for necessário, ele pode entrar e fazer um bom papel, seja como zagueiro, volante ou lateral. Dá para achar que Miranda é um zagueiro melhor, que Gil tem jogado mais, mas Henrique não é um jogador ruim que vai para a Copa. Não é o mesmo caso de Zé Carlos, por exemplo, em 1998, ou Kléberson em 2010, quando estava muito mal. Henrique é um jogador em boa fase, jogando bom futebol em uma liga onde se exige muitos dos defensores. Não é um jogador em má fase, nem fraco tecnicamente, mesmo que, repito, esteja abaixo de Miranda e Dedé, por exemplo.

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