O estilo de jogo do Bayern de Munique de Pep Guardiola é muito bem definido. O toque de bola tão apregoado pelo técnico se enraizou nos atuais campeões europeus com o passar do tempo. Tanto que, mesmo visitando o Real Madrid de Carlo Ancelotti, que também tem seu apreço pela bola nos pés, o controle do jogo foi todo dos bávaros em pleno Estádio Santiago Bernabéu. Uma posse de bola estéril, diante do plano perfeito traçado pelos merengues. Uma eficiência incorporada melhor do que ninguém por Luka Modric.

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A forma de atuar do Bayern é entediante? Sim, em muitos momentos. Mas não dá para dizer que é o mesmo tiki-taka dos tempos de Barcelona, com Xavi funcionando como um relógio. Guardiola também incorporou algumas características dos tempos de Jupp Heynckes. Pedro ou qualquer outro que vestisse blaugrana não dava a mesma profundidade que Ribéry e Robben. Messi não tem a mesma presença de área de Mandzukic. Por isso mesmo, o Bayern de muito toque de bola também foi de muitos cruzamentos, quarenta no total. Preponderou a solidez defensiva, também tão marcante nos trabalhos de Ancelotti. Duas linhas de marcação quase intransponíveis, perfeitas no jogo pelo alto. Que, quando não fecharam os espaços para os chutes, viram Casillas fazer milagre.

Mas a vitória do Real Madrid não foi construída só pela noite maravilhosa de seus defensores. Também foi por aquele que é o traço principal dos merengues há tanto tempo, potencializado desde a chegada de Cristiano Ronaldo: os contra-ataques. Os espanhóis venceram por 1 a 0, mas poderiam ter feito mais, tanto pela falta de pontaria no primeiro tempo quanto pelas defesas de Neuer no segundo. Facilidade graças à velocidade de seus ponteiros e à qualidade em seus passes em profundidade. E, neste ponto, Modric foi magistral.

Geralmente o croata divide as funções de ser o arco para as flechas do Real com Ángel Di María – que, não à toa, é o líder de assistências entre as cinco principais ligas da Europa. Porém, o argentino ficou mais deslocado nesta quarta, encarregado de fechar as subidas de David Alaba e Franck Ribéry pelo lado direito da defesa, missão que cumpriu com extremo êxito. Centralizado ao lado de Xabi Alonso, Modric era o responsável pela saída rápida, pelos lançamentos que iniciavam os contragolpes. Foi a chave para a vitória dos blancos.

Os passes de Modric e de Kroos no jogo do Bernabéu

Os passes de Modric e de Kroos no jogo do Bernabéu

Modric foi o segundo jogador do Real Madrid que mais acertou passes, menos apenas que Xabi Alonso – outro que brilhou no Bernabéu, ainda que tenha ficado um pouco mais preso na contenção. Deu a bola no pé de seu destinatário 32 das 33 vezes em que tentou passar a bola, sendo sete lançamentos em profundidade. Mais apenas que dois titulares do Bayern, o goleiro Manuel Neuer e o centroavante Mario Mandzukic. Pouco mais de um quarto dos 118 passes que Toni Kroos acertou em campo, o melhor em campo no quesito. Mas a funcionalidade do croata foi bem maior.

Em sua maioria, os passes do Bayern eram para os lados. Sim, muitos lançamentos. No entanto, a maioria deles invertendo o jogo, tentando encontrar brechas no paredão armado pelo Real Madrid. Do outro lado, Modric jogava verticalmente. Para explorar as brechas da adiantada defesa do Bayern, que se desorganizava a medida em que rodava a bola quando a tinha. Modric não teve participação direta nos lances de perigo do Real, sem um passe para finalização sequer. Na jogada do gol de Benzema, por exemplo, a construção da jogada foi de responsabilidade de Cristiano Ronaldo e Fábio Coentrão. Todavia, era com ele que os ataques começavam, na rapidez de pensamento que se reproduzia nos contra-ataques.

O Real Madrid não deve mudar muito o seu padrão de jogo para a partida de volta, em Munique. Deve encontrar um adversário postado da mesma maneira, ainda que tentando intensificar a pressão. Entretanto, também correndo o risco de se expor ainda mais aos contra-ataques. Ao jogo de Modric. Se os bávaros quiserem mesmo o bicampeonato da Liga dos Campeões, já sabem onde precisam redobrar a atenção.