Miklos Fehér havia entrado na partida contra o Vitória de Guimarães no segundo tempo e dado uma assistência para Fernando Aguiar marcar o gol que parecia garantir a vitória para o Benfica, mas naquele dia ninguém sairia vencedor do estádio Afonso Henriques. Perto do fim do jogo, logo após receber um cartão amarelo, Fehér teve um mal súbito e caiu ao gramado inconsciente. Levado ao hospital, teve sua morte anunciada duas horas depois. O dia 25 de janeiro de 2004 ficou marcado negativamente na história do Benfica e do futebol húngaro. Dez anos depois do falecimento do atacante, alguma medidas foram adotadas, mas o futebol ainda não se tornou um esporte completamente seguro quando o assunto é problemas cardíacos.

Após a morte de Fehér, o futebol mundial passou a se preocupar muito mais com as medidas para evitar problemas cardíacos em campo e remediar imediatamente caso acontecesse. O atacante estava em evidência, afinal era atacante de um grande clube europeu e ainda um dos principais nomes da seleção húngara. Além disso, apenas um ano antes o camaronês Marc-Vivien Foé havia falecido da mesma maneira, em uma partida da seleção camaronesa pela Copa das Confederações. O assunto estava mais em alta do que nunca, mas infelizmente foi preciso Miklos Fehér partir para que as medidas fossem adotadas.

Ficou decidido que todos os jogadores atuando em nível profissional ou semi-profissional deveriam passar por exames cardíacos regularmente. Depois disso, tornou-se também obrigatório que todas as partidas em torneios da Fifa e em fases classificatórias tivessem um desfibrilador na beira do campo, pronto para ser usado caso algum atleta necessitasse. O site da Fifa conta que a última vez que um desses equipamentos teve que ser usado foi em setembro do ano passado, durante um jogo classificatório da Copa da Ásia, quando o afegão Farzad Ghulam teve uma breve parada cardíaca, mas foi salvo pelo desfibrilador e iniciou sua recuperação.

Infelizmente, desde a morte de Fehér até hoje, muitos não tiveram a sorte de Ghulam. Apesar das iniciativas da Fifa, mortes dentro de campo ainda acontecem, mesmo que com menos evidência que as de Foé e do húngaro. O último caso mais famoso foi o de Dani Jarque, que faleceu durante treinamento de pré-temporada do Espanyol em 2009. A edição de outubro de 2007 da revista Trivela trouxe um levantamento dos falecimentos no futebol, com a lista sendo complementada em uma matéria no site em agosto do ano passado.

Além do legado das medidas que foram adotadas, Fehér deixou saudade no Benfica. Em sua homenagem, a equipe aposentou a camisa 29 que vestia no mesmo ano de sua morte, e uma estátua foi colocada em uma das portas do Estádio da Luz. Além disso, o caso do húngaro levantou questionamentos, já que se tratava de um atleta jovem, que supostamente deveria ser saudável. Ver que mesmo alguém nas condições de Fehér não estava imune foi importante para a conscientização dos perigos da prática do esporte sem um bom acompanhamento médico. Como os casos posteriores mostraram, essa conscientização não chegou ao nível que precisa ter, mas esperamos que não sejam precisos outros Fehérs para que isso aconteça.