Que o início do Napoli na Liga dos Campeões não tenha sido tão bom, os celestes começaram voando na Serie A. O time de Maurizio Sarri, ao lado da Juventus e da Internazionale, segue com 100% de aproveitamento. E graças ao apetite de gols que regeu a equipe nestas primeiras quatro rodadas, aparece na liderança do campeonato. Os napolitanos dispararam neste domingo graças à goleada por 6 a 0 sobre o novato Benevento, dentro do Estádio San Paolo. Noite que serviu para ressaltar a fase esplendorosa de Dries Mertens, autor de uma tripleta, mas também a importância de Jorginho na engrenagem dos partenopei.

Motor do Napoli ao lado de Allan e Marek Hamsik, Jorginho beirou a perfeição nesta rodada. O camisa 8 foi acionado 180 vezes na partida. Deu nada menos que 170 passes, com 94% de acerto. Fez o time orbitar ao seu redor, por mais que seu trabalho se concentre em carregar o piano, sem criar tantas ocasiões de gol para o seus companheiros. Segue entre os melhores passadores das grandes ligas europeias, com uma eficiência respeitável. Por isso mesmo, desfruta de tamanha confiança de Sarri, embora tenha passado por (vários) momentos ruins durante a última temporada.

A dominância de Jorginho se comprova por uma estatística curiosa, levantada pelo jornalista Sergio Chesi, através dos dados da Opta. Desde que as estatística sobre o número de bolas recebidas começaram a ser computadas na Serie A, o catarinense ocupa nove posições no Top 10. Apenas Pirlo quebra a sequência, ocupando a última posição, em um jogo contra o Verona em 2014. De resto, só dá o napolitano. Os 180 toques contra o Benevento valeram o quarto lugar do ranking. Por duas vezes o camisa 8 superou os 200 toques, com o recorde de 218, registrado contra o próprio Verona – o clube no qual se projetou – em 2015. Na ocasião, os celestes venceram os gialloblù por 2 a 0.

O estilo de jogo do Napoli depende bastante da fluidez em seu meio-campo. É o ritmo imposto pelo trio central que determina a preponderância com a posse de bola e a velocidade para aproveitar a qualidade dos homens mais à frente. E as virtudes de Jorginho em cadenciar os passes dos celestes é fundamental. Não quer dizer que o catarinense faça sempre o melhor possível, por vezes pecando pela burocracia e também perdendo a bola quando não poderia. Os créditos são grandes, ainda que venha se ausentando de alguns jogos importantes nos últimos tempos – especialmente na Liga dos Campeões, preterido por um jogador mais intenso como Amadou Diawara. Contra o Shakhtar, o jovem guineense foi o escolhido. Só não contribuiu muito para o sucesso dos partenopei.

O ponto para Jorginho é se provar mais vezes nos jogos grandes, demonstrando que consegue ser tão cirúrgico quanto contra os pequenos. O Napoli sabe que pode ser mais forte em um dia inspirado de seu camisa 8. E o talento do volante regendo os companheiros é inegável. Aquilo que pode auxiliar os napolitanos a darem um passo a mais além do “quase”, ao qual estão presos nas últimas temporadas.