O paradoxo: José Mourinho conseguiu dois excelentes resultados em duas partidas decisivas no espaço de uma semana e está sendo criticado sem parar. Empatou com o Atlético de Madrid fora de casa, no jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões, e venceu o Liverpool, em Anfield, no confronto direto pelo título do Campeonato Inglês. O problema é que a crítica especializada e muitos torcedores não gostaram das táticas que ele usou para praticamente arrancar esses placares.

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Os dois times gostam de ter campo para contra-atacar. Têm atacantes rápidos e letais. Por outro lado, o sistema ofensivo do Chelsea precisa de tantos ajustes quanto o motor de um Chevette 1983. Permitir que os jogos ficassem abertos, fluídos, lindos, seria apostar quase todas as fichas da temporada com um par de oito na mão. Mourinho diminuiu os ricos. Minimizou a influência do acaso. Estacionou o ônibus – a imprensa inglesa adorou essa metáfora – e esperou o erro do adversário para eventualmente ganhar. O Atlético de Madrid não errou. O Liverpool, sim. Afinal, qual é exatamente o problema? Para o português, o excesso de filósofos comentando futebol.

“Neste momento, o futebol está cheio de filósofos. Pessoas que entendem muito mais do que eu. Pessoas com teorias fantásticas e cheia de filosofias. É incrível. Mas a realidade é sempre a realidade. Um time que não defende bem não tem muitas chances de vencer. Um time que não marca muitos gols, se conceder muitos gols, está com problemas. Um time sem equilíbrio não é um time.

“Se o seu oponente é muito rápido no contra-ataque e quer espaço atrás da sua linha defensiva, se você ceder esse espaço, você é estúpido. Eu me lembro da minha primeira passagem por aqui. Se você tem um goleiro como Petr Cech que coloca a bola na área adversária, e um atacante como Didier Drogba, que ganha todas pelo alto, por que jogar curto? Por que você é estúpido?

“Quando um time joga estrategicamente e o treinador pensa no time dele e nas qualidades do adversário, há 10 anos, 20 anos, 30 anos, era um bom time, um time inteligente. No momento, dependendo do treinador e do clube, obviamente, os críticos falam.”

Mourinho rebateu as críticas nesse estilo meio estúpido, para usar um termo que ele parece gostar, mas não deixa de ter razão. Pode ser chato assistir a esse tipo de jogo para o público geral, mas o torcedor do Chelsea – no frigir dos ovos, para quem o português trabalha – prefere terminar a temporada com os títulos da Liga dos Campeões e do Campeonato Inglês ou apenas com uma coleção de partidas movimentadas e emocionantes?

Quando consegue, Mourinho tenta conciliar as duas coisas. No Porto e no seu primeiro Chelsea, atuava com três atacantes. Na Inter de Milão, também. O seu Real Madrid teve o melhor ataque da história do Campeonato Espanhol com 121 gols. O português não é “retranqueiro, defensivista, anti-futebol”, mas sabe ser tudo isso se for necessário. Embora às vezes seja hipócrita ao criticar um adversário que faz a mesma coisa, Mourinho é simplesmente um treinador que não tem vergonha de se defender.

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