José Mourinho nunca foi de fazer muitos amigos. As provocações do português quase sempre são levadas a sério pelos rivais e acabam em bate-bocas. Em sua primeira passagem pelo Chelsea, um dos inimigos ferrenhos que o técnico fez foi Arsène Wenger. Dois treinadores de ponta, que se detestavam e não faziam muita questão de esconder isso. Coincidência ou não, foi pouco depois da chegada de Mou que o Arsenal passou a viver seu jejum de títulos. E, em nove partidas contra o Special One, Wenger nunca o venceu.

Em outubro, os dois treinadores já tinham se reencontrado pela Copa da Liga Inglesa. Mas em um jogo para o qual não davam tanta bola. Agora é para valer: a vitória no Estádio Emirates pode deixar Arsenal ou Chelsea na liderança da Premier League. Motivo suficiente para que a dupla volte a se xingar? Pelo menos nesse início, não. Nos últimos dias, ambos fizeram questão de manter a cordialidade ao serem alfinetados pela imprensa sobre o assunto.

“Não é uma batalha pessoal. Seria exatamente o mesmo se eu jogasse contra qualquer outra equipe, porque o importante para nós é vencer”, declarou Wenger. “Não sou eu contra Wenger, é o Chelsea contra o Arsenal. E não tem influência se ele nunca me venceu, o recorde não entra em campo”, reforçou Mourinho. Por enquanto, dá para acreditar na política de boa vizinhança entre o francês e o português. Só não dá para esquecer as clássicas trocas de farpas entre os dois técnicos.

Os cinco momentos quentes da rivalidade entre Mourinho e Wenger

Em 2005, Wenger, sobre as táticas de Mourinho: “Eu sei que vivemos em um mundo onde só há vencedores e perdedores, mas a partir do momento em que o esporte encoraja equipes que se recusam a tomar iniciativa, o esporte está em perigo”.

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Meses depois, Mourinho se irritou com as reclamações de Wenger sobre os gastos do Chelsea no mercado: “Eu acho que ele é um voyeur. Ele gosta de observar outras pessoas. Há alguns caras que, quando estão em casa, ficam com um grande telescópio para ver o que acontece nas outras famílias. Ele fala, fala e fala”.

Wenger respondeu: “Ele está fora de controle, desconectado com a realidade e sem respeito. Quando pessoas estúpidas têm sucesso, isso os torna mais estúpidos às vezes”.

E Mourinho rebateu outra vez: “Em Stamford Bridge, temos um arquivo de citações de Wenger sobre o Chelsea nos últimos 12 meses. Não é um arquivo de cinco páginas. É de 120, por isso temos uma reação tão forte”.

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Antes da final da Copa da Liga de 2007, contra o Chelsea, Wenger analisou: “Se você quisesse comparar cada técnico, daria o mesmo tanto de recursos e diria: ‘Você tem isso para cinco anos’. E depois desse tempo você veria quem fez mais”.

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Em 2008, depois que Mourinho já tinha saído do Chelsea: “Os ingleses adoram estatísticas. Será que eles sabem que Wenger tem apenas 50% de vitórias na Premier League?”

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Em 2010, após Wenger lamentar os cartões amarelos forçados por Xabi Alonso e Sergio Ramos na Liga dos Campeões, Mourinho respondeu: “Ao invés de falar sobre o Real Madrid, Wenger deveria falar sobre o Arsenal e explicar como ele perdeu para um estreante na Champions, o Braga. A história sobre garotos no time está ficando velha. Fàbregas, Nasri, Van Persie, Arshavin, Sagna, Clichy, Walcott não são mais crianças. São todos grandes jogadores”.

Bônus: quando Mourinho e Wenger fizeram parte da turma do ‘deixa disso’, na final da Copa da Liga de 2007