Já se disse incontáveis vezes o quanto a opinião sobre a atuação de um jogador pode mudar, dependendo do que ele faz durante os 90 minutos. Nesta sexta, o atacante Wout Weghorst pôde experimentar isso, defendendo o AZ contra o Sparta Rotterdam, na partida que abriu a quinta rodada do Campeonato Holandês. No início do jogo, Weghorst perdeu um pênalti – ou dois, dependendo do ponto de vista. Poderia ter sido o vilão de um tropeço do time de Alkmaar. Que nada: ele mesmo marcou os dois gols da vitória por 2 a 0, que manteve a equipe nas primeiras posições da tabela da Eredivisie.

A montanha-russa começou aos 22 minutos do primeiro tempo, quando o árbitro Siemen Mulder apitou pênalti para o AZ. Mais confiável atacante da equipe, Weghorst se apresentou prontamente para a cobrança. Bateu no canto esquerdo, mas o goleiro Roy Kortsmit, do Sparta, acertou e espalmou a bola para fora. Veio a óbvia comemoração, mas ela durou apenas alguns segundos para Kortsmit e seus colegas: julgando que o guarda-metas se adiantara (com certa justiça), um dos auxiliares de linha ordenou que a cobrança voltasse. As reclamações foram grandes, Kortsmit até cartão amarelo levou, mas não adiantou. Weghorst voltou à marca da cal para a segunda chance, tentou de novo… e Kortsmit apareceu de novo, espalmando para fora, no canto oposto ao do primeiro penal.

Após o jogo, Weghorst comentou o que sentiu após os pênaltis perdidos, à FOX Sports holandesa: “Cresceu algo em mim, um pensamento do tipo ‘não posso sair de campo sem marcar hoje’”. Pois bem: o camisa 9 do AZ cumpriu a tarefa. E nem demorou tanto assim. Já aos 34 minutos, ainda na etapa inicial – 12 minutos após perder os dois pênaltis -, Weghorst abriu o placar, completando escanteio com um chute no contrapé de Kortsmit. Para melhorar ainda mais, o próprio atacante faria o segundo gol para confirmar a vitória dos visitantes de Alkmaar, já no segundo tempo: aos 19 minutos, arrematou a triangulação com um chute rasteiro, que passou por baixo de Kortsmit.

Assim, Weghorst pôde sair de campo comemorando os seis gols já marcados em cinco jogos, que o tornaram momentaneamente artilheiro da Eredivisie. E pôde comentar o infortúnio do primeiro tempo com um sorriso no rosto: “Os pênaltis perdidos foram a única mancha na minha atuação. No segundo pênalti, eu queria inicialmente escolher o mesmo canto [em que bati o primeiro]. Além do mais, não bati bem. Pênaltis precisam ser convertidos”. Felizmente para ele, as palavras finais foram positivas: “Eu evoluí, mentalmente”. E se serviu de consolo para Kortsmit, até ele pôde se gabar das duas cobranças defendidas: “Eu defendi os quatro últimos pênaltis batidos contra mim no campeonato, então já se consegue uma fama em cima disso”.