Nem só de grandes craques vive o futebol mundial. Jogadores consagrados formam uma minoria, quase insignificante diante o batalhão de jovens atletas que buscam o brilho dos holofotes.

Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, palco dos sonhos de todo e qualquer jogador, atletas de países menos badalados, ou emergentes no futebol, caso de seis seleções que irão debutar na Alemanha, estarão ao lado de grandes estrelas mundiais como Ronaldinho Gaúcho, Zidane, Beckham e muitos outros.

De vez em quando, a renovação no futebol não espera o momento ‘certo’ para acontecer. Aquela idéia de que um jogador precisa envelhecer para que outro talento possa despontar, apesar de poética, não condiz com o panorama atual. Basta dar uma olhada nos países que ocupam as vagas africanas para disputar a Copa da Alemanha. Dentre os cinco classificados, somente os tunisianos já participaram de outros Mundiais. Togo, Angola, Costa do Marfim e Gana (vale ressaltar que os Black Stars já venceram a Copa da África em quatro ocasiões) terão a primeira oportunidade de preencher o espaço que, em um passado recente, pertencia a Camarões e Nigéria. Ou seja, jogadores talentosos e badalados como Eto’o, Wome, Martins, Okocha e Yakubu vão ter de assistir a Copa pela televisão.

Nada é por acaso

Engana-se quem atribui a sorte o momento atual vivido pelo futebol de Gana. O país colhe os louros do vice-campeonato conquistado no Mundial Sub-20 de 2001. Na ocasião, os ganenses, liderados por Essien e alguns outros jogadores da atual geração dos Black Stars, inclusive Sulley Ali Muntari, eliminaram o Brasil de Adriano, Kaká e Júlio Baptista e só perderam a final para os argentinos, que jogavam em casa.

De olho nele

Por falar em debutantes na Copa da Alemanha, eis que estamos diante da bola da vez – Muntari, volante da Udinese. Com apenas 21 anos, ele é, ao lado de Michel Essien (contratação mais cara do Chelsea para a atual temporada) e Stephen Appiah, atualmente no Fenerbahçe, peça-chave no meio de campo da seleção ganense. Comanda pelo sérvio-montenegrino Ratomir Dujkovic, a seleção de Gana sofreu apenas quatro gols em 10 jogos nas eliminatórias.

Se por um lado Muntari impressiona pela força física, como boa parte dos jogadores africanos, o jovem ganense se destaca pela desenvoltura no meio-campo. De acordo com o seu atual treinador na Udinese, Serse Cosmi, o atleta apóia e defende com a mesma qualidade. Habilidoso com a perna esquerda, Muntari é o típico jogador que dá equilíbrio ao meio-campo: boa técnica para armar jogadas ofensivas e um fôlego inesgotável para proteger a zaga.

Sua curta trajetória evolui a passos largos. Ele já é titular absoluto da Udinese, tanto no Italiano quanto na Liga dos Campeões. Sua carreira está no rumo certo, e o passo seguinte pode ser uma transferência para algum gigante do futebol europeu, principalmente após a disputa da Copa. Os boatos começaram cedo. Ainda no início da atual temporada, o jovem teve seu nome ligado a clubes como Juventus e Manchester United. Sua transferência é uma questão de tempo.