Que Alejandro Sabella teria dificuldades para formar uma defesa confiável na seleção argentina, isso ele deveria saber desde que assumiu o cargo. Que também teria problemas com os seus goleiros, o treinador também estava ciente. Afinal, o histórico da Albiceleste é desfavorável, e de maneira bem clara, na posição. O espetacular Ubaldo Fillol e Sergio Goycochea (que não era excepcional, mas foi um monstro em 1990) são os únicos que se tornaram unanimidades em Copas do Mundo. Já na contramão, até Amadeo Carrizo, que é considerado por muitos como o maior camisa 1 argentino da história, foi queimado em um Mundial. E, como se não bastasse o talento questionável de seus arqueiros, Sabella ainda perde mais alguns cabelos com suas fases, ainda mais desfavoráveis.

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O titular da Argentina é Sergio Romero. Que esquenta o banco no Monaco e nesta quarta afundou o único sonho de título dos alvirrubros. Falhou na derrota por 3 a 1 para o modesto Guingamp, que eliminou o clube do principado nas semifinais da Copa da França. Seu reserva é Mariano Andújar, até melhor tecnicamente que o titular, mas que também vem comendo poeira com o Catania, candidatíssimo ao rebaixamento na Itália. A terceira opção é Agustín Orión, longe de ser o mais adorado pelos torcedores, e que ainda não vive os melhores momentos do Boca Juniors – errou no Superclássico contra o River Plate e também agrediu um companheiro nos vestiários, o que deve selar sua saída dos xeneizes em junho.
Nem pelo que testou no último ano Sabella tem tantas esperanças. Contra a Itália, em agosto, foi chamado Óscar Ustari, que consegue ficar no banco de Vito Mannone no Sunderland, o lanterna da Premier League. A solução será apostar mesmo em seus homens de confiança, de que os treinos para o Mundial do Brasil possam garantir uma boa sequência quando a bola começar a rolar. Ou fazer uma aposta de última hora – o que não seria tanta loucura assim.

Durante muito tempo, Willy Caballero foi cotado como um convocável da Argentina. O goleiro vivia excelente fase com o Málaga na temporada passada, era experiente e seguro. Nos últimos meses, a situação mudou bastante, com a campanha modesta dos boquerones depois que o dinheiro secou. Não é culpa exatamente do arqueiro, embora seus créditos também tenham diminuído. Já no próprio Campeonato Argentino, pintam alguns outros candidatos. Marcelo Barovero e Nahuel Guzmán possuem seus valores, mas também não parecem tão confiáveis assim para uma chance de supetão. Diferentemente de Agustín Marchesín.

O goleiro do Lanús é, hoje, o melhor de sua posição no país. Vive uma fase fantástica com o Granate, importante para o sucesso do clube nos últimos tempos. E com uma sequência de jogo que nem os intocáveis da seleção têm exibido. Se fase é importante em um torneio como a Copa, ela precisa ser ainda mais considerada para os goleiros, uma posição que depende bastante da prática. E o alto nível de Marchesín, somado à idade para disputar ainda mais uns dois Mundiais (o arqueiro tem 26 anos), poderia ser uma aposta de última hora de Sabella. A não ser que Orión seja fundamental fora de campo, para o equilíbrio do grupo, é uma troca para não se pensar duas vezes.

É bom frisar que dificilmente Romero vai perder o lugar no time titular. Até porque na última chance de justificar seu lugar, no sofrível amistoso contra a Romênia, o camisa 1 se saiu muito bem. Mas isso não impede Sabella de fazer uma mudança de última hora entre os três que vêm ao Brasil. Se a situação é ruim, esperar por um novo Goycochea (que surja ‘do nada’ para levar a Albiceleste longe, como foi após a lesão de Nestor Pumpido em 1990) não seria das piores opções aos argentinos. Marchesín talvez seja esse cara.

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