O Mainz 05 conquistou uma vitória essencial nesta segunda-feira, no fechamento da rodada da Bundesliga. Em confronto direto contra o Freiburg, os alvirrubros bateram os visitantes por 2 a 0 na Opel Arena e deixaram a antepenúltima posição na tabela – ocupada agora justamente pelos oponentes da noite. E o resultado teve participação decisiva do VAR, de uma forma bastante peculiar. No último lance do primeiro tempo, aconteceu um pênalti, confirmado através do vídeo apenas depois que o árbitro havia apitado o intervalo. Após a conferência na tela, Guido Winkmann mandou que os jogadores voltassem dos vestiários, para que a cobrança fosse efetuada.

O lance foi um tanto quanto claro, em jogada na qual Marc-Oliver Kempf estava com o braço esticado dentro da área. A bola bateu no defensor e ainda ricocheteou no goleiro Alexander Schwolow, antes de ser neutralizada. No entanto, nem o árbitro e nem o assistente viram o pênalti para o Mainz. Winkmann apitou o final do primeiro tempo, pegou a bola e seguia normalmente aos vestiários, quando a central que controla o VAR na Bundesliga o avisou sobre o entrave, através do sistema de comunicação. No momento em que o juiz sinalizou que reveria o lance, os jogadores do Freiburg se retiraram aos vestiários, enquanto os do Mainz aguardaram na lateral.

Winkmann analisou a jogada e, de fato, concordou que houve uma penalidade. Mandou os jogadores retornassem para que a cobrança acontecesse. O técnico visitante, Christian Streich, tentou resistir e o goleiro Schwolow foi quem mais demorou, enquanto Winkmann explicava aos atletas do Freiburg a sua decisão. Após seis minutos e meio de intervalo entre a infração e a cobrança, Pablo de Blasis converteu o chute. Só então os elencos seguiram para os vestiários. Kempf, responsável pelo toque de mão, sequer retornou para o segundo tempo da partida.

A etapa complementar contou com outro imbróglio: em protesto contra os jogos da Bundesliga às segundas-feiras, os torcedores do Mainz atiraram rolos de papel higiênico em campo, provocando um atraso de dez minutos no reinício da partida. Quando a bola rolou, o próprio De Blasis tratou de fechar a conta para os anfitriões, aproveitando um erro bisonho de Schwolow.

A vitória deixa o Mainz com 30 pontos, igualado a Freiburg e Wolfsburg. Apenas o saldo de gols separa os times, mas com vantagem relativamente ampla para os alviverdes e os alvirrubros. Em 14°, o Wolfsburg tem saldo de -7; uma posição abaixo, o Mainz soma -15; já o Freiburg, na zona de repescagem contra o terceiro colocado da segundona, aparece com -24. Hamburgo, com 22 pontos, e Colônia, com 21, tendem a cair diretamente.

Segundo a revista Kicker, apesar de estranha, a decisão ocorrida na Opel Arena foi correta e tem base no regulamento da International Board. Segundo a determinação da entidade, após o fim do primeiro ou do segundo tempo, o assistente de vídeo pode intervir em uma decisão, desde que o árbitro não tenha deixado o campo. Foi o que aconteceu em Mainz. Pouco importava se os jogadores já estivessem nos vestiários. Como Winkmann permaneceu no gramado, ele poderia agir daquela maneira. Conforme a análise, o problema maior esteve na comunicação interna entre o assistente de vídeo e o árbitro principal, que demorou a acontecer.

“Há cenas que ninguém quer ver, porque não ajudam muito a promover o sistema, embora levem à decisão correta. Naquele momento, não foi possível agir de maneira diferente, até por causa das vaias que dificultavam a comunicação. O importante é o aprendizado”, declarou Lutz Michael Fröhlich, que lidera o projeto do VAR na Alemanha, em entrevista à Eurosport. Diretor esportivo do Freiburg, Jochen Saier também comentou o episódio, mas evitou polêmicas maiores: “Pensamos que o tempo tinha acabado quando o apito soou. Não foi o caso e temos que aceitar esta decisão de coração aberto. As coisas estão ficando estranhas”. A discussão prevalecerá, apesar da escolha correta ao final.