Turim recebeu nesta segunda-feira a “decisão da Copa do Mundo que não acontecerá”. O confronto entre as duas seleções mais tradicionais que se frustraram nas Eliminatórias e não estarão na Rússia em 2018. Itália e Holanda entraram em campo no Estádio Allianz não para reclamar do passado, e sim para olhar ao futuro, mostrando quais seus predicados para retomar a relevância e estar de volta ao cenário internacional já na Euro 2020. Acabaram empatadas ao longo dos 90 minutos, com o 1 a 1 prevalecendo no placar. O time de Roberto Mancini foi melhor durante boa parte da noite e fazia por merecer a vitória parcial, mas ficou com um homem a menos e permitiu que Ronald Koeman respondesse. De qualquer maneira, os indícios são melhores aos italianos.

Mancini veio com alterações em relação à escalação que sofreu contra a França na semana passada. Foi um time completamente novo, no qual apenas Jorginho se manteve como esteio no meio-campo. Entre os destaques, a linha de frente composta por Andrea Belotti, Simone Verdi e Lorenzo Insigne. Já a Holanda, que vinha de um empate com a Eslováquia, entrou com aquela que tende a ser a base principal nos próximos anos. Ronald Koeman confiou em nomes como Virgil van Dijk, Daley Blind, Georginio Wijnaldum e Memphis Depay.

O primeiro tempo foi todo da Itália. Os azzurri demonstravam boa mobilidade no ataque e dominaram a partida desde o início. Comemoraram um gol logo cedo, mas a festa de Belotti foi interrompida quando o árbitro assinalou impedimento. Houve momentos em que a partida ficou mais travada. Ainda assim, a iniciativa era toda dos italianos, que davam a impressão de que o tento seria questão de tempo, sobretudo nos minutos anteriores ao intervalo. Jasper Cillessen salvou um arremate de Belotti, pouco antes de parar Verdi. Além disso, Ruud Vormer chegou a afastar uma bola em cima da linha. Se os azuis já se portavam de maneira mais incisiva, com Insigne chamando a responsabilidade, a Holanda sofria com problemas recorrentes, em especial a lentidão em seu meio.

O segundo tempo começou mais equilibrado. A Holanda também partia para cima, puxada por Depay, e passou a rondar a meta de Mattia Perin. As substituições passaram a acontecer e trouxeram novas caras ao jogo. Foi quando a Itália cresceu novamente, para abrir o placar. Federico Chiesa entrou botando fogo na partida e seria dele a jogada para Simone Zaza, outro substituto, estufar as redes. O garoto arrancou pelo lado direito e cruzou na medida para o centroavante, que se esticou todo para completar, em chute prensado por Van Dijk. Placar aberto aos 22, mas que não deu tranquilidade aos azzurri. Afinal, dois minutos depois, Domenico Criscito segurou Ryan Babel na entrada da área e, impedindo uma chance clara, recebeu o cartão vermelho direto.

Com um jogador a mais, o duelo pendeu à Holanda. A Oranje se mandou ao ataque, pressionando muito mais, e Koeman passou a rechear sua equipe com atacantes. Quem brilhou foi o goleiro Perin, com defesas fundamentais para evitar o empate. Enquanto isso, do outro lado, Chiesa incomodava e só não anotou em contragolpe porque Cillessen salvou novamente. A persistência dos holandeses, por fim, seria premiada aos 43. Bola levantada na área por  Steven Berghuis, para que Nathan Aké cabeceasse firme, deixando tudo igual. Os laranjas ainda insistiriam na virada, mas não haveria tempo para isso.

Por mais que o empate seja condizente ao que aconteceu na partida, o futuro soa diferente a italianos e holandeses. A Itália agora aparenta contar com um técnico realmente preparado para trazer ideias ao time, o que se viu nesta segunda, por mais dificuldades que os azzurri tenham encarado contra a França. Além disso, as opções são relativamente numerosas, especialmente entre os jovens. Chiesa sai como o grande destaque desta Data Fifa. Já a Holanda precisa lidar com limitações maiores. Koeman não tem um grupo tão inspirador, até por lidar com o adeus de veteranos importantes no setor ofensivo. Falta dar mais ímpeto ao ataque, a uma equipe que nem se protegendo consegue se livrar dos apuros. O caminho será mais longo à Oranje.