O Stade de France é um estádio relativamente novo, mas pode ser incluído como um daqueles palcos que todo jogador sonha em atuar. Como não querer brilhar no gramado que consagrou Zinedine Zidane em seu maior título, que guardou a gloriosa história de Portugal na Eurocopa, que eternizou timaços de Real Madrid (2000) e Barcelona (2006) em finais de Liga dos Campeões? Les Herbiers teve esta honra. E que não tenha conquistado a Copa da França, viveu uma noite acima das expectativas, ao segurar o Paris Saint-Germain na modesta derrota por 2 a 0. Menos de uma semana depois que o capitão da equipe levantou a taça ao lado de Thiago Silva, porém, veio um baque daqueles. Os nanicos terminaram rebaixados à quarta divisão do Campeonato Francês nesta sexta.

Estar na terceirona já era demais a Les Herbiers. A equipe que saiu da sétima para a terceira divisão em 25 anos desfrutava de seu auge. Desde 2015 no Championnat National, tinha ficado satisfeita com a permanência nas últimas edições. A epopeia na Copa da França, todavia, se combinou com um risco tremendo de voltar aos níveis amadores da liga, com o rebaixamento à quarta divisão. Les Herbiers oscilou demais ao longo da campanha. E nesta rodada final, quando dependia apenas de si para permanecer, sucumbiu na visita ao Béziers.

Tudo deu errado aos rubro-negros. A começar dentro de campo, onde a equipe terminou goleada por 4 a 1 – em resultado que deu o acesso direto ao Béziers, superando o Grenoble na tabela e se juntando ao Red Star Paris rumo à Ligue 2. Já boa parte dos concorrentes contra o descenso ganharam ou empataram. O adversário direto pelo último posto no Z-3 foi o Cholet, que empatou com Créteil. Os dois times somaram os mesmos 39 pontos. Só que nos critérios de desempate, pior para Les Herbiers, em desvantagem no confronto direto com os concorrentes. Juntou-se ao próprio Créteil e ao Marseille Consolat, que haviam consumado a queda à quarta divisão nas rodadas anteriores.

O equilíbrio foi uma das marcas na temporada do Championnat National. Só que Les Herbiers vacilou principalmente pelos longos períodos de seca, que custaram pontos decisivos. Nas últimas sete rodadas, por exemplo, após uma breve recuperação, foram apenas duas vitórias aos rubro-negros. Oscilações que tornam a queda compreensível, a despeito do sucesso da Copa da França. E a sequência do elenco para o próximo ano será um problema. Além da diminuição de receitas, não é de se duvidar que alguns dos destaques recebam propostas, mesmo de outros times das divisões de acesso. Personagens da epopeia, como o goleiro Matthieu Pichot, só ficam na agremiação se quiserem. O que torna o caminho de volta mais longo os nanicos.

A repercussão gerada pela Copa da França, ao menos, abre novas possibilidades a Les Herbiers. O próprio PSG usou suas redes sociais desejando maior sorte na sequência do trabalho, após a queda. Pela noção de irmandade surgida entre as duas instituições, seria bacana se os parisienses olhassem um pouco mais aos nanicos, quem sabe emprestando alguns jogadores de suas categorias de base. É uma pena que uma história tão fascinante sofra uma quebra tão abrupta desta maneira. Nem todo conto de fadas possui um final feliz.