Time de emoções à flor da pele que é, o Atlético de Madrid valoriza ainda mais aquelas vitórias nascidas na base da vontade e da superação. Por isso mesmo, os três pontos conquistados no Wanda Metropolitano neste domingo são tão celebrados. Os colchoneros não apenas derrotaram o Valencia, seu principal perseguidor no Campeonato Espanhol, e diminuíram a distância em relação ao Barcelona. Conseguiram isso lidando com problemas delicados ao longo dos 90 minutos, especialmente pelas lesões sofridas por seus dois zagueiros. Durante o segundo tempo, Ángel Correa descobriu o caminho do ouro, com um chute estrondoso que finalmente superou Neto e decretou o triunfo por 1 a 0, em partida bastante física.

Contando com o retorno de Diego Costa, compondo dupla de ataque com Antoine Griezmann, Diego Simeone apostou em uma formação relativamente ofensiva, com Correa e Yannick Ferreira Carrasco nas pontas. Não à toa, os colchoneros mandaram no primeiro tempo. Tinham ligeiro domínio na posse de bola, mas conseguiam ser bem mais agressivos com ela, se impondo no campo de ataque. Faltava encontrar o caminho para vencer a forte marcação do Valencia, enquanto os anfitriões giravam a bola e cruzavam a esmo. E quando os rojiblancos acharam os espaços, Neto salvou. Muito bem nas saídas do gol, o brasileiro fez duas defesaças na etapa inicial. Primeiro, em um chute de longe de Saúl Ñíguez. Pouco tempo depois, seria a vez de Diego Costa cabecear à queima-roupa, mas ele voou para operar o milagre. E o Atlético ainda lamentou a saída de Stefan Savic aos 29, lesionado.

Logo no início do segundo tempo, Simeone precisou substituir o esteio de sua defesa. Em uma bola levantada na área, Diego Godín se chocou casualmente com Neto e levou a pior. O uruguaio bateu o rosto no ombro do goleiro, perdendo “alguns dentes”, segundo a informação inicial. As imagens não deixam dúvidas que o estrago foi grande, com a boca do veterano totalmente ensaguentada. Sem condições de seguir em frente, saiu para a entrada emergencial de Juanfran, que mudava a configuração da linha defensiva totalmente – Lucas Hernández foi para o miolo, ao lado de José María Giménez, e Sime Vrsaljko inverteu à lateral esquerda.

O Valencia começava a controlar mais o jogo, mas o Atleti seguia arriscando mais. E o gol dos colchoneros veio por méritos totais de Ángel Correa. O argentino dominou passe de Koke e, com liberdade na entrada da área, mandou um míssil. Chutou a bola entre Neto e a trave, na gaveta. Mesmo em noite inspirada, o brasileiro não conseguiu salvar. O gol dava uma vantagem pertinente aos rojiblancos, que se resguardaram mais. Ferreira Carrasco saiu para que Gabi fechasse o meio. E a reação dos Ches não teve força suficiente, mesmo com as entradas de Carlos Soler e Rodrigo Moreno. Jan Oblak se manteve tranquilo sob as traves, sem grandes intervenções.

O resultado tem um impacto direto na parte de cima do Campeonato Espanhol. O Atlético de Madrid mantém sua tranquilidade na segunda colocação. Acumula 49 pontos, nove a menos que o Barcelona, mas também nove a mais que o Valencia. Já os Ches permanecem em terceiro, mas em uma zona um tanto quanto perigosa. Um ponto atrás, o Real Madrid tem um jogo a menos. Enquanto isso, o Villarreal aproveita a sequência ruim dos vizinhos, sem vencer a três rodadas, e está a apenas três pontos de distância. Se é difícil imaginar que o Barça deixe a taça escapar, o mesmo pode se dizer sobre o Atleti quanto à segunda colocação.