A decisão do Campeonato Mineiro contou com um grande jogo, mais do que o placar possa indicar. Obviamente, foi uma tarde de superioridade do Atlético Mineiro, com a vitória por 3 a 1 construída de maneira repentina no final do primeiro tempo. No entanto, além dos dez minutos sufocantes do Galo, ocorreram outros 80 em bom nível. A partida no Estádio Independência teve todos os elementos de um grande clássico decisivo. Ofensividade dos times, vontade, pegada – ainda que isto tenha descambado a uma confusão no final. E se a contagem não foi maior, méritos aos ídolos das torcidas. Victor e Fábio colecionaram milagres ao longo do confronto.

Foi um jogo aberto desde o início, em que o Atlético se dava melhor em sua estratégia defensiva. Os alvinegros marcavam muito bem e conseguiam sair mais ao ataque, mas sem tanta precisão nas conclusões. Contudo, quem trabalhou mais durante a primeira etapa foi Victor, em dois chutes fortes que o veterano conseguiu espalmar. Fábio, enquanto isso, sofria com o perigo constante proporcionado pelos cruzamentos de Otero. Não fosse o goleiro, o atleticano tinha marcado um tento olímpico.

Todavia, melhor na volta da parada técnica, o Atlético tornou mortais suas bolas paradas. Foram três gols a partir dos 36 minutos, em três levantamentos de Otero – um em cobrança de falta e outros dois em escanteios. Ricardo Oliveira conferiu dois, enquanto Adílson se antecipou para também marcar o dele. Dá até para se discutir se Fábio não poderia ter feito melhor no segundo, especialmente, com seus problemas costumeiros para cortar cruzamentos. Mas não se nega a competência do Galo nos lances ensaiados – sobretudo, a qualidade do venezuelano para bater na bola.

No segundo tempo, como era de se esperar, o Cruzeiro tomou mais a iniciativa. Mas não que o Atlético se escondesse, ainda procurando o quarto gol. E nisso, os dois goleiros sobraram. Fábio apareceu primeiro, se esticando para salvar um arremate de Luan e depois outro de Tomás Andrade. Então, Victor faria uma intervenção estupenda, em cabeçada à queima-roupa de Sassá. De Arrascaeta descontou pouco depois, sem culpa do arqueiro atleticano. Já no finalzinho, mais uma defesaça de Fábio, em tiro cruzado de Otero.

Apesar do melhor momento recente do Cruzeiro, o Atlético Mineiro conseguiu construir uma boa vantagem. De qualquer maneira, não deixa de ser um cenário aberto para o reencontro na próxima semana. E por tudo o que aconteceu no Independência, as expectativas sobem consideravelmente. Um grande jogo além do que o placar pode dizer em si.