As fases iniciais da Copa do Rei costumam ter pouco significado. Em jogos de ida e volta, as chances de uma zebra são quase nulas. Enquanto isso, os gigantes espanhóis costumam fazer atuações apenas protocolares contra os nanicos. Foi assim nesta quinta, quando o Real Madrid visitou o Fuenlabrada, da terceira divisão. Os Kirikos estavam empolgados com o primeiro confronto, aumentando até mesmo a capacidade do Estádio Fernando Torres (que homenageia justamente El Niño, filho ilustre da cidade) com arquibancadas removíveis. O problema é que os reservas merengues não estavam tão animados assim. Depois de boas defesas do goleiro Jordi Codina, a vitória por 2 a 0 aconteceu no segundo tempo, graças a dois pênaltis, convertidos por Marco Asensio e Lucas Vázquez. E, apesar da baixa relevância do jogo, um símbolo do madridismo ainda reluziu no braço de Nacho Fernández.

Pela primeira vez em sua carreira profissional, Nacho iniciou um jogo como capitão do Real Madrid. Era a escolha óbvia no “expressinho”, cheio de canteranos ou de jogadores contratados recentemente pelos merengues. O defensor se sobressaía justamente por seu tempo envergando a camisa branca: são 16 anos de clube, desde sua chegada às categorias de base, em 2001. Poucos nos corredores do Bernabéu sabem tão bem o valor da braçadeira quanto o espanhol de 27 anos.

Além da dedicação, a oportunidade também premia o amadurecimento de Nacho ao longo das últimas temporadas. O defensor desfrutou da confiança dentro do clube, sem sequer sair por empréstimo desde que foi efetivado no elenco principal. De qualquer maneira, precisou esperar até se afirmar. Foram anos sem grande sequência de jogos até começar a ganhar minutos em campo a partir de 2013. Já o grande responsável pela consolidação do camisa 6 foi Zinedine Zidane. Com o treinador, o prata da casa se tornou uma espécie de 12° jogador da equipe, se desdobrando em 2016/17.

O empenho de Nacho também conta muito para o Real Madrid. Pode não ser um jogador espetacular, mas sempre cumpre o seu trabalho – e, por isso, conquista tanto respeito entre os torcedores. É leal, sólido na marcação, versátil. Não reclama de sua incumbência, atuando em qualquer posição da defesa. Diante das carências dos merengues no setor, especialmente por conta das lesões sofridas ao longo dos últimos meses, o camisa 6 preencheu diferentes lacunas. Permitiu que a equipe fosse tão consistente no Espanhol e na Champions, culminando na dobradinha que não acontecia desde 1957.

Há quem veja Nacho como um potencial capitão do Real Madrid. Sergio Ramos, Marcelo e Cristiano Ronaldo estão à sua frente na hierarquia, mas não seria surpreendente se o defensor “furasse a fila” de outros jogadores com mais tempo no elenco principal do que ele. Sua representatividade como canterano conta bastante. Talvez este jogo pouco interessante contra o Fuenlabrada tenha marcado o início de uma grande história.