Germany Soccer Champions League

Não foi o Bayern avassalador que sempre se espera, mas a classificação não foi problema

Não foi com a supremacia que se esperava, mas o Bayern de Munique está nas quartas de final da Liga dos Campeões. Depois de colocarem o Arsenal  no bolsoem Londres, o time de Pep Guardiola foi melhor no reencontro na Allianz Arena. Só esteve longe de ser tão efetivo, contra um adversário consciente de suas limitações e das dificuldades que teria para buscar a classificação. O empate por 1 a 1 ficou de bom tamanho diante do que os dois times fizeram em campo, ainda que a solidez defensiva dos Gunners tenha afastado as chances de vitória dos bávaros – satisfeitos na simples tarefa de cozinhar o duelo graças à vitória por 2 a 0 na ida.

No papel, pelo menos, Arsène Wenger escalou um Arsenal ofensivo. Alex Oxlade-Chamberlain era um volante, para acelerar a saída de bola dos visitantes. Mas não foi isso que se viu durante o amarrado primeiro tempo em Munique. O Bayern fazia o seu jogo, tocando a bola insistentemente em torno da área adversária, especialmente pelo lado direito, com vários cruzamentos afastados. Para controlar melhor o jogo, Guardiola optou pelo 4-2-3-1, com Thiago Alcântara e Bastian Schweinsteiger distribuindo os passes na cabeça de área. Enquanto isso, os Gunners se defendiam com todo empenho. Formavam uma muralha intransponível, que contava com dez jogadores – só Giroud isolado na frente – durante a maior parte do tempo. De fazer inveja à mentalidade defensiva de Mourinho que o técnico francês tanto gosta de criticar. E, quando os defensores deram brechas para Javi Martínez, o bandeira anulou o gol por impedimento.

Porém, se era perfeito na defesa, dando pouquíssimos espaços para os bávaros finalizarem, o Arsenal era inoperante no ataque. Era um jogo para Mesut Özil. Para se investir na visão de jogo do armador para explorar os contragolpes às costas da defesa alemã. Esperança inútil. O jogador mais caro da história dos londrinos pouco apareceu e os visitantes erravam passes em excesso. À exceção de uma bola parada em que Giroud cabeceou, Manuel Neuer pouco trabalhou. Quem mais brilhava era Oxlade-Chamberlain, abrindo espaço nos dribles, mas sem continuidade de seus companheiros para os passes.

Lesionado, Özil nem voltou para o jogo durante o segundo tempo, substituído por Tomas Rosicky. E a ocasião pedia uma postura mais ofensiva dos Gunners, o que aconteceu. Mas havia a consequência: Robben e Ribéry passariam a ter mais espaços para botar a correria para cima da defesa inglesa. Em uma jogada do francês, nasceu o gol que abriu o placar da partida, com Schweinsteiger aparecendo sozinho na área para emendar às redes. A sorte do Arsenal é que o empate foi praticamente imediato. Podolski roubou a bola de Lahm e não perdoou.

A situação do jogo se inverteu na meia hora final do duelo. Era o Arsenal quem tentava trabalhar no ataque, ainda que sem dar o mesmo sufoco. Enquanto isso, o Bayern procurava aquele gol que matasse de vez a partida. Mandzukic poderia até ter marcado, ao receber livre na grande área um passe de Thiago, mas dominou errado e deu tempo para Fabianski salvar. Já os visitantes tentavam acelerar em torno da área de Neuer, especialmente depois que Serge Gnabry entrou e Santi Cazorla foi deslocado para a cabeça de área, mas a defesa anfitriã mantinha o goleiro tranquilo. Nos acréscimos, Thomas Müller até teve a chance de fechar a conta, mas viu Fabianski fazer milagre para evitar o gol de pênalti. O empate foi mais justo, ainda que insuficiente ao Arsenal.

Como era de se esperar, o Bayern avança. Mas com uma atuação abaixo da crítica, ainda mais por tudo que havia feito no Emirates. Depois de um primeiro tempo massacrante, o time de Pep Guardiola não demonstrou eficácia para matar uma partida que tinha nas mãos. De qualquer forma, essa falha não custou caro – e não anula nada o favoritismo rumo ao bicampeonato europeu. Já o Arsenal, apesar da decepção óbvia da eliminação, ganha força em outras frentes. Sem se preocupar com a Champions, os Gunners podem se concentrar na Copa da Inglaterra e na Premier League. A temporada que se apontava tenebrosa para Wenger tem chances de marcar justamente a quebra do jejum vivido por seu time.

bayern arsenal

Destaque do jogo

Alex Oxlade-Chamberlain. Em uma improvisação de Wenger que se sugeria arriscada, apesar de não ser totalmente nova, o garoto se saiu muito bem como volante. Empenhou-se na proteção da área e era o principal encarregado pela saída de bola em velocidade. Pena que os companheiros não ajudaram. Saiu no fim, por desgaste físico.

Momento chave

A cabeçada de Giroud, aos 30 minutos do primeiro tempo. Em um momento no qual o Bayern pressionava, um gol do Arsenal poderia tirar o ímpeto dos anfitriões. E também impulsionar o time rumo aos dois tentos de vantagem que precisava. Contudo, Neuer apareceu muito bem colocado e sequer deu rebote.

Os gols

10’/2T – GOL DO BAYERN! Ribéry é lançado na ponta esquerda, limpa a marcação e rola para Schweinsteiger, livre de marcação na marca do pênalti. O camisa 31 tem tempo para dominar e tirar do alcance Fabianski.

12’/2T – GOL DO ARSENAL! Na entrada da área, Podolski rouba a bola de Lahm. O lateral reclama de um empurrão, mas o árbitro deixa o jogo seguir e o atacante dos Gunners enche o pé para fuzilar Neuer.

Curiosidade

O Bayern perdeu cinco de seus últimos oito pênaltis cobrados na Liga dos Campeões. É bom melhorar a mira com o avançar dos mata-matas.

Ficha técnica

BAYERN DE MUNIQUE 1×1 ARSENAL

Bayern de Munique
Manuel Neuer, Philipp Lahm, Javi Martínez, Dante e David Alaba; Thiago Alcântara e Bastian Schweinsteiger; Arjen Robben (Thomas Müller, 40’/2T), Mario Götze (Toni Kroos, 14’/2T) e Franck Ribéry; Mario Mandzukic. Técnico: Pep Guardiola.

Arsenal
Lukasz Fabianski, Bacary Sagna, Per Mertesacker, Laurent Koscielny e Thomas Vermaelen; Mikel Arteta (Serge Gnabry, 32’/2T) e Alex Oxlade-Chamberlain (Mathieu Flamini, 39’/2T); Santi Cazorla, Mesut Özil (Tomas Rosicky, intervalo) e Lukas Podolski; Olivier Giroud. Técnico: Arsène Wenger.

Local: Allianz Arena, em Munique (ALE)
Árbitro: Svein Moen (NOR)
Gols: Bastian Schweinsteiger, 10′/2T; Lukas Podolski, 12′/2T
Cartões amarelos: Dante e Javi Martínez (Bayern); Thomas Vermaelen, Mikel Arteta e Santi Cazorla (Arsenal)
Cartões vermelhos: Nenhum