Germany Soccer Champions League

Não há monotonia do Bayern ou retranca adversária que resista a Robben e Ribéry

O Bayern de Munique é o adversário a ser batido nesta Liga dos Campeões. Compreensível, diante da forma como foi campeão na última temporada, assim como por tudo o que tem feito nos últimos meses. E, sendo um time cujo toque de bola é a principal característica, é bom se acostumar com os ferrolhos. Foi assim nesta quarta-feira, na Allianz Arena, contra o Manchester United. Durante uma hora os Red Devils beiraram a perfeição na defesa. Mais do que isso, deram um grande susto nos alemães, ao saírem em vantagem no placar no começo do segundo tempo.

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Entretanto, Pep Guardiola tem seu diferencial para desarmar as retrancas. Se em seus tempos de Barcelona, o técnico dependia basicamente de Messi, no Bayern são dois os protagonistas. Logicamente, sem a mesma qualidade do craque, mas ainda assim talentos especiais, com capacidade de fazer as defesas ruírem por pequenas brechas pelas pontas. Arjen Robben e Franck Ribéry se provaram mais uma vez como principais condutores dos bávaros ao bicampeonato continental. Acalmaram a situação e possibilitaram a virada: 3 a 1 no placar, o suficiente para o Bayern depois do empate por 1 a 1 em Old Trafford.

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Para a partida, o Bayern tinha um desfalque sensível, que era a ausência de Schweinsteiger, expulso no jogo de ida. E a aposta de Guardiola foi em um meio-campo bem mais ofensivo, com Thomas Müller e Mario Götze alinhados com Arjen Robben e Franck Ribéry, além de Toni Kroos ditando o ritmo na cabeça de área. Enquanto isso, Phillip Lahm e David Alaba eram praticamente volantes, soltos para atacar pelas laterais. Já David Moyes armou o United pronto para os contragolpes. Com duas linhas de quatro jogadores, só Danny Welbeck ficava solto no ataque, para tentar um gol valioso aos ingleses.

Como era previsível, o domínio de bola era do Bayern. O toque de bola dos bávaros prevalecia, mas o United se compunha muito bem na defesa, sem dar espaços. Robben era quem mais ameaçava, em seus tradicionais cortes em diagonal. Contudo, os ingleses eram pontuais na hora de travar os chutes. Tanto é que, em todo o primeiro tempo, das 13 finalizações dos anfitriões, cinco foram bloqueadas pelos adversários e David De Gea não precisou fazer uma mísera defesa.

Todavia, a forma como as duas equipes se portavam atrapalhava o espetáculo. Afinal, os planos do Manchester United eram pouco eficazes. O time abusava dos lançamentos em profundidade, facilmente anulados por Jérôme Boateng e Dante. Foram só dois lances de real perigo: no primeiro, Wayne Rooney demorou demais para chutar e deu tempo para que a defesa se recuperasse; pouco depois, Antonio Valencia chegou até a balançar as redes, mas o assistente marcou impedimento – inexistente por causa do pé de Boateng, na mesma linha, mas dificílimo de marcar.

O início do segundo tempo fez bem ao United. A equipe de David Moyes pareceu mais solta nos primeiros minutos, atacando principalmente na ponta direita, com Valencia, insistindo nos cruzamentos. O aviso do que os ingleses viriam a fazer aconteceu em um chute de longe de Kagawa, que exigiu a primeira defesa de Neuer no jogo. Pouco depois, o goleiro não pôde fazer nada. Evra acertou um petardo no ângulo, impossível de ser defendido. Era o milagre que os Red Devils tanto almejavam?

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Não, não era. Porque dois minutos depois o Bayern já conseguiu o empate, com Mario Mandzukic. E foi a partir de então que Franck Ribéry começou a jogar. O cruzamento do empate tinha saído de seus pés, e deles também se originou o segundo gol, em uma bola cruzada por Robben para Thomas Müller. David Moyes ainda sugeriu que mandaria seu time para o ataque nos 15 minutos finais, ao colocar Chicharito Hernández no lugar de Darren Fletcher. Mas, instantes depois, Robben matou o jogo. Depois disso, os Red Devils até tentaram os dois gols que precisavam, mas longe da intensidade que a ocasião exigia.

O Bayern chega a sua quarta semifinal de Liga dos Campeões nas últimas cinco temporadas, sonhando também com sua quarta final. Porém, o sofrimento excessivo contra o Manchester United deixa algumas dúvidas: como o time se portará contra uma defesa mais sólida, como a do Chelsea ou a do Atlético de Madrid; ou contra um ataque veloz como o do Real Madrid? Cena para os próximos capítulos. E que a resposta favorável aos bávaros passará pelos pés de Robben e Ribéry.

Formações iniciais

Bayern x United

Destaque do jogo

Arjen Robben. Uma senhora partida do holandês, que parece gostar dos jogos contra o Manchester United na Liga dos Campeões. Foi a principal arma ofensiva do Bayern, marcando o gol da vitória e dando a assistência para a virada no placar. Das 25 finalizações do time, seis saíram dos seus pés, enquanto deu passes para outros quatro arremates dos companheiros. Ribéry, com quatro chutes e sete passes para finalização, também destoou.

Momento chave

O gol de empate do Bayern. Conseguir se recuperar do golaço de Evra tão rapidamente foi a chave para que o desespero não batesse na Allianz Arena. E aí é que pesa o talento do craque, Ribéry, que resolveu a partida para os alemães.

Os gols

12’/2T – GOL DO MANCHESTER UNITED! Valencia inverte a bola e encontra Evra livre na entrada da área. O lateral enche o pé e acerta o ângulo, sem chance de reação para Neuer.

14’/2T – GOL DO BAYERN! Não deu nem tempo de comemorar. Ribéry avança pela ponta, corta Phil Jones e cruza. Mandzukic se antecipa a Evra e cabeceia para o gol.

23’/2T – GOL DO BAYERN! Ótima jogada de Ribéry pela esquerda, que inverte para Robben. O holandês cruza rasteiro, Vidic bobeia e Thomas Müller escora para as redes.

30’/2T – GOL DO BAYERN! A velha jogada de Robben. Dominou na direita, partiu em diagonal e chutou de canhota, rasteiro. A bola desviou em Vidic e saiu do alcance de De Gea.

Curiosidade

Amarelão? Robben chegou ao seu 22º segundo gol na Liga dos Campeões. Destes, 13 aconteceram nos mata-matas.

Ficha técnica

BAYERN DE MUNIQUE 3×1 MANCHESTER UNITED

Bayern de Munique
Manuel Neuer, Phillip Lahm, Jérôme Boateng, Dante e David Alaba; Toni Kroos; Franck Ribéry, Thomas Müller (Claudio Pizarro, 39’/2T), Mario Götze (Rafinha, 19’/2T) e Arjen Robben; Mario Mandzukic. Técnico: Pep Guardiola.

Manchester United
David De Gea, Phil Jones, Chris Smalling, Nemanja Vidic e Patrice Evra; Antonio Valencia, Michael Carrick, Darren Fletcher (Chicharito Hernández, 29’/2T) e Shinji Kagawa; Wayne Rooney e Danny Welbeck (Adnan Januzaj, 36’/2T). Técnico: David Moyes.

Local: Allianz Arena, em Munique (ALE)
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Patrice Evra, 12’/2T; Mario Mandzukic, 14’/2T; Thomas Müller, 23’/2T; Arjen Robben, 30’/2T.
Cartões amarelos: Rafinha (Bayern de Munique); Patrice Evra (Manchester United).
Cartões vermelhos: Nenhum