Você pode não gostar do jeitão de Ibrahimovic. Mas não dá para negar: o sueco é um baita personagem. Além de jogar muita bola, o craque também reúne um punhado de histórias interessantes. Sabia que o futebol livrou a Suécia de um bandido que lutava taekwondo? E que a habilidade que demonstra em campo tem como espelho a seleção brasileira, que aprendeu a admirar na Copa de 1994? Listamos cinco fatos legais sobre o atacante. Mais alguns motivos para reforçar a nossa campanha “Naturaliza, Ibra!”.

- A inspiração de seu futebol é brasileira

Ibrahimovic tinha apenas 12 anos quando assistiu à Copa de 1994. A Suécia fez uma campanha histórica, acabando com o terceiro lugar. Motivo para se sentir orgulhoso do país? Que nada. Seus olhos eram de outra seleção amarela, o Brasil. “Eu nunca via a Suécia. Eu amava o Brasil porque eles tinham algo diferente. Eles tocavam a bola de maneira diferente, como em um campo de hóquei. Aquilo era mágico, totalmente diferente do que eu tinha visto antes”, comentou em entrevista à BBC. O jogador que mais admirava, entretanto, só explodiu pouco depois: Ronaldo, colado até na parede do quarto do sueco em um pôster – um fanatismo provado no vídeo abaixo.

- Seu maior ídolo no esporte é Muhammad Ali

A influência das artes marciais sobre Ibra são óbvias. Os anos de prática de taekwondo na adolescência são percebidos em cada lance acrobático – e, por isso mesmo, acabou ganhando uma faixa preta honorária de sua antiga academia, em Malmö. Seu grande exemplo como esportista, no entanto, praticava outro tipo de luta: o boxe. “Ele é um dos meus modelos, um dos meus ídolos no esporte e fora dele também. Ele acreditava nos próprios princípios e nunca os abandonava”, afirmou o sueco. “Meu pai sempre me mostrava as coisas de Muhammad Ali e ele se tornou um espelho para mim. Parecia um cara louco, falava muito, mas fazia também em cima do ringue. Você pode ser arrogante, mas também tem que fazer. Tem muita gente que se diz o melhor, mas não mostra isso. Mas Ali mostrava”. Já no ano passado, o atacante disse que Ali era o maior esportista da história – e ele mesmo vinha logo atrás, claro.

- Mesmo com tantos clubes, ainda poderia ter jogado pelo Arsenal

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Ibrahimovic é o único jogador a ter marcado gols por seis clubes na Liga dos Campeões. E também foi campeão nacional por todos eles: Ajax, Juventus, Inter, Barcelona, Milan e PSG. Não à toa, também é o jogador que mais movimentou dinheiro na história com suas transferências, um total de € 169,1 milhões. E seu currículo poderia ser mais extenso, não fosse um desvio do destino. Quando ainda estava no Malmö, o prodígio chamou a atenção de Arsène Wenger. O problema é que o treinador queria levá-lo para alguns testes no Arsenal, algo que nem ele e nem o clube sueco aceitaram. Pouco tempo depois, chegou ao Ajax.

- Uma ilha inteira na Suécia é só sua

Um dos maiores hobbies de Ibra é a caça. E, em 2012, o craque resolveu adquirir seu próprio pedaço de terra para praticar. O atacante comprou a ilha de Davensö, de 500 hectares, localizada a apenas uma hora de viagem de Estocolmo. O craque teria desembolsado cerca de € 3 milhões pela posse do terreno. E o gosto pela caça foi até mesmo reforçado nesta semana, com Ibrahimovic estrelando uma campanha publicitária da Volvo.

- O futebol transformou sua realidade de ‘delinquente juvenil’

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A infância de Ibrahimovic em Malmö não foi fácil. Filho de um pai bósnio e de uma mãe croata, o garoto cresceu em um gueto (como ele mesmo gosta de definir), povoada por imigrantes africanos, asiáticos e da periferia europeia. Separada desde que Ibra tinha dois anos, sua mãe precisava trabalhar muito para sustentar seus filhos, enfrentando uma rotina de até 14 horas fazendo faxinas. Jurka dava uma educação dura para que seu garoto, tentando corrigir suas atitudes na base das pancadas com uma colher de pau. O que não evitou que Ibrahimovic desandasse por algum tempo.

Segundo sua própria biografia, o sueco roubou carros, lojas de bairro, uniformes dos colegas de clube. Roubou até mesmo a bicicleta de um carteiro, com todas as correspondências de brinde. Os pequenos crimes foram percebidos pelo serviço de assistência social, que o obrigaram a viver com seu pai, alcoólatra. A partir de então, o adolescente teve que aprender a conviver com a fome. Nessa época, frequentava a escola apenas por causa da merenda. Não tinha disciplina nas aulas e, por isso, os professores pensavam que colava pelas boas notas em matemática.

O que evitou a marginalidade de Ibrahimovic? A qualidade com a bola nos pés. Certa vez, roubou a bicicleta de seu treinador. Ao invés de expulsá-lo do time, ele riu da história e preferiu dar uma nova chance ao garoto. Em outra ocasião, Ibra deu uma cabeçada em um colega de time. Os pais dos outros meninos fizeram um abaixo-assinado para que fosse expulso, o que não aconteceu de novo graças ao técnico. Aos 17, ele fazia sua estreia profissional pelo Malmö.