Não há ausência mais dolorida em Copas do Mundo do que perder o craque de uma seleção já classificada. A falta de quem não se classificou nas Eliminatórias é superável, compreensível por aquilo que é determinado dentro das quatro linhas. Porém, a lacuna deixada por aquele que deveria estar lá, mas não estava, é eternamente lembrada como um lamento. São vários os casos na história dos Mundiais. Que podem ser reforçados em 2014 por Radamel Falcao García, caso ele não se recupere a tempo de compor a seleção colombiana.

A solução para o problema? Bom, nossa sugestão você já conhece: “Naturaliza, Ibra!”. Nossa brincadeira para que o craque sueco ganhasse uma colher de chá da Fifa e se tornasse um ‘Viking Cafetero’ ganhou o mundo. Foi repercutida em vários países, por diferentes veículos de imprensa. Na última semana, fizemos uma série de especiais para reforçar a campanha. E que ganha o último capítulo hoje, com uma revisão histórica.

E se os grandes craques ausentes das Copas pudessem ser substituídos? Abaixo, relembramos cinco casos e damos as sugestões. Na maioria deles, a lesão foi a grande vilã. Em outros, entretanto, a decisão pessoal e até a morte serviram de barreira. E quão legal seria ver Di Stéfano na Copa de 1950? Eusébio tendo a chance de brilhar em mais um Mundial, em 1962? Weah ganhando a chance que nunca teve, em 1998? Obviamente, assim como no exemplo de Ibra e Falcao, nem sempre a regra de naturalização era seguida à risca, mas isso seria problema da Fifa.  Viaje conosco:

Copa de 1950: Os craques da Argentina na seleção italiana

A Azzurra veio ao Brasil em 1950 muito aquém de sua força máxima. Um ano antes, o desastre aéreo de Superga matou 18 jogadores do Torino, então tetracampeão da Serie A e base da seleção italiana. Entre as vítimas, estava Valentino Mazzola, grande craque de sua geração. Para o lugar de tantos notáveis, seria justo dar espaço à ótima geração da Argentina, que desistiu do Mundial porque quis – preterida como sede pela Fifa e em conflito com a CBD. Uma pena para a Albiceleste, que contava com uma das melhores gerações de sua história, montada em cima de ‘La Máquina’ do River Plate, que chegou a jogar uma partida na Itália em tributo aos mortos. No ataque millonario, o mítico quinteto formado por Reyes, Moreno, Di Stéfano, Labruna e Loustau.

Copa de 1962: Eusébio no lugar de Kubala

Alfredo di Stefano e Laszlo Kubala

László Kubala defendeu três seleções, mas nunca teve o gosto de disputar uma Copa do Mundo. Eleito pelos próprios torcedores como o maior jogador da história do Barcelona, o húngaro esteve mais próximo do Mundial em 1962, já aos 35 anos. Entretanto, o atacante acabou cortado às vésperas do torneio, lesionado. Enquanto isso, Eusébio vivia o auge do Benfica bicampeão europeu, mas parou nas Eliminatórias com a seleção portuguesa, superada pela Inglaterra. O Pantera Negra também poderia resolver outro problema, com Alfredo Di Stéfano, que foi convocado e nem saiu do banco, também por causa de uma contusão.

Copa de 1978: Keegan no lugar de Cruyff

Não foram as condições físicas que tiraram Johan Cruyff da Copa do Mundo de 1978, mas sim o posicionamento político. O craque holandês não concordava em disputar um torneio sustentado pela ditadura da Argentina. O lugar do camisa 14 poderia ser ocupado por Kevin Keegan, que vivia fase esplendorosa pelo Hamburgo, mas que caiu com a Inglaterra nas Eliminatórias diante do cruzamento ante a Itália. Mesmo sem disputar o Mundial, o atacante inglês conquistou a Bola de Ouro em 1978, repetindo o prêmio também no ano seguinte.

Copa de 1994: Cantona no lugar de Van Basten

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Van Basten tinha apenas 30 anos em 1994. Um nome praticamente certo para defender a Holanda nos Estados Unidos, mas que foi impedido pelas implacáveis lesões no tornozelo, que abreviaram sua carreira um ano antes. Depois de várias cirurgias, o craque sequer entrou em campo em 1993/94 pelo Milan e viu a Oranje cair para o Brasil nas quartas de final. Estaria bem substituído por Eric Cantona, ídolo absoluto do Manchester United, que viu a Bulgária atrapalhar o caminho da França rumo ao Mundial.

Copa de 1998: Weah no lugar de Romário

A panturrilha de Romário o afastou da Copa de 1998. O Baixinho ainda acreditava que podia formar uma dupla inesquecível com Ronaldo naquele Mundial, mas acabou cortado da seleção brasileira. Outro nome que poderia se encaixar muito bem no ataque do Brasil era George Weah. Um dos melhores do mundo enquanto estava no Milan, o liberiano nunca teve a chance de classificar seu país ao torneio. Se ganhasse a oportunidade de atuar ao lado do Fenômeno, formaria uma parceria de explosão física sem igual, capaz de passar como um trator por qualquer defesa.