Pois é, não se pode confiar no Colo-Colo dentro da Copa Libertadores já faz uns bons anos. O histórico recente dos maiores campeões chilenos é deprimente no torneio. Os colo-colinos participaram 13 vezes do torneio continental neste século. E, ao longo das 12 anteriores, se classificaram apenas uma vez aos mata-matas – em 2007, logo caindo para o América do México nas oitavas de final. O Cacique contou com grandes equipes no período, inclusive o que foi tetracampeão chileno na década passada, estrelado por nomes como Alexis Sánchez, Arturo Vidal, Claudio Bravo, Humberto Suazo e outros medalhões da seleção. Pois o timaço, no máximo, perdeu a final da Copa Sul-Americana de 2006, em uma das maiores refugadas do futebol sul-americano. E quando se esperava que os Albos mudassem seus rumos na atual campanha, acabam por chegar ao fundo do poço.

É bom ponderar que, em meio às outras 11 eliminações precoces, o Colo-Colo bateu na trave diversas vezes. Algumas derrocadas aconteceram de maneira dramática. Como esquecer o golaço de Cleiton Xavier que salvou o Palmeiras em 2009? Ou a reação do Cerro Porteño em 2011, virando o jogo de 2×0 para 2×3 em Santiago? Ou ainda o 0 a 0 com o Independiente del Valle em 2016, no qual os chilenos acertaram a trave três vezes depois dos 43 do segundo tempo? E mesmo as batalhas contra o Botafogo na fase preliminar da edição passada? Desta vez, porém, nem a emoção os colo-colinos devem conseguir. A esta altura, se acontecer uma reação épica, talvez seja mesmo para garantir a almejada classificação às oitavas.

Campeão do Torneio Transición em 2017, o Colo-Colo merecia atenções antes da atual campanha. Não apenas pelo título nacional, mas também pelo elenco comandado por Pablo Guede. Afinal, se os albos nos últimos anos confiaram em diversos veteranos, desta vez despontavam alguns significativos para o clube. Jorge Valdívia, Gonzalo Fierro e Esteban Paredes são os decanos do Cacique, acompanhados por outros tantos atletas rodados, a exemplo de Agustín Orión, Juan Manuel Insaurralde, Carlos Carmona e Jaime Valdés. E embora o Grupo 2 parecesse acessível, a primeira metade da campanha termina em lágrimas para os colo-colinos.

O primeiro jogo não seria fácil ao Colo-Colo. Recebia o Atlético Nacional em Santiago. E apesar do confronto aberto, em que os anfitriões arremataram mais, os verdolagas saíram com a vitória por 1 a 0 graças a um contra-ataque. O segundo compromisso não foi tão ruim assim, com o empate por 1 a 1 contra o Bolívar, buscando a igualdade em La Paz em noite na qual os celestes foram mais agressivos. Já os contornos de hecatombe surgiram nesta quinta-feira, quando o Cacique tinha a sua melhor chance de recuperação. Encarou no Estádio Monumental o Delfín, figurante até na atual edição do Campeonato Equatoriano. Pois os anfitriões perderam outra em casa, desta vez por 2 a 0.

Não que o Colo-Colo não tenha tentado. Trabalhando com calma no primeiro tempo, o time criou duas chances claras, mas de novo esbarrou nas traves. Já no segundo tempo, a casa começou a cair quando José Fernando Arismendi abriu o placar aos sete minutos. Cobrava-se pressa dos chilenos. E faltou calma para que a virada acontecesse, em meio à pressão infrutífera. Ao final, o gol contra de Carlos Carmona nos acréscimos só amplificou a sensação de humilhação, como destacam os jornais chilenos.

Ainda há chances? Matematicamente, sim. Mas o Colo-Colo precisará demonstrar uma capacidade de reação que não se viu até o momento, com dois jogos fora de casa pela frente. O Atlético Nacional soma seis pontos e é o líder. O Bolívar tem cinco. E até o Delfín se coloca à frente, com quatro. Para piorar, apesar da vitória sobre a Universidad Católica na rodada passada, a campanha no Campeonato Chileno não anima muito. O Cacique é o quinto colocado, a cinco pontos da Universidad de Chile e da Católica, que se distanciam no topo da tabela.

Cabe ponderar que a decepção ao Colo-Colo consegue ser mais ampla, observando os resultados recentes do futebol chileno. Nesta década, em apenas quatro ocasiões os representantes locais alcançaram os mata-matas da Libertadores, o último em 2014, e a apenas La U semifinalista em 2012 teve um sucesso relativo. Já na atual temporada, a situação não empolga. Dois times foram eliminados nas preliminares e as esperanças se concentram na Universidad de Chile, mesmo em um grupo bastante difícil. Já na Copa Sul-Americana, três dos quatro chilenos na primeira fase já foram eliminados. Falta de perspectivas gerais a um país que, com sua seleção, emplacou enormes sucessos recentes. Mas as dificuldades de renovação e de formação se escancaram desde os clubes. O Colo-Colo, querendo ou não, vira o maior exemplo.