A torcedora do Newcastle perdeu o ingresso por cedê-lo ao filho (Foto: Newcastle Chronicle)

Newcastle cancelou o carnê dessa senhora. Será que fez o certo?

Alguns dias antes do Natal, a torcedora de 65 anos do Newcastle, Lilian Held, estava viajando e precisava de alguém para acompanhar suas netas à partida contra o Southampton. A avó, que vai em todos os jogos há 14 anos, cedeu o seu carnê da temporada para o filho de 29 anos que levou as garotinhas para St. James Park. O problema é que ela não poderia ter feito isso. A punição do clube foi cancelar o seu ingresso e vendê-lo sem lhe dar a chance de se defender.

Não é raro os donos de carnês cederem as suas entradas. Alguns (muitos) até vendem, o que é expressamente proibido pelo regulamento do Newcastle, com sanções que podem chegar até a processos criminais. Não parece ter sido o caso de Lilian. O filho dela foi descoberto pelo fiscal porque o ingresso e o lugar aonde estava sentado eram para deficientes. Não seria muito inteligente armar um esquema clandestino tão fácil de ser flagrado.

O ingresso foi confiscado pelo fiscal, e Christopher, acompanhado para fora do estádio, a 10 minutos de caminhada da casa da sua mãe. As crianças, gêmeas de 14 anos, ficaram até o fim do jogo. Quando voltou para Newcastle, uma semana depois, Lilian foi para o estádio para buscar o seu ingresso e descobriu que ele estava suspenso enquanto o clube investigava a irregularidade.

“Eu disse que ele nunca senta no meu lugar, eu sempre sento no meu lugar, foi o primeiro jogo que eu perdi em 14 anos. Eu só queria que as meninas fossem acompanhadas por um adulto porque eu sempre vou nos jogos em casa para cuidar delas”, disse para o Newcastle Chronicle.

Quinze dias depois, o Newcastle informou que havia cancelado o ingresso de Lilian para o resto da temporada e o vendido para outra pessoa. Se a aposentada que tem uma doença nos nervos das costas quiser outro, precisa pagar o valor integral no começo da próxima temporada, sem os 50% de desconto para deficientes.

“Eu tenho esse assento há 13 anos”, contou. “Sempre fui torcedora do Newcastle e trabalhei no clube nos anos 1990.  Tirei foto com Kevin Keegan. Ir às partidas é a minha única relação social. Eu vivo para esses jogos. Perder o ingresso sem ter tido a chance de me defender arruinou o meu ano”.

O regulamento do Newcastle não deixa dúvidas. O carnê não pode ser emprestado sem a autorização do clube, que não foi requisitada no caso de Lilian. A situação fica mais difícil porque ela cedeu um ingresso comprado com benefícios para alguém que não necessita deles.

O clube poderia ter usado um pouco do bom senso, tão comum na Inglaterra para lidar com esses casos, dar uma bronca rígida em Lilian e monitorar o seu ingresso com mais atenção? Ou deveria mesmo ter feito valer a lei, que ainda por cima tem um mecanismo específico para esse tipo de situação? Aqui mesmo na redação da Trivela não chegamos a um consenso. O que vocês acham?