Mais cedo, enquanto você se preocupava com o gol de mão do Jô e eu pensava com carinho em Sidão, duas das melhores mentes do jornalismo futebolístico brasileiro se ocupavam com outra parada. Um pênalti. Uma falta. E um menino mimado.

Cavani, esse menino mimado. Que não consegue aceitar seu papel no futebol, o de coadjuvante. De Neymar? Antes fosse. Cavani, evidentemente, é menos no futebol do que Dani Alves. Mas não se conforma com isso. Papai disse que ele bateria os pênaltis e ele agora quer que assim seja.

Você provavelmente achou que o menino mimado era outro, certo? É também, claro, como bem apontam os citados acima – o nosso Bruno Bonsanti, aqui da Trivela, e o Rodrigo Borges, do Dois Pontos. Não é que eu discorde da análise deles sobre o Neymar – principalmente a do Bonsa, que é um pouco mais longa e detalhada. É que discordo sobre a análise do Cavani, e acho que isso faz diferença.

Neymar está longe de ser um gênio, todos sabemos. Recebe ordens de um pai claramente preocupado mais consigo mesmo do que com o filho até hoje, e perde repetidas chances de melhorar sua imagem – o que renderia mais dinheiro, que tanto move seu pai. O que não muda o fato de que Neymar é craque, um dos três melhores jogadores do mundo hoje. Que Neymar é um jogador que muda o destino de um time. E que Cavani não é nada disso, é apenas o cara com o qual o Uruguai não pode contar quando Luisito apronta das suas.

Ninguém pode dizer que o PSG de Neymar vai ganhar a Liga dos Campeões, mas eu posso afirmar com 100% de segurança que o PSG de Cavani, se ele existisse ou existir algum dia, não vai. Cavani é um ótimo jogador, mas não é um craque, não é um jogador que muda o destino de um time. Parece, porém, não se conformar em ser o que é: um coadjuvante. Com isso, cria o que pode ser uma divisão ridícula no time e no vestiário. Quem ganha com isso?

Neymar podia evitar a briga? É claro que sim. Neymar age como um menino mimado? Claro que sim. Mas a briga ali não é pelo pênalti, é pelo time. É só por isso, e não porque é “parça”, que Daniel Alves protagoniza o que é, a meu ver, desde já um clássico da história do futebol. Que Daniel Alves, que por si só já é maior que Cavani no futebol, toma a bola e só a entrega a Neymar. O que ele diz ali é: “Eu vim aqui pra ser campeão da Champions. O time do Neymar pode se campeão da Champions. O do Cavani, não. Portanto, amiguinho, vaza daqui e pula pra segunda fileira que é o teu lugar”.

Neymar é mimado? É. Neymar não tem espírito de grupo? Não é verdade. Como observou o Felipe Lobo no dia em que ele foi anunciado pelo PSG, do trio de ouro do Barça, o único que se sacrificava era Neymar. Que jogava fora de posição, que voltava pra compor o meio. Ele se sacrificava por Messi. Por Cavani? Não vai rolar, é o uruguaio que tem que se sacrificar. Como observou o Lucas Moreira no Twitter, Neymar chegou para ser o dono do time, cobrar pênalti escanteio e tiro de meta. Neymar quer ganhar tudo, ser artilheiro, quebrar recorde de gols, e faz todo sentido que queira. Cavani que se acostume. Se ele quiser ser protagonista, parece que o Watford está contratando.