Desde 1994, a Nigéria se ausentou de apenas uma edição da Copa do Mundo. E não será em 2018 que as Super Águias perderão o Mundial. Neste sábado, a equipe confirmou presença na Rússia ao vencer a Zâmbia por 1 a 0, em jogo disputado na cidade de Uyo. Os nigerianos vão à sua sexta edição do torneio, confirmando sua posição como uma potência no continente africano – talvez a região onde a classificação nas Eliminatórias seja mais difícil. Ao longo dos últimos 24 anos, nenhuma outra seleção local teve tamanho sucesso em suas empreitadas, com Camarões ficando um passo atrás por conta da frustração na atual campanha.

A missão da Nigéria era uma das mais delicadas nestas Eliminatórias. Afinal, as Super Águias acabaram sorteadas no chamado “grupo da morte” da África. Enfrentariam a Argélia, de excelente desempenho em 2014 e contando com uma geração de enorme qualidade individual; Camarões, outra equipe tarimbada da região, atual campeã da Copa Africana de Nações; e Zâmbia, campeã continental no início da década. Pois os nigerianos não tomaram conhecimento da concorrência. Com quatro vitórias e um empate nas cinco primeiras rodadas, tornou-se o primeiro país africano a se classificar para a Copa de 2018.

Enquanto os adversários derrapavam entre si, a Nigéria não demorou a se impor. Venceu a Zâmbia fora de casa na primeira rodada e bateu a Argélia na seguinte. Em setembro, goleou Camarões em Uyo e eliminou os Leões Indomáveis com um empate em Yaoundé. Neste momento, apenas os zambianos poderiam atravessar o caminho das Super Águias. Por isso mesmo, precisavam de uma impensável vitória em Uyo neste sábado e ainda torcer para um tropeço dos nigerianos na visita aos argelinos durante a última rodada. Cenário este que não esteve nem perto de acontecer, com o domínio da Nigéria para carimbar o seu passaporte.

Botando pressão nos primeiros minutos, a Zâmbia chegou a balançar as redes durante a etapa inicial, em tento bem anulado pela arbitragem, por impedimento. Contudo, logo a Nigéria tomaria conta do confronto e garantiria a vitória por 1 a 0. O gol que selou a classificação das Super Águias aconteceu aos 28 do segundo tempo. Em ótima trama coletiva, Victor Moses enfiou a bola para Abdullahi Shehu e este cruzou para Alex Iwobi emendar às redes. Festa dos nigerianos, com uma liderança mais do que merecida.

Treinada por Gernot Rohr, a Nigéria possui um dos elencos mais experientes do continente africano O sistema defensivo pode não ter grandes estrelas, mas vem dando conta do recado no atual ciclo. Já os principais nomes se concentram do meio para frente. A presença dos nigerianos na Premier League pesa bastante, com cinco jogadores atuando nos clubes ingleses: Wilfred Ndidi, Victor Moses, Alex Iwobi, Kelechi Iheanacho e Ahmed Musa. E isso sem contar o capitão John Obi Mikel e o centroavante Odion Ighalo, que atualmente militam no Campeonato Chinês, mas construíram suas carreiras na Grã-Bretanha.

O retrospecto recente da Nigéria na Copa Africana de Nações deixa as suas desconfianças. Campeãs em 2013, as Super Águias não se classificaram às duas últimas edições da competição. Na última campanha, porém, é preciso ponderar que o duelo com o Egito nas eliminatórias dificultou bastante a vida dos nigerianos, sem sequer poder brigar por um lugar entre os melhores segundos colocados após a suspensão do Chade. Abaixo dos Faraós, a equipe viu o torneio de casa em 2017.

Agora, o desempenho rumo à Copa do Mundo de 2018 revigora as expectativas sobre a Nigéria. Individualmente, pode não ser a seleção africana que mais chama atenção. Ainda assim, possui vários jogadores atuando em equipes relevantes, o que pode auxiliar na Rússia. E a maneira como o time sobrou no grupo da morte, sem dúvidas, referenda o trabalho atual. Resta saber se isso será suficiente para as Super Águias brigarem por um lugar nas oitavas de final, como fizeram em 2014.