Nilmar tem vários momentos importantes na carreira, pois tem técnica apurada e habilidade incontestável dentro das quatro linhas. Jogadas de efeito, dribles sensacionais, velocidade e gols eram a marca do jogador brasileiro no início da carreira, em que defendeu o Internacional em duas boas passagens e também o Corinthians, quando levantou o Campeonato Brasileiro 2005 ao fazer dupla com Carlitos Tévez, na época de vacas gordas do clube paulista com o dinheiro da MSI.

Na Europa, Nilmar só não continuou com a camisa do Villarreal porque o time espanhol acabou rebaixado à segunda divisão, o que impossibilitou ao time continuar pagando os altos salários do jogador. Naquela época, em 2012, equipes brasileiras tentaram a contratação do atacante, mas a quantia para tê-lo no Brasil era muito alta e só os árabes poderiam pagá-la. E Nilmar já não tinha mercado na Europa, até por causa das lesões e em razão da passagem apagada pelo Lyon.

Mais baixos que altos

Assim, a saída para Nilmar manter o padrão de vida foi se despedir de qualquer possibilidade de defender a seleção brasileira – seu último gol com a amarelinha foi em 7 de outubro de 2010, num amistoso com vitória de 3 a 0 sobre o Irã – e aceitar proposta do Al Rayyan.

No Catar, liga de nível inferior mas com alguns bons jogadores estrangeiros, Nilmar aumentou a média de gols. Na temporada 2012/13, o atacante brasileiro balançou as redes adversárias 16 vezes em 25 jogos – só não atuou em um –, sendo o artilheiro da equipe – o Al Rayyan terminou a liga na quarta posição, indo para a Liga dos Campeões da Ásia 2014.

Nilmar vestiu a camisa do Al Rayyan até a metade da temporada 2013/14, mas encerrou o contrato que ia até 2016 em razão da péssima campanha da equipe na liga nacional. Com dois gols marcados em 15 jogos, Nilmar se mudou para o El Jaish, que também jogava a Liga dos Campeões, mas brigava pelo título nacional.

No novo time, o atleta estreou fazendo dois gols em 31 de janeiro, mas ficou cinco rodadas sem atuar e na volta ainda foi expulso. Até o fim da temporada, Nilmar entrou em campo três vezes, ajudando pouco o El Jaish, vice-campeão nacional. Na Liga dos Campeões, a performance do brasileiro foi melhor, com quatro dos seis gols do time, eliminado na primeira fase.

O balanço de Nilmar nas quase duas temporadas no Catar é mediano: fazer muitos gols numa liga bastante inferior ao Campeonato Brasileiro não quer dizer muita coisa. Outro problema é a parte física…

Nilmar jogou pouco em 2014 e sabe-se que todo jogador oriundo do mundo árabe precisa de longo tempo de adaptação, em razão dos treinos mais brandos no exterior. E isso ainda pode aumentar por causa do histórico de lesões graves do atleta de 30 anos, com períodos de recuperação na casa dos seis meses.

Fora das quatro linhas, ainda há o fator salário… No Catar, especula-se que Nilmar recebesse no mínimo R$ 800 mil mensais, valores altos para o padrão do Brasil. Talvez o jogador brasileiro seja apresentado no Beira-Rio, na Arena Corinthians ou até no Morumbi, mas o mais provável neste momento é ninguém fazer loucuras financeiras por um jogador que carrega riscos de lesão consigo. Parece que o destino mais sensato de Nilmar será outro país árabe… O que pode ser ótima notícia para vocês, torcedores de Internacional, Corinthians e São Paulo.

Curtas

– Se Nilmar pode pintar no Brasil, Hernane Brocador já arrumou as malas para o mundo árabe. O ex-atacante do Flamengo trocou o lanterna do Campeonato Brasileiro pelo atual campeão da Arábia Saudita. O jogador assinou por três temporadas e terá a companhia do meia/atacante Marquinhos Gabriel, ex-Internacional, Bahia e Palmeiras. O marroquino Houssine Kharja, ex-Internazionale e Fiorentina, também está lá. É bom lembrar que o Al Nassr já teve problemas com jogadores brasileiros: Rafael Bastos afirmou no final de 2013 que era refém no clube, que o impedia de deixar a Arábia Saudita. Tudo se resolveu e hoje o atleta defende o Al Kuwait.