Rickie Lambert volta ao clube pelo qual torce, o Liverpool

Ninguém está mais feliz que Rickie Lambert, o garoto que assinou com o clube do seu coração

Impossível mensurar a decepção do adolescente Rickie Lambert. Aos 15 anos de idade, o garoto que tatuou o pássaro símbolo do Liverpool no ombro foi rejeitado no seu clube de coração. O fim do primeiro sonho. O segundo, de ser jogador profissional, também parecia difícil quando ele precisava acordar cedo para trabalhar como operário de uma fábrica. Hoje em dia, Lambert tem 32 anos, está prestes a disputar a Copa do Mundo pela Inglaterra e acabou de assinar contrato para ser o novo atacante do Liverpool.

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Lambert conseguiu virar profissional, obviamente, mas passeou pelas divisões inferiores da Inglaterra por muito tempo. Depois de deixar a fábrica, assinou pelo Macclesfield Town e passou por Stockport County, Rochdale e Bristol Rovers. Chegou ao Southampton, aos 27 anos, em 2009 e esteve presente na ascensão do time da terceira divisão à Premier League.

Por isso, não espanta que em certo momento da carreira ele tenha desistido de defender o Liverpool, clube da cidade onde mora a sua família e por quem sempre torceu. Mas a reviravolta positiva que a sua vida sofreu nos últimos meses reviveu esse sonho. De agosto para cá, ele ganhou suas primeiras convocações para a seleção, ajudou a manter o Southampton no meio da tabela do Campeonato Inglês e obrigou Brendan Rodgers a gastar quase R$ 17 milhões para contar com seus serviços.

“Foi devastador, absolutamente devastador”, afirmou em entrevista ao site do seu novo time, sobre a sua dispensa, em 1997. “Eu pensei que eu não seria jogador profissional. Foi o fim do mundo para mim. Achei que nunca me sentiria pior que naquele momento, mas posso dizer que a vida continua e que você não pode se deixar afetar tanto assim. Mas nunca achei que conseguiria voltar para cá.”

Com a Liga dos Campeões pela frente, além da duríssima Premier League e das duas Copas inglesas, o Liverpool precisa de elenco e de opções. Lambert não é veloz ou técnico como Sturridge e Suárez, mas oferece uma boa alternativa na bola aérea, como pivô, prendendo os zagueiros, e tem faro de artilheiro. Afinal, fez 117 gols em 235 jogos pelo Southampton. O suficiente para garantir uma passagem de volta para casa.

“Minha mãe e meu pai choraram quando eu contei para eles, especialmente a minha mãe. Eu fiquei afastado por oito anos. Minha mãe e meu pai sempre adoraram me ver jogar e tem sido difícil para eles não conseguir fazer isso. O fato de o filho deles estar voltando para casa, e jogando pelo Liverpool, é inacreditável. Eu amei esse clube a minha vida inteira. Eu sai daqui 17 anos atrás e não parei de amá-lo desde então”, afirmou.

O coração de Lambert continua tão vermelho quanto na sua época de jovem, mas agora abriga dois clubes. Não esqueceu de agradecer ninguém que o ajudou a se tornar um jogador de primeiro escalão no Southampton. Os funcionários, os técnicos e principalmente os torcedores. “As pessoas que torcem por esse clube não foram nada menos que sensacionais comigo e, quando olhar para trás, vou me lembrar dessa relação mais do que qualquer outra coisa”, escreveu em uma carta enviada ao St. Mary.

Lambert já conversou com Steven Gerrard. Perguntou sobre Brendan Rodgers e sabe que não foi contratado porque torce pelo clube, mas pelo que pode contribuir à equipe. Além de gols e opções táticas, certamente muita raça e dedicação, geralmente as duas principais características de quem passa por muitas dificuldades, mas nunca desiste e eventualmente realiza um sonho que tantas vezes pareceu perdido. Impossível mensurar a felicidade do homem Rickie Lambert.

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